Cabedais negros, símbolos míticos, silhuetas debruçadas sobre potentes motores, com escapes que rompem o silêncio da cidade. À noite sentiu-se o calor das fogueiras, a força da música e o estigma da amizade.
Texto e fotos Firmino Paixão
Cerca de três centenas de motociclistas rumaram a Beja no último fim de semana para participarem na 20.ª Concentração do Grupo Motard de Beja, um dos poucos eventos desta natureza que ocorre no inverno, pelas condições meteorológicas que, muitas vezes, são adversas, mas às quais a cidade alentejana responde com excelentes soluções para acolher os visitantes, por isso, José Gregório, presidente da coletividade bejense, afirmou: “Quem aqui vem nesta altura do ano é o pessoal que gosta mesmo de andar de moto, é o verdadeiro motard, mas nós temos aqui grandes condições para os receber, exatamente por isso, escolhemos esta data, durante o verão o calendário motard está muito preenchido”.
O lema desta concentração revela um pouco desse espírito – 20 Anos de paixão pelas motos – e Gregório lembrou: “Tudo começou por uma brincadeira de amigos que, em comum, tinham a paixão pelas motos e, de repente, já passaram 20 anos, duas décadas de existência do Grupo Motard de Beja que fundámos em 1994, e também a organização da 20.ª concentração na cidade de Beja. Foi um pouco de tudo isto que fundamentou o nosso lema de ‘20 Anos de Paixão pelas Motos’. Temos tido momentos bons, outros nem por isso, mas cá estamos, vale sempre a pena lutarmos pela existência daquilo em que acreditamos. A primeira vez que fizemos uma concentração tivemos 80 inscrições, há cinco anos recebemos 1 000 e, atualmente, fixámo- -nos nos 350 participantes”.
Apoiar e divulgar o motociclismo são os grandes desígnios do grupo revelou José Gregório, elegendo também: “A divulgação do símbolo da nossa cidade, para onde quer que vamos, esse é o nosso espírito e tem sido bem--sucedido, se repararmos, o nosso emblema tem a torre de Menagem do castelo de Beja e, onde quer que estejamos, representamos a nossa cidade”.
O Grupo Motard de Beja distingue-se, no entanto, pelas atividades sociais em que participa, apoiando instituições como o Banco Alimentar Contra a Fome, a Associação de Solidariedade do Bairro da Esperança e a Associação Sementes de Vida, entre outras, mas também “o passeio do Pai Natal que realizamos pelas freguesias distribuindo pequenas lembranças aos miúdos, porque eles também deliram com a motos”, acentuou o dirigente.
Porque a sua fundação ocorreu a 25 de abril, será impossível dissociar o Grupo Motard de Beja da expressão de liberdade, concordou José Gregório: “Andar de moto transmite-nos uma sensação inexplicável, uma sensação de liberdade que não se consegue partilhar, só quem anda é que a pode sentir. É um estilo de vida”.
Dando sinais de que a segurança é fundamental, José Gregório lembrou: “Há dois anos inaugurámos no parque da Cidade o Monumento à Memória das Vítimas e assinalamos essa data no terceiro fim de semana de novembro, relembrando aqueles que partiram do nosso convívio e os que sofrem com mazelas provocadas por acidentes na estrada”.
Com cerca de 40 associados, o Grupo Motard de Beja tem as suas instalações no sítio do Alcoforado e o seu dirigente salientou: “Às vezes fazemos um bocadinho de barulho, dentro da cidade, se calhar teríamos problemas com os vizinhos, assim estamos fora do perímetro urbano, numa antiga escola cedida União de Freguesias de Salvador e São João Batista. Estamos lá já há 16 anos, fizemos algumas remodelações com os fundos que angariamos, mas temos o sonho de tornar a sede mais acolhedora para quem nos visita. Falta ainda qualquer coisa, mas temos a certeza que vamos conseguir”.
No balanço da 20.ª concentração, José Gregório afirmou: “Correu muito bem e queremos agradecer a ajuda que sempre nos tem sido dada pelo comércio local e pelo município de Beja que nos dá um importante apoio logístico”.
Fonte: http://da.ambaal.pt
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