sexta-feira, 11 de março de 2016

Milfontes


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José Saúde

Num enérgico e persistente caminhar pelos trilhos desportivos, debruço-me neste texto sobre o Clube Desportivo Praia de Milfontes. Longe vão as épocas em que o grémio, à beira-mar do impetuoso oceano Atlântico instalado, assumia uma posição modesta no contexto regional. Expressam os anais da história que hoje já nada é como dantes. O clube cresceu, criou infraestruturas abalizadas, dimensionou-se e conquistou um exímio estatuto competitivo. Na presente época, 2015/2016, o Milfontes comanda a primeira divisão da AFBeja, o grupo de trabalho apresenta firmeza, restando por ora a dúvida se no final da campanha se ouvirá, ou não, o cante do cisne num clube onde Joaquim António Parrinha, no ano de 1944, lançou as primeiras sementes à terra. Parrinha, então com 14 anos, e uma bola de catechu comprada com cinco litros de feijão surripiado em fazendas agrícolas nas proximidades da urbe, debitava excessivo gosto pelo futebol e a juventude, em uníssono, acompanhou o mestre. Com o evoluir do tempo eis que em 1961 deu à estampa em Vila Nova de Milfontes uma coletividade que dava pelo nome de “Os Milfontenses”, equipa que participou no campeonato distrital da antiga FNAT. A 15 de junho de 1977 fundar-se-ia o clube que agora dá brado no escalão maior do futebol regional de Beja. No campo Foz do Mira mora uma equipa que, jornada após jornada, vai levando a carta a Garcia, ultrapassando assimétricos obstáculos e conquistando espaço num reino onde por ora é soberano. O futuro? Bem, prevê-se que a fase final do campeonato seja renhida, pois o Mineiro Aljustrelense está a escassos três pontos, usufruindo, por isso, legítimas aspirações pela conquista do objetivo, restando, por enquanto, a inevitável dúvida quem será o futuro campeão e o representante bejense no Campeonato Nacional de Seniores. Uma coisa é certa: o outrora discreto Milfontes é agora uma equipa que se bate de igual para igual com clubes que dantes granjeavam um outro poderio futebolístico. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

Fonte:  http://da.ambaal.pt

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