Jovens atletas do Clube Desportivo de Beja e do Sporting Ferreirense participaram num convívio futebolístico inserido no programa de prevenção e combate ao bullying que está a decorrer na cidade de Beja.
Texto e foto Firmino Paixão
O exemplo do abraço entre Francisco e Bernardo, dois jovens futebolistas, deve replicar nas comunidades escolares e desportivas, potenciando a amizade, o respeito e a igualdade, espaços onde a violência verbal, física ou psicológica não pode existir. O bullying não foi convocado, nem para o banco de suplentes. O bullying aqui não joga!
O bullying traduz-se em comportamentos agressivos e de desigualdade de poder entre pares. Manifesta-se através de agressões verbais, físicas ou sociais. O Dia Mundial da Prevenção do Bullying celebrou-se a 2 de outubro, um mês ao longo do qual a Associação Sementes de Vida está a desenvolver um vasto programa de sensibilização e combate a este problema, que ocorre, preferencialmente, em espaços escolares ou desportivos, cenários onde as crianças e jovens permanecem mais tempo.
A Câmara de Beja, a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Beja e a Delta Cafés são os parceiros destas acções desenvolvidas pela Sementes de Vida, em que as palavras-chave são sensibilizar, prevenir e combater, como revelou Tânia Sousa, psicóloga desta associação de apoio à vítima: “Tentamos que através das actividades escolares que os professores desenvolvem junto dos alunos possa existir essa sensibilização e a adopção de estratégias de prevenção destes comportamentos que sabemos que ocorrem nas escolas”.
Eliminar esses comportamentos seria o objectivo final, algo difícil de atingir, assume a técnica: “É um objetivo complicado, mas com estas acções de sensibilização vamos, aos poucos, tentando que estes comportamentos sejam prevenidos. Os miúdos estão mais tempo em espaço escolar, focamos muito a escola por isso mesmo, porque é aí que o problema ocorre. Procuramos sensibilizar quer os professores, quer os alunos, para a identificação destes comportamentos e para a sua prevenção e eliminação”. Contudo, o silêncio a que muitas vezes a vítima se remete dificulta uma acção mais atempada e eficaz: “Há muitas crianças que não revelam quando estão a ser vítimas de bullying, portanto, a acção tem de partir de quem observa esses comportamentos, dando o alerta aos funcionários, aos professores ou aos pais, e porque, às vezes, é difícil à vítima fazê-lo, que sejam aqueles a denunciar ou a chamar a atenção para o problema”.
Os comportamentos típicos de uma vítima de bullying, como adiantou Tânia Sousa, revelam-se “quando a criança tende a isolar-se, não quer ir para a escola, não tem um grupo de amigos. São situações a que temos de estar atentos, para podermos intervir atempadamente”. Procurando uma identificação cada vez mais precoce deste problema, “tentamos este ano abranger também o 1.º ciclo de escolaridade e vamos ver se conseguimos trabalhar também com as escolas das freguesias rurais. Quando mais cedo chegarmos às crianças e aos professores mais optimizada será a prevenção. O que não quer dizer que não o façamos também no pré-escolar, onde existem situações que deviam ser trabalhadas. Mas, lá está, tem tudo a ver com o momento de identificação. A educadora/professora está no espaço, deve identificar as situações e adoptar estratégias de prevenção e combate ao bullying”.
Por outro lado, com o acesso às redes sociais tão facilitado, criou-se o problema do cyber bullying. A técnica comentou que “actualmente é fácil partilhar informação nas redes sociais, às vezes aceitamos pessoas que não conhecemos mas que fingem conhecer-nos e nem sempre é assim. Cuidado com o que se partilha. Acabamos por passar tanta informação que pode acabar por ser usada contra nós. Temos que ter muito cuidado e alertar as crianças para isso. É preciso cuidado com os acessos que têm e devemos educá-las de forma a não disponibilizarem tanta informação a quem não conhecem”.
O desporto, por outro lado, é um espaço propício à existência de bullying, mas também uma ferramenta de excelência para que ele se combata eficazmente, razões para que a Sementes de Vida tenha promovido a parceria com o Desportivo de Beja, para alertar as crianças para os problemas que existem. A Associação Sementes de Vida, como completou Tânia Sousa, “tem promovido estas atividades com mais intensidade durante o mês de outubro, mas a nossa intervenção é permanente, por isso, qualquer situação que as pessoas identifiquem, nós estaremos disponíveis para as trabalhar, na escola, em casa, onde quer que seja”.
Fonte: http://da.ambaal.pt/
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