“Na seleção não desistem de nenhuma jogadora. Se alguma atleta deixar de lá ir é porque desistiu dela própria, porque as equipas técnicas acreditam em todas nós e motivam-nos bastante”, revelou Isabel Peixeiro, guarda-redes da equipa feminina do Futebol Clube castrense acabada de chegar do sétimo estágio na seleção nacional.
Texto e foto Firmino Paixão
A equipa das quinas prepara o Campeonato da Europa sub/19 que se disputará em 2018. O programa de estágios tem sido intenso e, apesar dos seus 17 anos, Isabel Peixeiro tem sido uma aposta constante do selecionador José Paisana, que, no presente ano, já a convocou em três diferentes ocasiões.
Nascida em castro Verde, em cuja equipa de seniores femininos cumpre a sua terceira época consecutiva, depois de um percurso promissor nos escalões de formação, a atleta confessou que “ir à seleção nacional é sempre uma experiência muito positiva, aprende-se lá bastante”. Contudo, falta-lhe a tão desejada internacionalização, mas a atleta compreende que “é preciso calma, temos de ter alguma paciência, já lá ando há dois anos, até agora ainda não surgiu a oportunidade de me internacionalizar, mas estou confiante de que um dia isso acontecerá. Espero que seja neste ano, tenho apenas 17 anos e estou a trabalhar com a seleção sub/19, o Campeonato da Europa realiza-se apenas em 2018, está tudo em aberto, ainda posso ser chamada para lá estar”.
Confiança não falta à atleta, um sentimento que lhe tem sido transmitido pelo técnico nacional: “Sim, as pessoas lá na seleção são muito abertas, nós transmitimos-lhe os problemas que sentimos, questões que são comuns a quase todas as atletas, e eles falam muito abertamente connosco e dizem o que esperam de nós, por isso, o ambiente é muito bom. São momentos de muita exigência e rigor, fomos eleitas para lá estar, sabemos que aquilo não é para todas, portanto, se queremos aproveitar a nossa oportunidade só temos que trabalhar e corresponder ao que nos é exigido”, até porque Isabel sabe que tem de ser paciente: “Sempre trabalhei muito e é com esse espírito que vou continuar, aplico-me imenso e sou exigente comigo. Entendo que esse é o caminho para chegar a algum lado, embora, nestas questões, a sorte também seja preponderante. Mas um dia vai chegar a minha oportunidade”.
O potencial e as qualidades estão lá e a jogadora sabe disso: “Claro, o talento é fundamental, podemos não nascer com talento e trabalhar muito para atingir qualquer fim, mas com talento as coisas tornam-se mais fáceis e o exemplo disso são as jogadoras que já daqui saíram, como a Carolina, a Ana Batista, a Jéssica, a Capeta”. É por isso que as suas metas são ambiciosas: “Primeiro que tudo gostava de ser internacional, representar o meu país e sentir a sensação de ouvir ‘A portuguesa’, deve ser algo inesquecível, depois continuar a evoluir e tornar-me todos os dias melhor jogadora”.
Focada agora nos objetivos do clube no Campeonato Nacional de Promoção, Isabel Peixeiro não esquece que “o castrense foi o único clube da região que apostou nos seniores femininos, valorizou as suas jogadoras, se não fosse essa aposta que o clube fez, provavelmente, estas jogadoras nunca teriam oportunidade de chegar onde chegaram e nunca teriam evoluído”. Talvez por isso, entre outras jogadoras, a equipa tem duas guarda-redes selecionáveis: “É algo que ninguém esperaria, foi muito bom que as duas guarda-redes do castrense tenham sido chamadas às seleções. É sinal de que trabalhamos aqui muito bem”, sublinhou, acentuando o que mudou na sua vida social e desportiva com as idas à seleção: “Como jogadora tenho aprendido formas diferentes de ver os lances e analisar os momentos chave de cada jogada. Abrimos mais os horizontes do que aquilo que já tínhamos. Pessoalmente os ganhos são relativos, mas sublinho as vivências com pessoas que não conhecíamos, existe partilha de experiências e uma necessidade de adaptação rápida ao grupo, tornando-nos unidas e fortes enquanto equipa, porque estamos numa seleção”.
O futebol foi uma opção natural para quem é filha de um treinador e irmã mais nova de dois futebolistas, mas o lugar de guarda-redes: “É uma posição que dá mais pica. Somos a última jogadora a ser ultrapassada. Quando todos falham, os avançados, os médios e as defesas, somos nós a ultima barreira, todos somos importantes numa equipa, mas a guarda-redes é diferente”.
Lado a lado com a atividade desportiva, tem a vida académica, no 12.º ano do curso de Ciências e Tecnologias. E, quanto ao futuro, assume: “Estou ainda muito indecisa quanto a escolhas, já tenho algumas ideias, mas nada de concreto”. Mas irá longe. Essa é uma certeza que esta jovem de sorriso aberto e discurso pragmático pode ter.
Fonte: http://da.ambaal.pt
Sem comentários:
Enviar um comentário