José Saúde
Exprime o vocabulário do “condado portugalense”
que a palavra Luso é a tradução de português/lusitano, sendo que nos
primórdios desportivos existiram coletividades que adotaram no seu
monograma o supracitado paradigma. Recorrendo à sapiência dos homens,
varões que foram artífices na história do desporto, damos conta de que a
razão da escolha, Luso, galgou território, capitalizou emoções,
estimularam-se ideais e todo o processo convergiu para avalizadas
convicções. Transito, com altivez, por atalhos onde devasso territórios
que expelem o perspicaz amante do jogo para uma panóplia de agremiações
que brilhantemente classificaram a distinta abonação. Divago pelo âmago
de grémios que fizeram furor em Beja e esbarro no Luso Sporting Clube. A
sua fundação teve lugar a 16 de junho de 1916 e é o emblema mais antigo
da AF Beja. Em 8 de setembro de 1947, uma fusão entre o Luso, o União e
o Pax Júlia deu origem ao Clube Desportivo de Beja que adotou como data
de proveniência a do emblema mais antigo. A biografia do Luso é
curiosa. Vejamos: a sua aparição surge na sequência de discórdias e
rivalidades existentes de um grupo denominado por “Águia”. Comprovam os
anais da história do futebol na velha Pax Júlia que a principal razão
que levou à cisão foi uma perda de influência na vida desportiva e que
originou a rutura dos jogadores com o elenco diretivo. As desavenças
estremaram-se e as partes entraram em rota de colisão. A chefiar os
“revoltosos” estiveram Albano Madeira Rocha e João António Valdez,
jogadores que militavam na 3ª categoria do “Águia”. Nesta fase de
turbulência os insubmissos fundaram o “Onze Foot-Ball Clube”, mas a sua
existência foi efémera. A prioridade passou pela fundação de uma nova
coletividade desportiva. Neste contexto, Álvaro Leal sugeriu que à novel
agremiação fosse dado o nome de Luso Sporting Clube. A proposta foi
aceite e Álvaro Leal considerado o “padrinho” do Luso. A primeira sede
situou-se na rua Dr. Aresta Branco, seguiu-se um prédio na rua Portas de
Moura, cedido por João Valdez, e numa fase de prosperidade a instalação
no casino da “Bela Vista”, sito na rua do Sembrano nos anos de 1940. O
primeiro onze do Luso num jogo que o reuniu um misto do Glória e do
Águia, foi o seguinte: Barriga; Albano Rocha e Artur Modesto; António
Modesto, Graça Sardinha e Mariano Martins; Francisco Castilho, João
Ramos, João Valdez, Jaime Tavares e Evaristo Santos. O jogo foi
arbitrado por José Moura e o misto triunfou por 3-0. Histórias
hilariantes do cosmos futebolístico bejense do antigamente. Hoje,
deparamo-nos com o Desportivo de Beja, antes o emblema supremo que levou
longe o nome da região, a militar na segunda divisão distrital e no
fundo da tabela. Uma cruz imoderadamente pesada. Fica o repto para um
futuro que todos pretendem próspero.
Fonte: Facebook de Jose Saude.
Sem comentários:
Enviar um comentário