sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Bola de trapos, edição no Diário do Alentejo de 16 de fevereiro de 2018

José Saúde
Memórias
As concavidades que o jornalismo desportivo regional se confronta, conduz-nos para o universo de interrogações que esbarram numa perplexidade de interpelações. Ando neste cosmos já lá vão mais de 30 anos e subscrevo, neste periódico, a coluna ”Bola de trapos”, um epílogo para trazer à flor da ramagem nacos de histórias que debito por via de um interminável conhecimento entretanto adquirido. A matéria desportiva sempre me cativou. Sou fã de tudo o que seja passado e que incide no presente. O saudoso Melo Garrido deixou-nos um legado de extrema importância e é em concordância com esses apaziguados gostos que faturo circunstâncias que o meu baú de recordações preserva. Bebo, sofregamente, de um espólio que considero extraordinário e também da minha intensa investigação de elementos básicos para a elaboração de três livros, já editados, sobre o futebol no distrito de Beja desde os seus primórdios: “Glórias do Passado”, volumes I e II, e “Associação de Futebol de Beja 90 Anos de História e Relatos”. A façanha, presumo, ficará enumerada. Reconheço que existem pormenores que escapam, o que significa, na minha opinião, motivo para uma perspicaz inquietação. Ninguém é perfeito nem tão-pouco dono da razão. Recuperar perpétuas memórias não foi fácil. Percorri o distrito de lés-a-lés, bem como outros lugares distantes. Visitei cidades, vilas e aldeias. Recolhi infindáveis lembranças de gentes que, infelizmente, já não estão entre nós. Ficaram, porém, os seus indeclináveis testemunhos que religiosamente guardo. Andei por montes e vales onde ouvi biografias hilariantes contadas na primeira pessoa. Valeu a arrojada insistência e o desafiar caminhos, alguns abruptos, entre os milhares de quilómetros percorridos. Porquê? Eis uma observação que reiteradamente me é colocada. O culpado foi o meu inesquecível amigo Delmiro Palma quando um belo dia me propôs que avançasse para uma crónica semanal no jornal “O ÁS” que visava trazer a público entrevistas com antigos jogadores da bola. Tanto mais, dizia-me o Delmiro, com todo o seu saber, que era importante dar continuidade à herança deixada por Melo Garrido. Bolas, que responsabilidade! A tarefa proposta não se apresentava fácil. Era necessário tempo e disponibilidade. Reconheço que a luta titânica travada nas folgas, ficava sujeita a eventuais birras daqueles que porventura se achassem ressentidos. Não falas de mim, porquê? Pois é, não posso falar de todos. Cada um a seu tempo. E assim lá fui arroteando com interpostos ressabiados, sabendo, por outro lado, que o seu nome, pelo menos em imagens, figurava no manto das eternas memórias. O texto surge como consequência do rol de perguntas que, amiúde, me é direcionada. Ficam decifradas as exequíveis causas que me levam ao encontro de conteúdos desportivos que semanalmente aqui dilato para gáudio dos leitores. Até um dia!...
Fonte: Facebok de Jose saude.

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