José Saúde
Caramba
Nasceu na pátria do país das uvas.
Os vinhedos, carinhosamente trabalhados por gentes que recolhiam ganhos
monetários numa faina sazonal que se confinava a sustentar casas cheias
de nada, eram exímias armas que levavam o povo para a cultura do famoso
líquido dos deuses e de onde se extraíam as mais valias para uma plebe
que suplicava trabalho. Centremos as nossas ponderações sobre Francisco
José Galinha Caramba, um antigo jogador de futebol que nasceu em
Vidigueira a 9 de setembro de 1939. Os primeiros chutos na bola foram
dados por terras onde Vasco da Gama outrora deambulou. Cresceu ouvindo o
fermentar do fluido das talhas e divertindo-se a dar chutos numa pelota
saltitante que o enchia de prazer. Seguiu-se uma inserção no grémio da
urbe que o viu nascer, o Clube de Futebol Vasco da Gama, agremiação
orientada então pelo credenciado Gil, um craque que motivou vastíssimos
elogios enquanto jogador no onze do afamado Luso. Caramba tinha 15 anos e
o mister colocou-o na equipa principal. Depois veio a tropa e a
subsequente mobilização para Angola. Por terras angolanas regista-se a
sua passagem pelo Vila Clotilde, conjunto que disputava o campeonato da
primeira divisão nacional. Missão cumprida e ei-lo de regresso ao
Alentejo. Aconteceu que o Vila Clotilde, filial do Barreirense,
indicou-o ao clube da margem sul Tejo, só que pelo meio da hipotética
viagem surgiu um convite do Juventude de Évora, o qual levou o
vidigueirense a assinar contrato com a agremiação do Pátio da Salema.
Após a sua estadia ao serviço dos eborenses, o Desportivo de Beja
apresentou-lhe uma proposta que recebeu nota positiva. Numa
auto-observação sobre o ajuste da transferência recorda essa passagem de
testemunho: “Vim para Beja a troco de um jogo que se realizou em Évora
mas com as despesas por conta do Desportivo. Nessa altura não havia
luvas para ninguém o jogo realizou-se sendo que os custos da minha
transferência foi o dinheiro gasto em combustível”. No emblema da velha
Pax Júlia militavam jogadores de craveira. Exercitando a sua brilhante
mente, Caramba, 79 anos, menciona, com brilho nos olhos, essas fulgentes
temporadas: “Representei o Desportivo durante oito épocas. Convivi com
excelentes jogadores. O Palma, Pena, Zé Manel, Jesus, Tino, Dionísio,
Suarez e tantos outros”. Seguiu-se o Despertar numa fase terminal de
carreira. No seu pecúlio futebolístico existe uma história hilariante a
qual faz questão em contar na primeira pessoa. “Quando jogava no
Juventude fizemos um jogo em Almada, mas quando estávamos no período de
aquecimento encontrava-me a rematar à baliza e acertei em cheio num
polícia, mas o homem meteu na cabeça que tinha feito de propósito e
deu-me ordem de prisão. Resultado: o jogo começou com 20 minutos de
atraso e eu não fui preso”.
Fonte Facebook de Jose saude.
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