José Saúde
Coureles
Numa jornada por terras da Margem Esquerda do Guadiana, paramos em Aldeia Nova de São Bento e revemos um rapazote, década de 1940, que despertou atenção no povoado, tendo em conta o excelente fascínio com o qual tratava a bola. Nesses tempos a paixão pelo futebol proliferava em solo lusitano e a povoação aldenovense seduzia-se pelo fenómeno. A moçada juntava-se em grupos e partia com a trapeira debaixo dos braços rumo a outros bairros para disputar mais um dérbi. Chamamos à “Bola de trapos” de hoje José Lanita Romeiro, nascido a 28 de abril na então Aldeia e conhecido no mundo futebol como Coureles, alcunha que herdou de seu pai. Coureles fazia parte do grupo das “Altas” e cedo a miudagem lhe perspetivou um futuro risonho. Com a fundação do Atlético Clube Aldenovense, designação original, pela mão do capitão Alcino Pires, 20 de agosto de 1947, a jovem promessa iniciou-se em jogos particulares ao lado de Bento Abril, Zé Amaro, Zé Beirão, Carapezinho, Manel Bica, Rodolfo, Manel Beirão, Victorino, Domingos Barradas, Manel Romeiro, Piquinha, Eleutério e Torcato, de entre outros, e logo os seus atributos foram alvo de cobiça. Coureles, com 18 anos, ingressou no FC Serpa a troco de 500 escudos mensais e um emprego nas bombas de gasolina do presidente João Diogo Cano. Mencione-se que João Diogo Cano foi um homem que se entregou de alma e coração ao clube, levando o Serpa a campeão nacional da terceira divisão na época de 1956/1957. A final disputou-se em Coimbra e o adversário foi o Vila Real de Trás-os-Montes, sendo um dos golos apontado por Coureles e outro por Teixeira da Silva. Estava dada a sentença para a carreira de um craque que ostensivamente brilhou na cidade da Covilhã. “Na época de 1957/1958, eu o Picareta e o Garcia ingressámos no Sporting da Covilhã. A equipa tinha subido à primeira divisão nacional e por lá jogavam o Rita, o Cabrita, o Mantegueiro, o Couceiro, o Lourenço, o Hélder, o Lanzinha, o Amílcar, o Suarez, designadamente. O meu contrato foi de 1.200 escudos por mês e 15 contos de luvas. O Serpa recebeu pela minha carta creio que 50 ou 100 contos, não posso precisar, mas os meus 15 nunca os vi”. Coureles era um jogador possante e que trabalhava em prol da equipa, sendo que nas 14 temporadas que representou o Covilhã a maioria foi no escalão supremo do futebol nacional. No capítulo das recordações positivas, o antigo jogador menciona: “Fui campeão nacional pelo FC Serpa, terceira divisão, e pelo Sporting da Covilhã, segunda divisão”. Pela negativa destaca: “Na época de 1964/1965 levávamos seis pontos de avanço a quatro jornadas do final e tudo indicava que a subida à primeira divisão estaria garantida, só que eu contraí uma lesão grave, a equipa ressentiu-se e no último jogo em Braga que precisávamos de empatar, perdemos”. Com 81 risonhas primaveras, Coureles reside em Moscavide e lá vai vivendo de irrefutáveis memórias futebolísticas.
Fonte: Facebook de José saúde.
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