sexta-feira, 8 de abril de 2016

“Seremos mais fortes”


O Despertar Sporting Clube, de Beja, participou pela primeira vez no Campeonato Distrital de Futsal em seniores masculinos, da AF Beja, e classificou-se no segundo lugar. Agora já prepara a próxima temporada.

Texto e foto Firmino Paixão


O Despertar Sporting Clube herdou toda uma estrutura anteriormente afeta ao Grupo Desportivo do Alcoforado e, à semelhança do que os “Ouriços” conseguiram nas últimas duas épocas, a equipa treinada por Nuno Malpão voltou a classificar-se no segundo lugar do campeonato distrital, cujo título já foi arrebatado pelo Sporting Clube Ferreirense. O treinador bejense afirmou que “esta guerra já acabou, as batalhas já terminaram, agora é lamber as feridas e preparar o futuro”.


O que faltou ao Despertar para não ter conseguido o título?Enquanto treinador, seja qual for a equipa em que esteja, o meu objetivo é sempre ganhar. Se algumas vezes não o consigo, a responsabilidade será sempre minha. Foi porque não fiz algo que deveria ter feito ou por ter feito algo que foi mal feito. Dessa maneira, assumo totalmente a responsabilidade por não termos conseguido o título.


O Ferreirense teve mais mérito ou existiu demérito no Despertar?O campeonato está bem entregue, o Ferreirense é um justo vencedor. Tem um excelente plantel e uma pessoa experiente à frente da equipa. Nós falhámos em momentos cruciais, momentos em que isso não podia acontecer. Os nossos empates e a nossa única derrota no campeonato foram jogos em que estivemos a ganhar e acabámos por consentir esses resultados menos positivos, muitas vezes nos últimos minutos de jogo. Não conseguimos porque os outros, por vezes, foram mais fortes, assumimos isso e vamos trabalhar para sermos mais fortes do que fomos este ano e mais fortes do que todos os outros.


A mudança dos alicerces desta equipa do Alcoforado para o Despertar não fragilizou a estrutura competitiva?Não houve qualquer tipo de tremor por termos entrado para o Despertar, antes pelo contrário, o que vi foi uma mística que eu nunca tinha sentido em Beja. Mas como tem acontecido nos últimos anos, entraram novos jogadores para o plantel, e eles têm que perceber o modelo de jogo que o treinador implementa. Temos jogadores que já estão rotinados nele e têm mais facilidade, mas o campeonato não se faz com cinco ou seis jogadores. Neste distrital, pelo que conheço, um bom grupo de 10 fará um bom campeonato. Com um bom cinco, ou seis, rotinado, será mais difícil, porque pode acontecer um castigo ou uma lesão. Agora, leva algum tempo a pôr os novos elementos a jogar da forma em que os outros já estão sincronizados.


Já está com os olhos postos na próxima temporada?Estamos a planeá-la quase desde o princípio da presente temporada. O Despertar nunca tinha tido futsal, a direção teve que se agilizar para perceber de que forma é que este mundo funciona. Criou-se algo importante que tem vindo a crescer e agora, desde que a direção abra os braços e nos dê aquilo de que precisamos, só pode crescer ainda mais, porque hoje estamos melhores do que estávamos ontem.


Ter no plantel Miguel Romão, o melhor guarda-redes do último Mundial de Futebol de Rua, é uma grande mais-valia?Sem dúvida, mas não só por ter sido o melhor guarda-redes do mundo em futebol de rua, que é um mérito e um título extremamente merecido. Trabalho com ele, três a quatro vezes por semana, no pavilhão, mas temos um relacionamento pessoal diário, somos bastante amigos, não só pela pessoa que é, mas pela carga emocional que transporta para dentro do campo. O que ele ganhou, nós nem olhamos para isso, não olhamos para ele como sendo o suprassumo, olhamo-lo como grande pessoa que é, como alguém que tem uma grande qualidade e que dedica muitas horas ao futsal. Não só a treinar com os seniores mas num trabalho bastante importante com juniores. É um elemento do núcleo duro deste projeto que me faz muita falta e ele sabe disso.


O Nuno já merecia um título como tributo pela dedicação a esta modalidade…Em cinco anos tenho três segundos lugares. Já começa a ser complicado sair daqui. Mas é porque falta qualquer coisa, não me vou desculpar, não tenho esse hábito. Todos os anos aprendo qualquer coisa e creio ser sempre melhor treinador. Mas, se calhar, é preciso percebermos o que era o Alcoforado antes deste grupo de trabalho e o que é agora o Alcoforado, hoje Despertar. Tirámos uma equipa do fundo da tabela para conseguirmos três segundos lugares. Isso não valoriza o meu trabalho? Acho que sim, e fico bastante grato com o que consegui. Outra das coisas que me satisfaz muito é o facto de os meus jogadores serem cobiçados pelas outras equipas e manterem-se comigo. Porquê? Porque acreditam no meu projeto e em mim enquanto pessoa, e isso para mim é, por si só, um grande título.

Fonte: http://da.ambaal.pt

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