sexta-feira, 19 de julho de 2019

Bola de trapos, edição de 19 de julho de 2019 no Diário do Alentejo

José Saúde
Manel Maria
O sonho pelo futebol fora, desde menino e moço, uma das suas decifráveis certezas que fez dele um atleta de elite na circunstância de guarda redes. A sua voluntariedade, bem como agilidade, vem dos tempos em que o campo era de terra batida e duas pedras definiam a imaginária linha de golo. Cresceu com essa firme aptidão e o lugar de guardião arrogou-se em parâmetros de facto maravilhosos. Conheceu manhãs e tardes de glória, tendo merecidamente envergado a camisola da seleção nacional como júnior. Manuel Maria da Costa Vilhena nasceu em Ferreira do Alentejo a 1 de outubro de 1957. O pai, guarda fiscal, foi transferido para Vila Verde de Ficalho e o pequenito Manel, com dois anitos, lá acompanhou os seus progenitores para aquela peculiar povoação raiana. Todavia, as transferências das forças da ordem pública eram, naquele tempo, frequentes e aos 9 aportou em Serpa onde se manteve até ao ano de 1980. Pelo sublime caminho no cosmos futebolístico, Oca, amigo de infância, terá dito ao Zé Miguel, então dirigente do FC Serpa, que conhecia um rapaz, doido pela baliza, e que gostaria de jogar no Serpa. Resposta do diretor: “se é doido trá-lo cá”. E o certo é que por lá ficou. Uma curiosidade que importa aqui sublinhar: o seu trajeto foi de tal forma assertivo que aos 16 anos, ainda com idade de juvenil, passou a titular da equipa sénior, não tendo sequer alinhado pelo escalão júnior. A sua excelente classe entre os postes galgou fronteiras, tendo sido convocado para a seleção nacional de juniores, alcançando o estatuto de internacional a 12 de março de 1976 num jogo disputado em Évora, sendo o selecionador Jesualdo Ferreira. Após a internacionalização vieram os sonhos, voos mais altos se ergueram, só que na exata hora das decisões a jovem promessa deparou-se com as austeras posições do pai que defendia convictamente que o seu futuro passava pelos estudos. Para memória futura aqui ficam registados os cinco convites que, nesses tempos, lhe chegaram: Elvas, Lusitano de Évora, Juventude, Olhanense e Torriense, clube onde esteve para ficar. Mas, uma intervenção cirúrgica a um dos ouvidos, trouxe-o de volta à sua terra natal, Ferreira do Alentejo, onde representou o Sporting Ferreirense. Seguiu-se uma viagem pelo Desportivo de Beja, FC Serpa, emblema onde se sagrou campeão distrital, Alfundão, Sporting de Cuba e Baleizão. Manel Maria foi ainda treinador de guarda redes no Ferreirense e em Cuba, e técnico principal em Baleizão, iniciados em Serpa, juvenis e juniores em Ferreira. Ao longo de 26 anos de uma cumplicidade atroz no mundo da bola, Manel Maria somou seis títulos de campeão, quatro na primeira divisão e duas no escalão secundário da AF Beja. Um outro dado que importa reter passa pela certeza que por cinco vezes ostentou o dote de guarda redes menos batido nas competições regionais.
Fonte: Facebook de Jose saude

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