Moinhos ao vento! Uma vela de cultura, outra no desporto, mais uma vela para o lazer e outra ainda para o bem-estar da comunidade. E uma última que simbolize tudo aquilo que for a legítima vontade das pessoas.
Texto e foto Firmino Paixão
Todas elas em movimento uniforme, enérgico e capaz de rolar a pesada mó da solidariedade que esbaterá as assimetrias, potenciando o desenvolvimento e a inclusão. Assim os ventos soprem favoráveis à mudança, porque as vontades são abundantes e o merecimento das pessoas é inquestionável. Foi nessa linha de responsabilidade social e de cidadania que, há um ano, surgiu em Beja a Associação Bairro dos Moinhos, pensada por Vítor Costa, Henrique Claro e Luís Inácio, amigos, moradores nesse agregado populacional periférico da cidade de Beja. Unidos na determinação em dar a conhecer e desenvolver um bairro populoso, talvez mal-amado, mas carente de desenvolvimento. O desporto e a cultura são as ferramentas, a oficina é o seu recinto polidesportivo multidisciplinar e o projeto será desenhado pela comunidade. O empresário Vítor Costa, presidente da Associação Bairro dos Moinhos, tem a palavra.
A comunidade não tinha enquadramento associativo?Achámos que este bairro merecia um pouco mais do que tinha até então, nem que fossem apenas umas festas de vez em quando. Quisemos unir o pessoal, as pessoas do bairro estavam desunidas, ninguém falava com ninguém, ainda hoje se calhar há pessoas que não convivem mas, pouco a pouco, as coisas têm vindo a mudar.
O polidesportivo é um equipamento cuja utilização deve ser potenciada?Temos boas instalações para promoção de eventos culturais e desportivos, não só o futebol, mas para ténis, andebol, basquetebol, um recinto multidisciplinar onde podemos desenvolver jogos tradicionais e eventos musicais, tudo o que pudermos trazer para aqui, porque temos muito espaço e muitas pessoas para ajudar. É um equipamento importante para um bairro que tinha uma imagem que não correspondia à realidade, era muitas vezes associado a fatores negativos. Certamente existirão muitas pessoas em Beja que, nem por uma vez, puseram aqui os pés.
O desporto e a cultura cabem nos vossos projetos? Os nossos objetivos passam naturalmente por essas vertentes, entendemos que a promoção desportiva e cultural é fundamental para as metas que perseguimos.
Outras vertentes são as questões urbanísticas e o bem-estar das pessoas?Sim, essa não era uma essência que estivesse nos objetivos iniciais da associação, mas temos já cerca de 140 associados e as pessoas relatam-nos os problemas que sentem no dia a dia. Sou presidente da associação, mas também aqui moro e sei os problemas que existem. Acabo por ser o porta-voz dos moradores a todos os níveis, os espaços verdes, os arruamentos e cada vez que vou falar com as autarquias transmito as preocupações dos moradores, porque o bem-estar das pessoas também nos preocupa.
O evento “Noites dos Moinhos” dá maior visibilidade ao bairro e à associação …As pessoas sabem que são bem recebidas, nunca tivemos problemas de nenhuma espécie. Temos sempre um bom programa musical, com pessoas que têm uma relação mais ou menos próxima com o próprio bairro, é uma prioridade nossa. Mas nós envolvemos também neste convívio os moradores dos Moinhos de Santa Maria, embora nos pareça que existam ali pessoas que não sabem onde fica o bairro dos Moinhos. Muitas vezes pegam nas crianças e vão brincar para o Parque da Cidade, mas ignoram que existe um polidesportivo aqui tão perto onde os miúdos se podem divertir e praticar desporto.
Os principais apoios serão os institucionais, União de Freguesias e município?São os principais, a junta de freguesia ajuda-nos muito, o município também, e quanto a ajudas exteriores, será que nós precisamos mesmo? Acho que só com as pessoas aqui dos dois bairros governávamo-nos bem, estamos só a falar apenas de criar mais desenvolvimento para um bairro que, na minha opinião, está pouco desenvolvido.
Os sócios e amigos dão um importante contributo de voluntariado...Quando organizamos as “Noites dos Moinhos”, peço que colaborarem cerca de 15 dias. Primeiro a preparação do evento e depois a arrumação do equipamento e a limpeza do recinto. É uma tarefa nossa, quando nos cedem um recinto devemos deixá-lo exatamente como o encontrámos. E os amigos que anualmente se voluntariam para isso são formidáveis.
A instalação de uma sede é o grande sonho?É o principal objetivo. Tendo uma sede será mais fácil agilizar o nosso funcionamento, quer para guardarmos equipamento, que já adquirimos, quer para que os associados possam ir pagar as suas quotas, são opções próprias de uma associação e que nós ainda não possuímos. Não tenho muita pressa porque as coisas apressadas correm mal, mas acredito no trabalho das pessoas e na vontade da junta de freguesia e da câmara, entidades que eu acho que nos vão poder ajudar.
Fonte: http://da.ambaal.pt/
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