José Saúde
Persistindo numa peleja saudável e que me faz
viajar pelos corredores apertados da memória, revejo arautos de outrora
que se apresentavam ao público como verdadeiros ícones do cosmos
desportivo. Existiam ex-líbris espalhados por diversas localidades do
distrito de Beja que fecundavam chamas vivazes quando a temática
abordada recaía sobre a afável razão que o desporto proporcionava. As
tertúlias eram triviais. Em Beja, recordo com nostalgia o mítico café “O
Cortiço”. Situado na rua Capitão João Francisco de Sousa, o espaço
comercial pax-juliano era frequentado por um catálogo de gentes que
cruzavam as últimas inovações de um painel de acontecimentos que
testemunhava um constante progresso. Atrás do balcão a dupla de irmãos,
Caetano e Marcelino, prezava por bem servir uma infindável clientela que
fazia jus à sua presença no “romântico Cortiço”. Alguns, sentavam- -se
em redor de uma mesa que puxava à curiosidade, outros, junto a um balcão
onde os célebres pastéis de bacalhau cativavam os sabores afinados do
freguês, e o cliente, zeloso em recolher novidades, tinha naquele
ex-líbris um local ideal para obter profícuas informações sobre o
universo desportivo.
Sou de uma época em que “O Cortiço” fornecia
uma panóplia de notícias que encantavam uma rapaziada que vivia
intensamente o fenómeno. “O Cortiço” foi, também, palco de homens que
literalmente se notabilizaram na vertente do futebol. O saudoso
Marcelino, apelidado como o “velho capitão”, espalhou em campo o perfume
da sua inexcedível classe ao serviço do Desportivo de Beja,
afirmando-se, meritoriamente, como um futebolista de refinada eleição.
Veiga Trigo, antigo árbitro internacional de futebol, bebeu no “Cortiço”
um divinal conhecimento para uma arte que tanto o dignificou. Agora,
resta recordar escrupulosos púlpitos desportivos que entretanto se
perderam no tempo. “O Cortiço” foi um notável paraíso onde homens do
passado se regalavam com profícuas conversas e que ficará enumerado, com
merecida justiça, nos anais da história do desporto sul alentejano.
Fonte: http://da.ambaal.pt/
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