Os novos órgãos sociais da Associação de Andebol de Beja foram eleitos e empossados no início desta semana. Joaquim Coelho foi reconduzido no cargo de presidente da direção para o próximo quadriénio.
Texto e foto Firmino Paixão
Cumprindo o regime jurídico para as federações desportivas, que obriga a realização de eleições até 30 de setembro de cada ano em que se realizem jogos olímpicos, a Associação de Andebol de Beja foi a votos na passada segunda-feira elegendo a única lista apresentada a sufrágio, encabeçada pelo anterior presidente, Joaquim Coelho. Uma lista consensual, como reconheceu o líder reconduzido no organismo regional que enquadra cerca de 200 praticantes, representando três clubes: Associação Cultural e Recreativa Zona Azul, de Beja, Centro de Cultura Popular de Serpa e Associação “Cautchú”, de São Teotónio.
Apenas com três clubes, a representatividade da associação é francamente reduzida.Claro, mas isso passa-se com as outras associações do sul, a de Évora tem dois clubes, o Algarve tem sete ou oito. Nos últimos anos só conseguimos organizar campeonatos juntando as três associações.
Qual é o balanço do mandato anterior?Temos feito algumas coisas que não são visíveis, desde a nova sede até à colocação de algumas equipas nas competições da Associação de Lisboa para competirem em campeonatos regionais, assim como temos uma dupla de árbitros nacionais com grande possibilidade de progressão, enfim, tem-se feito alguma coisa, mesmo condicionados pelo reduzido número de clubes e praticantes e pela imensidão do território. Só podemos dar um salto qualitativo se conseguirmos ir aos sítios onde o andebol já foi praticado e fazê-lo regressar.
Quais são as grandes orientações para o próximo mandato?Tentarmos que os principais clubes que existem neste momento, Serpa e Zona Azul, se possam consolidar. Neste ano apresentaram equipas de formação e de seniores e, talvez, tenha sido a época mais importante em termos desportivos, porque os dois clubes apuraram-se para a segunda fase dos campeonatos nacionais de juvenis e seniores. Mais do que ambicionarmos muita coisa, precisamos de cimentar o que temos. Precisamos que os clubes tenham todos os escalões, para assegurarem a sua continuidade. Temos outra ideia base que assenta na necessidade de formarmos mais técnicos, os cursos estão aí, mas temos pouca gente para seguir a carreira de treinador e a federação tem algumas exigências quanto ao enquadramento dos escalões de formação. Também estamos limitados ao nível dos dirigentes, por isso, a formação de treinadores dirigentes e o aparecimento de novos clubes são os grandes focos para este mandato.
Um dos caminhos será as parceiras com escolas e autarquias, mas disse-me uma vez que essas portas não se abriam à modalidade.Continuamos com essas portas fechadas. Lamento muito que as câmaras municipais não nos abram as portas e o desporto escolar também não, se bem que tentamos todos os dias, mas sei que estas situações levam tempo. Estou esperançado que um dia teremos sucesso. Precisamos que os vereadores da cultura e desporto olhem mais para as modalidades, nomeadamente para o andebol. Não queremos pedir nada, queremos é uma instituição que nos aceite como parceiros na dinamização desta modalidade. Quantos jovens deste distrito, com aptidão para o andebol, terão ficado para trás, porque nunca tiveram a sua oportunidade. E nós já tivemos e temos internacionais alentejanos de grande gabarito.
São dificuldades típicas das regiões do interior…Não sou apologista de dizer que estamos muito longe das decisões, hoje não estamos longe de coisa nenhuma, estamos todos perto uns dos outros, temos a Internet, temos telefones e temos, sobretudo, a amizade que vamos construindo e fortalecendo, precisamos é de boas vontades.
Em que papel se revê? Um delegado da federação que dinamiza o andebol neste distrito ou um representante dos clubes a reivindicar mais e melhores condições junto da federação?Vou ser sincero. O papel das associações está um pouco limitado, primeiro pela escassez de clubes e atletas, por outro lado, muitas vezes as nossas opiniões demoram algum tempo a serem concretizadas. Temos reivindicado, por exemplo, a aplicação de critérios de mérito para promoção dos clubes no preenchimento de vagas de desistentes, em vez da repescagem dos despromovidos. Temos dificuldades em contrariar algumas decisões superiores. Neste ano estavam apuradas três equipas para a 2.ª fase da 3.ª divisão e quase no final da prova surgiu uma norma a obrigar os terceiros classificados a uma finalíssima. É mais um exemplo. Por mais que protestemos existe sempre uma desculpa e as alterações ficam sempre para uma próxima oportunidade. Depois, a federação também vai em breve mudar de direção, mas isto não é só connosco que temos três clubes, é geral.
Fonte: http://da.ambaal.pt
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