domingo, 5 de agosto de 2012

João Costa: «Senti... ui, já está, já fiz asneira»


atirador falhou final de pistola a 50 metros
Fotos: LUSA
 
 
O atirador João Costa falhou este domingo a final de pistola a 50 metros dos Jogos Olímpicos por uma décima no "desempate", mas foi no 59.º e penúltimo tiro da qualificação que levou um "pontapé na barriga".

"Senti um pontapé na barriga. Senti... ui, já está, já fiz asneira. Ainda faltava um tiro e não podia sentir mais nada, porque tinha de me dedicar ao último. No último, se tivesse feito um 10, iria à final. Portanto, não posso acusar o 6, é o conjunto da prova que conta", comentou.

O português chegou a estar em terceiro na qualificação, mas, na sexta e última série de 10 disparos, surgiu o "tiro fatal", um seis, que o atirou para 11.º, com 559 pontos, fora da zona de apuramento (oito primeiros).

"Estava a pensar na técnica que costumo usar, não estou a dizer que foi um erro de pensamento, foi um erro físico, digamos assim", explicou João Costa, ao ser interrogado sobre o que lhe passava pela cabeça no momento do disparo.

Até ao final da sessão de qualificação imperou o nervosismo entre a comitiva nacional que assistiu à prova nas bancadas. O Chefe de Missão, Mário Santos, e o adjunto Nuno Delgado ainda acreditaram que poderia haver uma surpresa, mas só nos derradeiros momentos ficou a saber-se que João Costa iria ao desempate, quando o próprio atirador informou os presentes na bancada: "Vai haver um 'shoot-off'".

Apuraram-se ainda o italiano Giuseppe Giordano, que terminaria o desempate com 49,6 pontos, João Costa, que atirou 49,5, o russo Vladimir Isakov (49,0), o japonês Tomoyuki Matsuda (49,0), e os turcos Ismail Keles e Yusuf Dikec, com 46,6 e 46,5, respetivamente.

O português nunca soube em que posição estava durante o "shoot-off", mas sabia que "seria complicado" conseguir a qualificação, tendo em conta que seis atletas competiam pelo oitavo e último lugar vago. Por uma décima se ganha, por uma décima se perde, e o sargento-ajudante da Força Aérea admitiu que já ganhou e perdeu provas pela diferença mínima e até já carimbou um passaporte olímpico.

"Ganhei uma ida aos Jogos Olímpicos de Sydney por uma décima. Fiquei em sétimo, a uma décima do oitavo, e esse lugar deu-me um bilhete para os Jogos de 2000", recordou, referindo-se aos Europeus de 1998, em Bordéus.

No cômputo geral, e após o sétimo lugar em Pistola de Ar Comprimido a 10 metros (com diploma), no primeiro dia dos Jogos de Londres, João Costa fez um balanço positivo da sua quarta experiência olímpica. "Acho que é uma excelente prestação tendo em conta as circunstâncias nacionais de treino, mas a idade e a experiência também ajudam. Aguentamos melhor, já estamos mais calejados com a pressão", referiu o mais velho dos atletas portugueses na capital inglesa, com 47 anos.

Em relação aos Jogos de 2016, no Rio de Janeiro, João Costa repetiu o que já havia dito: "Não sei, não faço ideia. Não vou desistir do tiro, continuar a fazer o que tenho feito: ir aos Nacionais, ficar apurado para as provas internacionais. Nas provas internacionais, que farão a qualificação para o Rio de Janeiro, vou tentar alguma coisa. É o procedimento normal, não quer dizer que vou, ou não vou. Tenho um percurso a seguir".

Sobre as declarações de Rosa Mota, que marcaram o dia de sábado, nas quais falou em resultados "fracos e modestos" entre os portugueses, João Costa preferiu não se alongar nos comentários. "Isso é a opinião dela. Não vou fazer declarações sobre esse assunto. É a opinião dela, não vou dizer a minha sobre esse assunto. Não é assunto para mim. A comitiva está cá para fazer o melhor e é isso que vai fazer", rematou.

O tiro português fecha assim a sua participação nos Jogos Londres'2012. Joana Castelão foi a representante no setor feminino, tendo feito um 15.ª em Pistola de Ar Comprimido a 10 metros e 33.ª em Pistola Livre a 25 metros.

Confira todos os resultados dos Jogos.
Fonte:  http://www.record.xl.pt/

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