O grande mestre internacional António Fernandes, detentor de 35 títulos nacionais individuais, dirigiu uma simultânea de xadrez no Centro Multifacetado de Novas Tecnologias de Vidigueira.
Texto e fotos Firmino Paixão
O município de Vidigueira abriu as comemorações da Revolução de Abril com um evento de xadrez, uma “simultânea” que opôs cerca de três dezenas de jogadores, de diferentes idades e competências técnicas, ao melhor xadrezista português de todos os tempos. O objetivo foi proporcionar uma experiência inesquecível aos praticantes locais e de concelhos limítrofes e estimular a reativação do Clube Xadrez de Vidigueira, modalidade com alguma tradição da vila e de que Otelo Nuno Galinha é o principal dinamizador.
A ação contou com a colaboração da Associação de Xadrez de Beja e com a participação do seu presidente, David Barbosa. António Fernandes, o grande mestre da modalidade em Portugal, mostrou-se honrado pelo convite do município local e disse ao “Diário do Alentejo”: “O xadrez, para mim, tem sempre um cariz especial, em virtude de estarmos a falar de uma modalidade bastante peculiar e que tem vantagens a todos os níveis, sobretudo no sentido da formação e do desenvolvimento do indivíduo e, digamos, não deixa de ser uma ferramenta auxiliar relativamente a uma criança que está na escola, em termos de vantagens a nível cognitivo”. E pormenorizou esses benefícios: “Seja a nível de cálculo, de lógica ou de outras competências, como seja a visão espacial, por isso mesmo, a Unesco, há uns anos, resolveu mesmo introduzir o xadrez nas escolas da União Europeia, exatamente por essas vantagens acrescidas, não só como referi ao nível das crianças, mas também dos adultos, isto porque, devido à sua complexidade, o xadrez acaba por influenciar a longevidade mental, digamos, uma saúde mais ágil e mais eficaz, e isso é maravilhoso”.
O dinamizador da “simultânea”, Otelo Galinha, revelou depois: “Há um par de anos que fazemos um mini torneio oficioso, fora das competições da federação, para incentivarmos os mais jovens que gostam de jogar e que não têm essa oportunidade, por faltar aqui em Vidigueira um núcleo dinamizador ou um clube para competir em provas distritais”. Outra das ideias que acentuou, é que “queremos desmistificar alguns mitos que existem em relação ao xadrez, que é um jogo de muita paciência, de muito estudo e de saber as coisas de cor. Não é nada disso. É um jogo de raciocínio e de lógica de planear e passar à frente, afinal, é como a vida, pensar antes de fazer e planear a longo prazo. Não dar nada por garantido, nem menosprezar o adversário, por isso, nada como trazer o grande mestre aqui, para jogar contra pessoas de todas as idades, ajudando a dinamizar o xadrez, uma modalidade rainha dos jogos”.
O organizador sublinhou que a iniciativa foi aberta a toda a gente: “Conseguimos uma boa divulgação e mesmo muitas pessoas que, por diversos motivos, não conseguiram estar presentes, ajudaram-nos muito a divulgar esta ‘simultânea’. Tornou-se viral, como hoje em dia se diz, através das redes sociais e vieram pessoas que jogam bem, outras que sabem apenas as regras e mexer as peças”. E sublinhou: “O objetivo é mesmo formar e aumentar o interesse. Estas pessoas vão poder dizer um dia que jogaram contra um grande mestre. Para nós também foi um motivo de orgulho e uma grande honra termos cá António Fernandes”. Quem venceu, é óbvio, mas os maiores ganhos foram, especialmente, para a modalidade, por mais uma etapa na sua divulgação e para a comunidade local, pela enriquecedora experiência partilhada com um xadrezista de eleição. Agora, faltará dinamizar um núcleo, lembrou Otelo Galinha: “Existe o Clube de Xadrez de Vidigueira. Tem estado inativo por falta de alguém que tenha disponibilidade, porque estas coisas das modalidades amadoras dependem sempre da carolice das pessoas, por isso, o objetivo é incutir esse interesse nas pessoas, sobretudo nos mais jovens, para que se forme um pequeno núcleo que reative o clube”, concluiu.
Fonte: http://da.ambaal.pt/
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