sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Bola de trapos, edição de 12 de outubro no Diário do Alentejo

José Saúde
Caramba
Nasceu na pátria do país das uvas. Os vinhedos, carinhosamente trabalhados por gentes que recolhiam ganhos monetários numa faina sazonal que se confinava a sustentar casas cheias de nada, eram exímias armas que levavam o povo para a cultura do famoso líquido dos deuses e de onde se extraíam as mais valias para uma plebe que suplicava trabalho. Centremos as nossas ponderações sobre Francisco José Galinha Caramba, um antigo jogador de futebol que nasceu em Vidigueira a 9 de setembro de 1939. Os primeiros chutos na bola foram dados por terras onde Vasco da Gama outrora deambulou. Cresceu ouvindo o fermentar do fluido das talhas e divertindo-se a dar chutos numa pelota saltitante que o enchia de prazer. Seguiu-se uma inserção no grémio da urbe que o viu nascer, o Clube de Futebol Vasco da Gama, agremiação orientada então pelo credenciado Gil, um craque que motivou vastíssimos elogios enquanto jogador no onze do afamado Luso. Caramba tinha 15 anos e o mister colocou-o na equipa principal. Depois veio a tropa e a subsequente mobilização para Angola. Por terras angolanas regista-se a sua passagem pelo Vila Clotilde, conjunto que disputava o campeonato da primeira divisão nacional. Missão cumprida e ei-lo de regresso ao Alentejo. Aconteceu que o Vila Clotilde, filial do Barreirense, indicou-o ao clube da margem sul Tejo, só que pelo meio da hipotética viagem surgiu um convite do Juventude de Évora, o qual levou o vidigueirense a assinar contrato com a agremiação do Pátio da Salema. Após a sua estadia ao serviço dos eborenses, o Desportivo de Beja apresentou-lhe uma proposta que recebeu nota positiva. Numa auto-observação sobre o ajuste da transferência recorda essa passagem de testemunho: “Vim para Beja a troco de um jogo que se realizou em Évora mas com as despesas por conta do Desportivo. Nessa altura não havia luvas para ninguém o jogo realizou-se sendo que os custos da minha transferência foi o dinheiro gasto em combustível”. No emblema da velha Pax Júlia militavam jogadores de craveira. Exercitando a sua brilhante mente, Caramba, 79 anos, menciona, com brilho nos olhos, essas fulgentes temporadas: “Representei o Desportivo durante oito épocas. Convivi com excelentes jogadores. O Palma, Pena, Zé Manel, Jesus, Tino, Dionísio, Suarez e tantos outros”. Seguiu-se o Despertar numa fase terminal de carreira. No seu pecúlio futebolístico existe uma história hilariante a qual faz questão em contar na primeira pessoa. “Quando jogava no Juventude fizemos um jogo em Almada, mas quando estávamos no período de aquecimento encontrava-me a rematar à baliza e acertei em cheio num polícia, mas o homem meteu na cabeça que tinha feito de propósito e deu-me ordem de prisão. Resultado: o jogo começou com 20 minutos de atraso e eu não fui preso”.
Fonte  Facebook de Jose saude.

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