Corria o mês de julho de 2015, a próxima temporada desportiva estava no horizonte, mas ainda pouco projetada, nem pelo Mineiro, nem pelos outros concorrentes, e já o líder dos tricolores apresentava as credenciais.
Texto e fotos Firmino Paixão
Somos candidatos a ganhar tudo! Afirmou António Manuel Gonçalves numa tarde quente do último verão, no seu gabinete na sede do Mineiro Aljustrelense. E ganhou tudo o que havia para ganhar na última época desportiva. O campeonato distrital, a Taça Distrito de Beja, a Supertaça e o regresso ao Campeonato de Portugal da próxima temporada.
Uma afirmação feita na presunção de que o Mineiro seria a melhor equipa ou na convicção de que lidera um clube conquistador?
Quando entramos naquilo que são as competições distritais, sentimos a responsabilidade de ter de lutar para ganhar. As coisas no início não nos estavam a correr pelo melhor, apesar de estarmos convictos do sucesso final, davam-nos já como caídos, por não conseguirmos atingir os nossos objetivos, no entanto, nós estamos cá para trabalhar, estamos cá para alterar o que tiver de ser alterado e, no final, só podemos afirmar que o objetivo foi cumprido.
Falou em alterações, e a mais visível foi aquela correção na equipa técnica, trocando João Candeias por Vítor Rodrigues?
Na minha ótica, a questão não passava apenas pelo João Candeias, por muito que me identificassem o problema dessa maneira. O João sempre me disse que tinha falta de elementos para que a equipa correspondesse ao que nós queríamos dela. Isso foi um facto. Tivemos de procurar as peças chave para que a mudança pudesse ser feita e, com muito esforço, conseguimos fazê-lo tão atempadamente que nos permitiu sermos campeões antecipadamente, conquistar a Taça Distrito e depois a Supertaça, concluindo a nossa época com tudo aquilo a que nos tínhamos proposto no início da época, quando afirmámos que seriamos candidatos a vencer tudo. E não podemos estar mais felizes.
Outra das peças chave, que teve um contributo determinante no sucesso da equipa, foi o goleador Tino, tão só o melhor marcador da prova?
Foi muito determinante. No momento em que sentíamos que tínhamos falta de alguém que marcasse golos, o João Candeias deu-nos cinco ou seis nomes. Tínhamos que ir buscar jogadores que já estavam colocados, que estavam rodados, tinham de chegar aqui e jogar e o Tino foi a nossa última opção. Hoje estou arrependido de não ter sido a primeira, por todas as alegrias que nos trouxe, no entanto, foi um jogador que fez a diferença que nós pretendíamos, que era marcar muitos golos.
Tem sentido a comunidade aljustrelense identificada com o seu projeto?
Com certeza que sim. Cada vez que jogamos, foi assim no campeonato, na Taça e na Supertaça, sentimos que as pessoas estiveram sempre connosco. É óbvio que terão todo o direito de criticar, de dizer que as coisas não estão bem aqui, ou ali, haverá, por detrás, outras coisas que não nos permitem, por vezes, agir de forma tão rápida e isso as pessoas nem sempre compreendem porque não estão dentro da estrutura, agora eu, estava de consciência tranquila porque sabia que as coisas só poderiam ser feitas nas alturas certas e por vários motivos. É preciso sentir que é o momento, não sem ferir ninguém, as coisas são o que são.
O Vítor Rodrigues continuará a treinar o Aljustrelense?
Eu e o Vítor Rodrigues estamos a conversar para vermos qual é o caminho ideal para que as coisas se possam concretizar com a maior solidez para o futuro e, brevemente, estaremos a trabalhar na preparação da próxima época e nos desafios que encontraremos.
O Campeonato de Portugal tem outras exigências…
Vem aí uma etapa dura que nós já conhecemos. Temos de nos preparar bem para ela, porque há dois anos vivemos momentos de alguém que se iniciou naquele campeonato e afinal as coisas não nos correrem como nós queríamos. Tenho a sensação que estamos um bocadinho mais preparados para isso e, como tal, conseguiremos preparar uma boa equipa para fazer aquilo que nós desejamos, que será a manutenção do Mineiro no Campeonato de Portugal.
E o plantel? Com alguns reforços, seguramente.
Certamente. Vamos ter de reforçar o grupo de trabalho. É um campeonato mais exigente do ponto de vista desportiva e até financeiro. O regulamento que saiu este ano, na minha ótica, não favorece absolutamente ninguém, visto que, concluída a primeira fase do campeonato, as equipas ficarão apenas com 25 por cento dos pontos, e eu acredito que isto merece muita reflexão naquilo que será a preparação do futuro. Há aqui dois caminhos. Ou se prepararam as coisas logo no início ou se agarra o problema mais à frente. Vamos ponderar e havemos de chegar a um caminho, que será aquele que queremos trilhar para o futuro.
Fonte: http://da.ambaal.pt
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