José Saúde
Memórias
As concavidades que o jornalismo
desportivo regional se confronta, conduz-nos para o universo de
interrogações que esbarram numa perplexidade de interpelações. Ando
neste cosmos já lá vão mais de 30 anos e subscrevo, neste periódico, a
coluna ”Bola de trapos”, um epílogo para trazer à flor da ramagem nacos
de histórias que debito por via de um interminável conhecimento
entretanto adquirido. A matéria desportiva sempre me cativou. Sou fã de
tudo o que seja passado e que incide no presente. O saudoso Melo Garrido
deixou-nos um legado de extrema importância e é em concordância com
esses apaziguados gostos que faturo circunstâncias que o meu baú de
recordações preserva. Bebo, sofregamente, de um espólio que considero
extraordinário e também da minha intensa investigação de elementos
básicos para a elaboração de três livros, já editados, sobre o futebol
no distrito de Beja desde os seus primórdios: “Glórias do Passado”,
volumes I e II, e “Associação de Futebol de Beja 90 Anos de História e
Relatos”. A façanha, presumo, ficará enumerada. Reconheço que existem
pormenores que escapam, o que significa, na minha opinião, motivo para
uma perspicaz inquietação. Ninguém é perfeito nem tão-pouco dono da
razão. Recuperar perpétuas memórias não foi fácil. Percorri o distrito
de lés-a-lés, bem como outros lugares distantes. Visitei cidades, vilas e
aldeias. Recolhi infindáveis lembranças de gentes que, infelizmente, já
não estão entre nós. Ficaram, porém, os seus indeclináveis testemunhos
que religiosamente guardo. Andei por montes e vales onde ouvi biografias
hilariantes contadas na primeira pessoa. Valeu a arrojada insistência e
o desafiar caminhos, alguns abruptos, entre os milhares de quilómetros
percorridos. Porquê? Eis uma observação que reiteradamente me é
colocada. O culpado foi o meu inesquecível amigo Delmiro Palma quando um
belo dia me propôs que avançasse para uma crónica semanal no jornal “O
ÁS” que visava trazer a público entrevistas com antigos jogadores da
bola. Tanto mais, dizia-me o Delmiro, com todo o seu saber, que era
importante dar continuidade à herança deixada por Melo Garrido. Bolas,
que responsabilidade! A tarefa proposta não se apresentava fácil. Era
necessário tempo e disponibilidade. Reconheço que a luta titânica
travada nas folgas, ficava sujeita a eventuais birras daqueles que
porventura se achassem ressentidos. Não falas de mim, porquê? Pois é,
não posso falar de todos. Cada um a seu tempo. E assim lá fui arroteando
com interpostos ressabiados, sabendo, por outro lado, que o seu nome,
pelo menos em imagens, figurava no manto das eternas memórias. O texto
surge como consequência do rol de perguntas que, amiúde, me é
direcionada. Ficam decifradas as exequíveis causas que me levam ao
encontro de conteúdos desportivos que semanalmente aqui dilato para
gáudio dos leitores. Até um dia!...
Fonte: Facebok de Jose saude.
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