sexta-feira, 11 de julho de 2014

Memórias


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José Saúde

Longe vão os tempos onde o verão quente e azougado propunha à plebe desportiva convicções que atravessavam o fenómeno na generalidade. Desafiando velhas memórias, recordo que nesta quadra pitoresca o calor não dava tréguas. O povo, sereno, aventurava-se em trazer às mesas dos cafés temáticas que hilariantemente resvalavam para a época finda onde as alegrias se entrelaçavam com esporádicas tristezas. Dissecavam-se temas presentes e perspetivava-se o futuro. As modalidades determinavam um rol de conversas sempre infinitas. Debitavam-se temáticas sobre o futebol que se cruzavam com o andebol, com o atletismo, com o hóquei em patins e circunstâncias afins, com o ciclismo, entre outras modalidades em que a rapaziada era fã. Lembro as polémicas que derrapavam, amiúde, para um dilapidar de ideias e pelas suas múltiplas coincidências. Nesses tempos de canícula a rapaziada fixava-se diante da televisão, a preto e branco, e vivia momentos únicos no universo desportivo. Rebobinando a obsoleta cassete, revejo o campeonato do mundo de futebol realizado por terras de sua majestade, Inglaterra, em 1966, onde a seleção de Portugal espalhou o perfume do seu futebol e que levou os “magriços” a ocuparem o terceiro lugar no pódio. As minhas memórias conduzem-me a outras imagens desportivas e recordo que no dia 2 de julho de 1984, em Estocolmo, o bejense Fernando Mamede, ao serviço do Sporting, sagrou-se campeão mundial na distância de 10.000 metros, em atletismo, com a marca de 27 minutos e 13,81 segundos. Era o tempo das glórias lusitanas. Pelas bandas de Beja as conversas convergiam com a dinâmica que os clubes imprimiam nas suas hostes. Recordo, por outro lado, uma figura mítica e popular bejense, vulgarmente conhecido como o “Chico do Despertar”, um homem que defendia acerrimamente as cores do velho “rasga” e se debatia de peito aberto com eventuais adversários. Memórias, simplesmente!

Fonte: http://da.ambaal.pt

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