Numa sintética observação à história, descreve a gesta que nos finais da reconquista cristã o litoral alentejano era um território pouco povoado e exageradamente desorganizado. Perante o exposto, o rei de Portugal, D. Afonso III, fez algumas doações à Ordem de Santiago que visaram a proteção do espaço tendo como intuito a guerra contra os mouros. O contexto histórico assinala que, em 1486, D. João II fundou um povoado chamado Milfontes, cujo propósito era proteger o desenvolvimento de transações comerciais por via marítima. Na sua cartilha destacava-se como objetivo capital desanexar o povoado do território de Sines e ali fundou um concelho, o qual prevaleceu entre 1486 e 1836. Vila Nova de Milfontes, como é conhecida, desenvolveu-se e é uma localidade piscatória rodeada de excelentes e bonitas praias. Diz também a história que a 7 de abril de 1924 Brito Paes, natural de Colos, concelho de Odemira, e Sarmento Beires pilotaram um avião que descolou do Campo dos Coitos, junto a Milfontes, e numa travessia aérea rumaram ao Oriente. Desportivamente expressam os anais da biografia que Joaquim António Parrinha, em 1944, lançou as sementes à terra com a finalidade de incutir na rapaziada o gosto pelo futebol. Parrinha, com 14 anos e uma bola de catechu comprada com cinco litros de feijão surripiado em fazendas agrícolas nas proximidades da povoação, debitava gosto pelo jogo e a juventude acompanhou o mestre. Com o movimento futebolístico a imperar, em 1961, deu à luz Os Milfontenses, um clube que participou no campeonato distrital da antiga FNAT. Seria, porém, a 15 de junho de 1977 que se fundou o Clube Desportivo Praia de Milfontes, uma coletividade que paulatinamente conquistou o seu espaço em provas da AF Beja. Presentemente, a exemplo de épocas recentes, no campo Foz do Mira reside uma equipa que, com três jornadas disputadas, segue no pelotão da frente do campeonato distrital da primeira divisão, assumindo, obviamente, um estatuto que se tornou viral. Quem conhece a realidade das últimas décadas, sabe que o Milfontes é um grémio que modestamente tem seguido pelo trilho de um trabalho que estabelece princípios conscientes e de obra feita. Possui uma magnífica sede e um campo de relva sintético. Num olhar sobre o grémio, creio que estamos na presença de um conjunto que encarrilou de vez pelo caminho do sucesso. Basta relembrar que no futebol de formação o Milfontes também mostra serviço.
Fonte: http://da.ambaal.pt
Sem comentários:
Enviar um comentário