sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Catarina dá asas ao sonho


A cidade italiana de Ponte Di Legno recebe, a partir da próxima segunda-feira, os Campeonatos da Europa de Patinagem Artística 2015, nas variantes de patinagem livre, figuras obrigatórias e solo dance.

Texto e fotos Firmino Paixão


E essa importante estância turística alpina será o palco dos sonhos da patinadora Catarina Bicho, uma jovem nascida em Cuba há 18 anos, medalha de bronze nos últimos campeonatos nacionais e uma das três atletas que integram a comitiva portuguesa. Com natural entusiasmo, embora já não seja a sua estreia internacional, revelou: “Sempre sonhei competir no campeonato europeu, participei em taças da Europa mas esta competição é mais importante, vou representar o meu país numa competição onde estão as melhores classificadas dos campeonatos nacionais dos diversos países”. E na bagagem para terras transalpinas levará muito orgulho e ambição. “Sim, muita dedicação também. Tentarei dar o melhor de mim, espero fazer boas provas para obter os melhores resultados”.
O apuramento para este mundial teve epicentro no mérito da medalha de bronze conseguida no campeonato nacional. “Apuraram-se as três primeiras classificadas do campeonato nacional e eu consegui o terceiro lugar, lutei pelo título mas o programa longo não me correu tão bem como esperava, no programa curto estava em segundo lugar e acabei por cair para o terceiro lugar. Idealizava algo melhor e estava bem preparada, mas são imponderáveis que acontecem”.
Catarina Bicho partiu para o Itália depois de três estágios da seleção nacional, realizados no Luso e na Mealhada, ações que, revelou, terem servido “essencialmente para nos prepararmos melhor e para os técnicos avaliarem a nossa evolução, fundamentalmente é isso, são avaliações intercalares após o campeonato nacional e a participação no Europeu. As avaliações têm sido positivas, naturalmente que existe sempre um treino em que nós estamos melhor que noutro, mas, no geral, houve um bom retorno”. Contudo, a determinação é muita e, por isso, a atleta de Cuba não descurou a preparação individual. “Treinei diariamente, e às vezes até fiz duas sessões, até ao dia da partida para Itália, muito treino e muita dedicação, só assim se conseguem os melhores resultados”. Tudo isto, confessou a patinadora treinada por Edgar Cheira, porque “vamos todos empenhados numa boa prestação tentando trazer para Portugal as melhores classificações possíveis. Não pensamos de outra forma, o resto virá por acréscimo, mas temos de ficar bem connosco próprias, com a consciência que demos o melhor, porque os esquemas têm sido muito treinados, só temos de chegar lá e fazê-los com a melhor perfeição possível”. Trata-se da quarta competição internacional em que estará presente, por isso a pressão é inquestionavelmente menor. “Claro, nada será igual à primeira vez, a estreia foi vivida com muita intensidade, agora já vamos mais descontraídas, com mais tranquilidade, mais maduras. As outras experiências também foram importantes. Em 2009 estive no Luso, em 2013 em França e em 2014 foi de novo no Luso”.
Catarina Bicho patina desde os quatro anos, tudo por culpa de umas férias desportivas promovidas pelo município da sua terra. “O programa incluía a patinagem, embora a um nível diferente, patinávamos com os ténis e os patins eram mais rudimentares”, explicou. E foi assim que nasceu, também, o Clube de Patinagem Artística de Cuba. “O vereador do desporto, Francisco Pólvora, também apreciava a modalidade e em conversa com os meus pais sugeriu a criação de um polo de patinagem em Cuba e foi assim que tudo começou a crescer. Mais tarde o treinador Edgar Cheira juntou-se a nós, e aqui estamos”. Um clube recente, o único emblema que Catarina usou ao peito. “Um clube onde existe muita união, muita amizade entre todos, o ambiente é excelente, com muita entreajuda entre todos”, sublinhou. E com atletas de bom nível, acentuamos nós, porquanto o jovem romeno Cladiu Rus, outro atleta do clube, acaba de regressar de França onde participou na Taça da Europa. O sonho da Catarina, esse, não esmorece com esta presença no Europeu. “Espero mais qualquer coisa da patinagem artística. Aliás, luto por isso, qualquer coisa como ser campeã nacional e, quem sabe, uma medalha numa competição internacional”. Ou não fosse a modalidade vivida com tanta intensidade no seio desta família, cujo patriarca, José Bicho, foi um dos históricos guarda-redes do Sporting de Cuba. Lá em casa anda tudo sobre rodas. A mãe é diretora do clube, o pai é o preparador físico e a irmã Joana (ex-patinadora) é treinadora. “Estamos todos muito ligados à modalidade, adoramos a patinagem e por ela ninguém fica preso em casa, porque quando vamos para a patinagem vamos todos, vive-se a modalidade intensamente”.

Fonte:  http://da.ambaal.pt/

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