Triunfador é uma adjetivação colada a uma arte que também não é estranha a Pedro Caixinha. E a “festa” tem dimensão naquele país da América Latina, de onde um dia o técnico bejense “sairá em ombros”.
Texto e foto Firmino Paixão
Pedro Caixinha está, há cerca de dois anos e meio, no comando técnico do Club Santos Laguna, “Los Guerreiros”, o emblema para o qual já esta época tinha conquistado a Copa MX e agora ganhou a Liga Clausura, ou seja, sagrou-se campeão do México. O bejense é agora o único treinador com dois troféus ganhos à frente de “Los Guerreros”.
“Foi uma temporada muito boa, conquistámos o doblete (a Taça MX e a Liga Clausura) e o Santos Laguna foi também a melhor equipa do México e da Concacaf no ranking Iffhs, com uma 58.ª posição a nível mundial”, afirmou o treinador bejense, Pedro Caixinha, depois de ter assegurado o título de campeão do México, numa final a duas mãos com a formação do Querétaro, com um resultado de 5-3 nas duas mãos.
Mas um título com esta dimensão, sugere uma dedicatória especial. “Sem dúvida”, concordou. “Em primeiro lugar dedicámo-lo à família, também ao diretor desportivo José Riestra (que foi que nos trouxe para o México), ao presidente e dono do clube, Alejandro Irarragorri, pelo apoio demonstrado ao longo de todo o tempo”. Mas as referências de reconhecimento estenderam-se igualmente “à equipa técnica, que sempre demonstrou uma lealdade, competência e espírito de missão espetacular, a todos os jogadores com quem trabalhámos desde que aqui chegámos há dois anos e meio, mas em especial a este grupo do último torneio (devo lembrar que é o grupo mais jovem da liga, com uma média de 23,5 anos de idade), também a todos os 200 trabalhadores do clube e por fim, mas não menos importante, aos adeptos”.
É por demais evidente que o técnico está a deixar uma marca muito peculiar no futebol mexicano: “Mas não tem sido fácil aculturar-me a muitas coisas”, confessou. E adiantou: “Mas aos poucos vamos criando no grupo de trabalho uma zona de conforto mais alargada e, com isso, vencer um pouco as idiossincrasias tão características deste futebol. Estamos muito satisfeitos com a evolução demonstrada pelo plantel e a vontade que têm em seguir progredindo”.
Receitas para o sucesso? Talvez uma forma singular de estar no futebol, com garra e determinação, diremos nós, mas o bejense afirmou: “Neste grupo a chave foi a união. Quando nos fechámos ao exterior e acreditámos em nós, esse foi o ponto de inflexão que fez a diferença entre a fase regular do torneio e a fase a eliminar e decisória da liguilha”. Contudo, a imprensa mexicana nem sempre tem sido dócil para com o Pedro Caixinha: “Na verdade identificam-me mais como ‘polémico’, mas eu sinto é que sou incómodo, porque polémico é alguém que aponta as coisas menos boas no sentido de prejudicar. Serei incómodo na forma como apresento as coisas, com conteúdo, com argumentação e sugestões para melhoria. Agora, quando o fazes de frente para os poderes instalados, não gostam muito, ainda mais quando és estrangeiro …”.
No dia 20 de julho, o Santos Laguna jogará com o América para disputa da “Copa dos Campeones”, naturalmente, com o pensamento na vitória: “Sem dúvida, os clubes, treinadores e jogadores vivem sempre com o pensamento em ganhar. Será interessante começarmos a temporada com essa competição, mas teremos que nos preparar bem e em pouco tempo. Há diferença dos torneios largos, aqui, quando chegamos às últimas fases das competições, o período de férias é sempre muito reduzido”.
Quanto ao futuro, permanência na América Latina, ou regresso à Europa, Pedro Caixinha revelou: “Já reunimos e o clube quer muito a minha continuidade, no sentido de desenvolvermos ainda mais, e em diferentes áreas, o projeto que nos une. O clube sabe que se eu continuar o meu compromisso será total, mas também me apoia e ajuda na procura do meu sonho, que é regressar à Europa”.
Quando se é bem-sucedido a uma tão grande distância do país e da família, haverá um pensamento mais profundo, um sentimento mais intenso? Terá sido com essa intensidade emotiva que o treinador bejense festejou este título mexicano? “São sentimentos muito interessantes, aqueles que vivemos com a conquista de um campeonato. É verdade que a primeira coisa que nos vem à cabeça é a ajuda, o apoio e o carinho com que os nossos familiares nos brindam em todos os momentos, mas, ao mesmo tempo, também, já passa pela nossa cabeça desfrutar o momento e pensar na conquista do próximo”. Um título justo como lhe confidenciou o célebre Ronaldinho Gaúcho, jogador do Querétaro: “‘Oi português’... Não mister de verdade, quero felicitá-lo pelo trabalho realizado, foi um título merecido”, disse-‑lhe num cumprimento muito especial.
Fonte: http://da.ambaal.pt
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