Thierry Correia, confiante na vitória frente à Holanda,
nas meias-finais do EURO 2016, prefere reservar uma resposta para o
terreno de jogo. Defesa lembra que na Seleção Nacional só contam os
objetivos coletivos.
Futebol Sub-17
Em relação aos objetivos no Euro 2016 de uma equipa que tem três vitórias e um empate, doze golos marcados e zero sofridos, e que já garantiu, com a companhia da Holanda, Alemanha e Espanha, um lugar nas quatro melhores seleções europeias, o jovem jogador do Sporting CP reserva uma resposta mais assertiva para o terreno de jogo: " Estamos aqui para vencer jogo a jogo. E sabemos onde queremos chegar mas preferimos falar em campo. O que é certo é que, até agora, temos trabalhado bem ofensivamente e temos tido eficácia que é uma coisa que muitas vezes falta ao futebol português. Se repararmos, só não marcámos frente à Bélgica. Criamos ocasiões e marcamos muitos golos", começa por explicar..
O defesa que já alinhou em dois encontros do Euro 2106 também explica a consistência defensiva da equipa comandada por Hélio Sousa: "A nossa coesão e a reação à perda da bola são essenciais para ainda não termos sofrido golos, mas também gostava de sublinhar uma outra coisa rara no nosso futebol - os nossos avançados são os primeiros defesas e como temos o controlo de jogo na maior parte do tempo isso retira automaticamente oportunidades aos nossos adversários. Nós passamos grande parte dos jogos no meio campo defensivo oposto", constata.
A importância do encontro frente à Holanda é encarada com frieza: "Já defrontámos esta equipa holandesa duas vezes, vencemos uma vez e empatámos outra no Torneio do Algarve. A verdade é que no último encontro, um empate, estivemos mais tempo por cima deles mas é, sem dúvida, uma equipa forte com extremos muito rápidos. Nós preferimos encarar o jogo a partir da nossa identidade. Não partimos com receio. Temos mentalidade de vencedores. Jogamos olhos nos olhos e procuramos sempre a perfeição", avisa.
Em relação à sua prestação no Euro 2016 relativiza a sua contribuição: "Acho que estive bem nos dois jogos. Procurei, até fisicamente, superar-me. Procuro justificar sempre a aposta que fazem em mim mas estar na Seleção Nacional, como eu vejo, implica sempre colocar os interesses coletivos acima do indidualismo. Temos a responsabilidade, os que jogam e os que não jogam, de contribuir para a coesão do grupo. Estamos aqui a representar a nossa geração e o nosso País. E acho que as pessoas têm razões para estar orgulhosos. Os nossos pais, que até vieram cá, os nossos colegas ou amigos têm-nos feito entender isso", resume.
Thierry Correia começou a jogar futebol no Damaiense, "por brincadeira" e rapidamente deu mostras de talento: "Era o mais novo da equipa. Para passar pela idade mínima, no primeiro jogo, tive de levar o cartão de um colega. Marquei um golo em dez minutos. No segundo, marquei três. Aos dez anos, fiz um torneio à experiência pelo Sporting CP. Passado uns dias, o meu tio foi à escola buscar-me e disse-me que eu ia treinar de novo com o clube. Correu tudo muito bem. No segundo torneio que fiz marquei dois golos de canto direto e fiquei. Estou lá há sete épocas", recorda.
O que mudou ao longo dos últimos sete anos não foi o clube onde joga mas o próprio Thierry: "Eu mudei muito. E não foi só de posição no terreno, porque joguei ao meio campo, a ponta de lança e em quase todos os lugares da equipa. O que mudou foi o jogador e a pessoa. No futebol passei para defesa e tornei-me quase tão bom a jogar com o pé esquerdo como com o direito. Como pessoa acho que me tornei mais homenzinho. Eu era muito chorão e fizeram-me ver que se continuasse assim nunca poderia estar preparado para o futebol a este nível. Acho que ainda sou um bocado mimado, o que até é contraditório porque no campo sempre fui muito agressivo", conta.
Também cresceu responsável: "Jogo futebol de alta competição há sete anos e, ao mesmo tempo, sou um estudante com mérito. Eu combinei com a minha mãe ser bom estudante e cumpri o acordo. Estou no 11º ano e quase não tenho tempo para assistir às aulas mas vale a pena. De qualquer maneira o futebol começou por brincadeira mas agora é mais do que um sonho. Eu sempre vivi muito o futebol. Quando era pequeno era um fã do Oliver Tsubassa (craque japonês dos desenhos animados). Desde aí que sinto que o futebol é o último reduto da alegria e felicidade", finaliza.
Fonte: FpF.PT
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