José Saúde
Divulgam as tradições mineiras da Mina de
São Domingos que a exploração do seu subsolo em prata, ouro e cobre
ter-se-á iniciado no século I e manter-se-ia até ao século IV. Os seus
primórdios remontam ao tempo dos fenícios e cartagineses, passando,
depois, pelos romanos. Em 1858 a companhia de mineração intitulada
Mason & Barry, avançou para a extração esmerada da mina e dela sugou
o precioso minério que fez do povoado um lugar de enorme dimensão.
Todavia, com o fim da safra mineira a aldeia entrou em decadência e o
movimento desportivo, outrora bélico e com a equipa do São Domingos a
afirmar-se no futebol nacional, foi paulatinamente perdendo o seu
fulgor. Desse trajeto áureo, sobretudo quando “a mina era um jardim” e
em tardes de bola as fogosas moçoilas deambulavam ao longo da estrada
lançando subtis olhares aos forasteiros, restam vestígios que ditam
meritórios conceitos e que fazem do lugarejo um encanto. Dos tempos
mineiros perduram as águas da sua intemporal barragem, transformada
agora em Praia Fluvial da Tapada Grande e, simultaneamente, aproveitadas
para a modalidade de canoagem. Refira-se que o empenho da autarquia tem
sido infalível e o Clube Náutico de Mértola eficiente na sua ação.
Recentemente, um usado sonho tornou-se realidade e a Mina viu
resplandecer uma pista de canoagem que Carlos Viegas, presidente da
coletividade mertolense, considera de extrema utilidade. Trata-se de um
investimento grandioso e com uma utilidade imensa, não só para os
canoístas nacionais, como para os internacionais. A pista é uma
ferramenta que trouxe um novo índice a um povo que, não obstante a sua
segregação humana como plebe populacional, continua a viver o desporto
com a essência que o fenómeno faculta. Bem-haja a dinâmica desportiva
implementada, bem como o aproveitamento do meio natural que envolve um
concelho onde a utilização da água é um vértice desportivo basilar. A
Mina de São Domingos permanecerá incessantemente como uma terra onde a
afabilidade desportiva deixou e deixará eloquentes e inesgotáveis
lembranças.
Fonte: http://da.ambaal.pt
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