José Saúde
Até logo, Rui Madeira!
O lendário clã
Madeira está de luto: morreu o Rui Madeira irmão do Joaquim, Nói, João e
Vítor. A família deixa um legado futebolístico que se propagará
irreversivelmente no tempo. O pai, Joaquim Costa Madeira, jogou no União
de Beja, Sport Lisboa e Beja e no Glória ou Morte, sendo que as suas
aprimoradas géneses se propagaram pelos rebentos que trouxe ao mundo.
Rui da Graça Madeira contava 70 anos, faria 71 no próximo dia 11 de
junho, e partiu deste cosmos terrestre por via de uma fatídica doença
que o conduzi-o para a tal viagem sem regresso. O Rui fez parte de uma
geração fabulosa que originou fantásticos craques. Integrou, aliás, um
conjunto de jovens que nas décadas de 1950 e 1960, século passado,
fizeram do Terreirinho das Peças o seu esplêndido “estádio”. A carreira
oficial iniciou-a no Despertar Sporting Clube, agremiação que defendeu
com garra e onde sempre permaneceu. Na época de 1969/1970 conheci-o, no
início dos trabalhos de preparação para a nova temporada, como um fugaz
companheiro de balneário no Desportivo, só que essa passagem foi de
facto passageira. O regresso ao Despertar confirmar-se-ia e a sua
continuidade no emblema despertariano foi um dado certo. Como militar
prestou serviço na Marinha e o seu destino levou-o a uma mobilização
para a Guiné. Em solo guineense jogou no Sporting de Bissau, deixando aí
vincado a sua admirável classe. Após a desmobilização militar rumou a
Angola onde jogou no Benfica de Luanda. No ano de 1975 ei-lo em Sines
envergando a camisola do Vasco da Gama. O irmão Nói Madeira era o
treinador e persuadiu-o em rubricar contrato com a coletividade que
nesses tempos militou na segunda divisão nacional. Transitou depois pelo
União de Santiago do Cacém e Grandolense, designadamente. Nos dois
convívios feitos na velha Pax Júlia que reuniu um colossal grupo de
antigos jogadores de futebol de Beja, o primeiro em 2014 e o segundo em
2018, o Rui marcou sempre presença. Telefonava-lhe e ele respondia-me de
pronto com um singelo “sim”, confirmando de imediato a sua presença.
Dizia-me que “não tinha transporte”, mas de pronto lhe prometia que a
situação seria ultrapassada. Expunha a questão ao nosso amigo comum Nói
Alves e este, simpaticamente, respondia-me: “Zé, não te preocupes, o Rui
vai comigo”. E assim acontecia. Confesso que no último encontro reparei
que a sua fragilidade física era assustadora, porém acreditei que a
maldita doença lhe desse ainda algumas tréguas. Mas, assim não sucedeu.
Morreu no pretérito 2 de maio sendo que o corpo foi sepultado, dia 3, na
campa onde se encontram os restos mortais dos pais no cemitério de
Beja. Amigos e antigos companheiros do tempo da bola esperavam o seu
corpo e silenciosamente acompanharam-no até à sua última morada. Até
logo, Rui Madeira!
Fonte: Facebook de Jose saude.
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