sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Bola de trapos, edição no Diário do Alentejo de 12 de janeiro de 2018 Luso

José Saúde
Exprime o vocabulário do “condado portugalense” que a palavra Luso é a tradução de português/lusitano, sendo que nos primórdios desportivos existiram coletividades que adotaram no seu monograma o supracitado paradigma. Recorrendo à sapiência dos homens, varões que foram artífices na história do desporto, damos conta de que a razão da escolha, Luso, galgou território, capitalizou emoções, estimularam-se ideais e todo o processo convergiu para avalizadas convicções. Transito, com altivez, por atalhos onde devasso territórios que expelem o perspicaz amante do jogo para uma panóplia de agremiações que brilhantemente classificaram a distinta abonação. Divago pelo âmago de grémios que fizeram furor em Beja e esbarro no Luso Sporting Clube. A sua fundação teve lugar a 16 de junho de 1916 e é o emblema mais antigo da AF Beja. Em 8 de setembro de 1947, uma fusão entre o Luso, o União e o Pax Júlia deu origem ao Clube Desportivo de Beja que adotou como data de proveniência a do emblema mais antigo. A biografia do Luso é curiosa. Vejamos: a sua aparição surge na sequência de discórdias e rivalidades existentes de um grupo denominado por “Águia”. Comprovam os anais da história do futebol na velha Pax Júlia que a principal razão que levou à cisão foi uma perda de influência na vida desportiva e que originou a rutura dos jogadores com o elenco diretivo. As desavenças estremaram-se e as partes entraram em rota de colisão. A chefiar os “revoltosos” estiveram Albano Madeira Rocha e João António Valdez, jogadores que militavam na 3ª categoria do “Águia”. Nesta fase de turbulência os insubmissos fundaram o “Onze Foot-Ball Clube”, mas a sua existência foi efémera. A prioridade passou pela fundação de uma nova coletividade desportiva. Neste contexto, Álvaro Leal sugeriu que à novel agremiação fosse dado o nome de Luso Sporting Clube. A proposta foi aceite e Álvaro Leal considerado o “padrinho” do Luso. A primeira sede situou-se na rua Dr. Aresta Branco, seguiu-se um prédio na rua Portas de Moura, cedido por João Valdez, e numa fase de prosperidade a instalação no casino da “Bela Vista”, sito na rua do Sembrano nos anos de 1940. O primeiro onze do Luso num jogo que o reuniu um misto do Glória e do Águia, foi o seguinte: Barriga; Albano Rocha e Artur Modesto; António Modesto, Graça Sardinha e Mariano Martins; Francisco Castilho, João Ramos, João Valdez, Jaime Tavares e Evaristo Santos. O jogo foi arbitrado por José Moura e o misto triunfou por 3-0. Histórias hilariantes do cosmos futebolístico bejense do antigamente. Hoje, deparamo-nos com o Desportivo de Beja, antes o emblema supremo que levou longe o nome da região, a militar na segunda divisão distrital e no fundo da tabela. Uma cruz imoderadamente pesada. Fica o repto para um futuro que todos pretendem próspero.
Fonte: Facebook de Jose Saude.

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