A Associação Desportiva Rosairense disputou, em passado recente, duas finais da Taça Distrito de Beja. Venceu uma delas e ganhou maior visibilidade no quadro desportivo regional.
Texto e foto Firmino Paixão
Mas as dificuldades são muitas, desde logo a exiguidade do plantel e a falta de apoio em seu redor. O clube debate-se com uma crise diretiva. O treinador João Candeias sublinha a dedicação e o espírito de sacrifício dos seus atletas na concretização do objetivo principal da temporada, a manutenção neste escalão do futebol distrital, onde ocupa o sétimo posto da tabela.
O Rosairense está no meio da tabela, é aí que está a virtude?
Em face das condições em que iniciámos esta época, e que ainda se mantêm, o trabalho que os jogadores têm realizado tem sido excelente. Sublinho que este plantel nunca pôde contar com 18 jogadores e está no 7.º lugar com a manutenção garantida. É um trabalho positivo.
As dificuldades são inúmeras, mas o grupo preserva a motivação?
No início da época existiu uma crise diretiva no clube e algumas interrogações sobre a manutenção da equipa em competição. Não quero ferir suscetibilidades, mas penso que existe esta equipa do Rosairense porque estão aqui estes jogadores e este treinador. Este ano tem sido assim, um por todos e todos por um, temos tido pouquíssimo apoio, andamos quase sozinhos e fazemos um pouco de diretores. O sucesso deve-se à nossa própria ambição.
E os clubes vizinhos levam os jogadores de maior referência…
Temos que saber viver com isso. No início da época foi o William para o Mineiro, esteve connosco três semanas, mas como surgiu um projeto melhor foi embora. Recentemente o José Reis saiu para o castrense. O pior é que não entrou ninguém para os lugares deles e o plantel tem ficado cada vez mais curto. Temos lesões, castigos e jogadores a trabalhar por turnos, é uma gestão muito difícil.
Mesmo assim conseguiram ganhar no terreno do castrense e deixá-lo fora da corrida pelo título?
O nosso objetivo não passou nunca por afastar o castrense do título, obviamente, mas foi um jogo em que tive a vantagem de conhecer bem os jogadores adversários, joguei no castrense e consegui anular todas as suas qualidades. Mas o mérito é sempre dos jogadores, eu vejo-me mais na pele de um orientador. Embora seja o líder, eles participam e dão opiniões.
Metido entre o Almodôvar, com a equipa no nacional e o castrense que persegue um lugar nesse patamar, em que mercado se abastece o Rosairense?
Há pessoas que criticam o Rosairense por pegar numa carrinha e recrutar jogadores no Algarve. Mas já se tentou levar essa carrinha a outros lugares, nomeadamente a Beja, e os jogadores não querem vir jogar no Rosário, porque temos um campo pelado. Mas quero enaltecer o sacrifício destes jogadores, quatro vezes por semana a deslocarem-se de tão longe. Temos um jogador de Loulé, dois vêm de Faro e outros de Albufeira, e um jovem que vem de Olhão, é estudante, chega a casa à meia-noite e no outro dia vai para a escola, quando sai tem a nossa carrinha à espera. Temos que sublinhar este sacrífico, mas as pessoas não o reconhecem, nem lhes dão o apoio que eles merecem.
O Campo 1.º de Maio é um dos dois pelados existentes neste campeonato. Não é uma vantagem, como as pessoas muitas vezes dizem?
Um pelado não é vantagem para ninguém, mas este é o campo que temos. No início optámos por tentar jogar e trocar a bola. Olhando o nosso percurso, temos melhores resultados fora de casa, por isso tivemos que alterar um pouco o modelo de jogo. Temos um sistema para jogar em casa e outro para jogar no terreno do adversário, porque é aí que conseguimos realçar melhor a qualidade dos nossos jogadores. Em casa temos que ser mais lutadores, em detrimento da técnica que a maioria dos nossos jogadores possui.
E os adeptos revelam-se tão aguerridos quanto a equipa mostra ser?
Os nossos adeptos são aguerridos como a equipa, embora, este ano, não tenhamos sentido muito isso. Criou-se aqui uma mística em torno do sucesso do Rosairense na taça distrito e como, nesta época, saímos logo na primeira eliminatória, as pessoas afastaram-se. Mas há competição para além da taça, para eles seria o primeiro objetivo, para nós não, e as pessoas já não vêm tanto ao futebol.
O Mineiro Aljustrelense será um justo campeão?
Penso que sim. Foi a única equipa que apostou em jogadores de qualidade, mais ninguém o fez. Há equipas bem organizadas e com boas infraestruturas e disponibilidade financeira, se calhar superiores ao Mineiro, mas a mística e a mentalidade desportiva que envolve o Aljustrelense está a anos de luz dos que o rodeiam. Só por isso merece ser campeão.
Foi jogador do Mineiro e parece que ainda o tem no coração…
Toda a gente que me conhece sabe que o meu clube é o Mineiro Aljustrelense. A seguir o Vitória de Setúbal e depois o Sporting. Nunca escondi isso, apesar de ter representado outros clubes, por exemplo adorei jogar no castrense, mas o meu coração está em Aljustrel.
Fonte: http://da.ambaal.pt
Sem comentários:
Enviar um comentário