sexta-feira, 19 de junho de 2015

Obrigado, José Carlos!


Uma boa centena de pessoas, bem contada entre antigos companheiros de equipa, dirigentes, treinadores, gente do povo anónimo de Cabeça Gorda e amigos de Santa Cruz (Madeira) evocou a sua memória.

Texto e fotos Firmino Paixão


“Não se deve pôr uma pedra sobre o passado e viver apenas a realidade do dia a dia a pensar no futuro, assim não haveria história e nunca chegaríamos a saber quem somos”. Este é um pensamento de José Carlos Dias, expresso no seu projeto literário Memórias da Nossa Aldeia, que o presidente da Junta de Freguesia de Cabeça Gorda, Álvaro Nobre, trouxe a público durante a evocação do cidadão José Carlos Dias. O homem, o amigo, o dirigente, como emotivamente o lembrou “Chana”, um pilar e uma figura indissociável do Clube Desportivo e Recreativo de Cabeça Gorda, que lembrou José Carlos como “um homem de luta, um homem humilde, um amigo extraordinário que estava sempre próximo e disponível para ajudar os outros, um dirigente sensível, único na forma fraterna e solidária como se relacionava com os seus amigos, que nos deixou prematuramente”. Mas José Carlos também deixou expresso nas suas memórias que “a vida é curta e reviver é viver mais vezes, recordar bons e maus bocados será sempre viver mais”. José Carlos Dias, enquanto dirigente foi um lutador, um perfecionista, lembrou “Chana”, um dirigente que teve um papel fundamental nas obras de beneficiação e arrelvamento do Campo de José Agostinho de Matos, terminando a sua intervenção como um emotivo “Obrigado, Zé!”.
Álvaro Nobre lembrou que se vivia um momento de reconhecimento “por tudo o que José Carlos fez pelo ‘Ferrobico’ e pela Freguesia de Cabeça Gorda”, recordando os seus tempos de futebolista no clube da terra, tendo como treinadores José Carlos Dias e  José Mestre, assinalando que “na altura, e enquanto jovem, olhando para a vida de uma forma esperançosa”, sentiu a importância dessa ligação na sua caminhada para o futuro. Álvaro Nobre revelou depois o legado que lhe foi deixado pelo José Carlos Dias, um projeto intitulado Memórias da Nossa Aldeia que nunca publicou, mas entregou cópias a vários amigos, sublinhando vários trechos do texto, entre eles o testemunho de que “há quem diga que quem não recorda está condenado a voltar a viver o mesmo” ou o entendimento do homenageado de que “neste tempo se vai pouco longe na procura das nossas raízes”. Não é o caso de José Carlos Dias, o mítico jogador e dirigente do Cabeça Gorda, atleta do Santacruzense (Madeira) que ali esteve presente na memória e no coração de todos os que quiseram testemunhar a homenagem que lhe foi prestada. Humilde, personalidade que sempre o identificou, mas com a dignidade que sempre procurou para o seu emblema de coração, não fosse José Carlos “um visionário, uma pessoa que via sempre mais à frente”, como o qualificou Vargas, um antigo companheiro de equipa.
Outros oradores enalteceram as qualidades do homenageado, exemplo de José Luís Prazeres, que recordou a sua ligação e do seu próprio pai ao Cabeça Gorda, sublinhando “a inteligência e a solidariedade de José Carlos e a bondade do seu sorriso”.
A amizade não tem limites e foi esse o sentimento que fez a ponte para que o casal José Luís Coelho/Fátima Coelho atravessassem o Atlântico, desde Santa Cruz para Cabeça Gorda, para que o antigo atleta do Santacruzense testemunhasse o momento em que os seus conterrâneos perpetuavam a memória de José Carlos Dias na sede do clube alentejano, para deixar a imagem de “uma grande figura que ficou no coração dos santacruzenses, um amigo ímpar, um homem fora do comum”, deixando uma mensagem de “fraternidade dos veteranos do Santacruzense”. O conterrâneo Francisco Fernandes afirmou que “todas as homenagens que se fizerem a José Carlos serão poucas, sublinhando a grande paixão que ele teve sempre pela Cabeça Gorda e pelo ‘Ferrobico’”. O técnico confessou: “O José Carlos foi sempre uma referência para mim”. Uma festa bonita Zé, um momento emotivo em que foram ainda lembrados os treinadores António Dionísio e Luís Prazeres e o dirigente José António castilho, outros símbolos do “Ferrobico”.

Fonte:  http://da.ambaal.pt/

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