José Saúde
Manel Maria
O sonho pelo futebol fora,
desde menino e moço, uma das suas decifráveis certezas que fez dele um
atleta de elite na circunstância de guarda redes. A sua voluntariedade,
bem como agilidade, vem dos tempos em que o campo era de terra batida e
duas pedras definiam a imaginária linha de golo. Cresceu com essa firme
aptidão e o lugar de guardião arrogou-se em parâmetros de facto
maravilhosos. Conheceu manhãs e tardes de glória, tendo merecidamente
envergado a camisola da seleção nacional como júnior. Manuel Maria da
Costa Vilhena nasceu em Ferreira do Alentejo a 1 de outubro de 1957. O
pai, guarda fiscal, foi transferido para Vila Verde de Ficalho e o
pequenito Manel, com dois anitos, lá acompanhou os seus progenitores
para aquela peculiar povoação raiana. Todavia, as transferências das
forças da ordem pública eram, naquele tempo, frequentes e aos 9 aportou
em Serpa onde se manteve até ao ano de 1980. Pelo sublime caminho no
cosmos futebolístico, Oca, amigo de infância, terá dito ao Zé Miguel,
então dirigente do FC Serpa, que conhecia um rapaz, doido pela baliza, e
que gostaria de jogar no Serpa. Resposta do diretor: “se é doido trá-lo
cá”. E o certo é que por lá ficou. Uma curiosidade que importa aqui
sublinhar: o seu trajeto foi de tal forma assertivo que aos 16 anos,
ainda com idade de juvenil, passou a titular da equipa sénior, não tendo
sequer alinhado pelo escalão júnior. A sua excelente classe entre os
postes galgou fronteiras, tendo sido convocado para a seleção nacional
de juniores, alcançando o estatuto de internacional a 12 de março de
1976 num jogo disputado em Évora, sendo o selecionador Jesualdo
Ferreira. Após a internacionalização vieram os sonhos, voos mais altos
se ergueram, só que na exata hora das decisões a jovem promessa
deparou-se com as austeras posições do pai que defendia convictamente
que o seu futuro passava pelos estudos. Para memória futura aqui ficam
registados os cinco convites que, nesses tempos, lhe chegaram: Elvas,
Lusitano de Évora, Juventude, Olhanense e Torriense, clube onde esteve
para ficar. Mas, uma intervenção cirúrgica a um dos ouvidos, trouxe-o de
volta à sua terra natal, Ferreira do Alentejo, onde representou o
Sporting Ferreirense. Seguiu-se uma viagem pelo Desportivo de Beja, FC
Serpa, emblema onde se sagrou campeão distrital, Alfundão, Sporting de
Cuba e Baleizão. Manel Maria foi ainda treinador de guarda redes no
Ferreirense e em Cuba, e técnico principal em Baleizão, iniciados em
Serpa, juvenis e juniores em Ferreira. Ao longo de 26 anos de uma
cumplicidade atroz no mundo da bola, Manel Maria somou seis títulos de
campeão, quatro na primeira divisão e duas no escalão secundário da AF
Beja. Um outro dado que importa reter passa pela certeza que por cinco
vezes ostentou o dote de guarda redes menos batido nas competições
regionais.
Fonte: Facebook de Jose saude
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