sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Passado e presente


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José Saúde

A insípida complexidade de conceitos individuais que se têm instalado  no mundo desportivo conduz o homem honesto a duvidar do pomposo palavreado de pseudointelectuais que resvalam, normalmente, para um beco sem saída. A minha idoneidade e formação ética desportiva em saber separar o trigo do joio conduz a convictas obsessões que me transportam a uma implícita análise de como o desporto é atualmente governado. Recuso carpir mágoas, tão-pouco abdicar das crenças clubísticas. Numa profícua observação de um conteúdo onde se conhecem irrefutáveis disparates, manda o bom senso que recuemos no tempo, escalpelizemos o dirigismo do passado e olhemos o presente. Somos de um tempo em que em Beja houve uma estirpe de dirigentes que honradamente colocavam os seus clubes no auge: Desportivo e Despertar. E se da rua do Sembrano ecoavam nomes como Palma Inácio, ainda entre nós, ou dos saudosos Raul Lampreia, Joaquim Galrito ou Januário Amaro Luís, nomeadamente, de outras bandas da cidade os despertarianos atiravam com nomes de diretores que muito contribuíram para enaltecer o seu emblema. Francisco Assunção, vulgo Chico da “Boneca”, Zeca Pereira, ou Januário Correia, designadamente, foram modelos explícitos de gerações que curtiam os seus saberes na qualidade de dirigentes que o clube abarcava. Era o tempo em que o futebol se jogava por amor à camisola. Tempo dos dérbis regionais. Das multidões de pessoas que marchavam da “meia laranja”, situada em plena Portas de Mértola, cruzavam as ruas da Branca, Açoutados e Biscainha, desembocando depois na avenida Vasco da Gama rumo ao estádio. Beja, nesses tempos, tinha mais encanto. Após o final do jogo, quer o protagonista fosse o Desportivo ou o Despertar, seguia-se um cortejo de gentes rumo ao lendário e bíblico Café Cortiço, onde o velho capitão Marcelino recebia a maralha. Porém, o futebol bejense foi paulatinamente perdendo as suas referências e hoje está manco. Perderam-se valores e tudo se dirige para um futuro incerto

Fonte:  http://da.ambaal.pt

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