A empresária bejense Ana Paula Inácio, de 38 anos, licenciada em Gestão, é a atual presidente do Clube de Caçadores do Baixo Alentejo (CCBA), prometendo a sua revitalização em nome da unidade de todos atiradores.
Texto e foto Firmino Paixão
Foi uma mescla de saudade e paixão, sentimentos alicerçados nas raízes que desde a infância a ligam à modalidade, que encorajaram esta mulher bejense, empreendedora e dinâmica, a assumir a liderança de um clube que vinha perdendo espaço na memória coletiva das gentes do tiro e da caça. O seu pai, Francisco Vaz Inácio, foi um dos fundadores do clube e essa foi outra das razões que a impeliu e lhe deu garra para não deixar ruir um espaço onde cresceu.
“Estou no tiro e na caça desde pequena, cresci neste meio, por isso, talvez, a decisão de agarrar este desafio. Sou caçadora desde os meus 20 anos e atiro aos pratos de vez em quando, não tanto como desejaria porque a disponibilidade não é muita, mas sempre com vontade de participar mais”, apresentou-se Ana Paula Inácio, que cresceu e se fez mulher entre espingardas e artefactos de caça. Não admira, por isso, o seu assumido interesse pela modalidade: “Isto vem da minha vivência de infância e da influência do meu pai e do meu avô, que sempre foram caçadores, por isso, este bichinho nasceu naturalmente, é uma tradição de família, tenho um irmão que aos três anos já ia à caça com o meu pai, isto dá vício às crianças. Acho que os jovens não aderem mais porque, muitas vezes, não são puxados pelos pais. O maior prazer do caçador é o contacto com a natureza, a tranquilidade do campo, essa é a essência da caça, não é facto de matar espécies, como muitas vezes se define esta atividade”.
Apesar de tudo, estaria muito distante a ideia de um dia assumir a presidência do CCBA: “Pois estava, é verdade que cresci brincando no parque infantil do campo de tiro, mas o CCBA diz-me muito e todos os anos eu via o clube mais apagado e com menos dinâmica, a apagar-se no tempo e, por isso, não podia deixar que aquele clube um dia acabasse, além de que o meu pai foi um dos fundadores. Essas foram as razões que me cativaram para esta missão, honrando a qualidade de fundador do meu pai e na memória de grandes momentos que aqui passei na minha infância. Houve muito sentimento e muita paixão nesta decisão de me candidatar. Foi muito desafiante porque as pessoas esqueceram o clube. Agora temos que dinamizar as instalações e retomar a prática no tiro naquele espaço”.
Lidera o clube desde setembro último e sabe que está num meio predominantemente masculino mas refere: “Já estou habituada a que seja pouco vulgar uma mulher no mundo da caça, então, esta é mais uma invulgaridade, mas se virmos a situação por outra perspetiva acho que o mundo do tiro não é exclusivo dos homens, por essa Europa fora veem-se muitas mulheres no tiro”.
Na preparação da candidatura, diz Ana Paula, contactou as pessoas que cresceram consigo no clube, para fazerem parte desta equipa: “De alguns nem resposta tive, outros acederam e depois não aparecerem, mas outros houve que assumiram este desafio comigo. Estou-lhes grata pela confiança, porque ela é um ponto de partida para este grupo inédito de 16 pessoas que integram a direção”. Um elenco que conta com o apoio e o aconselhamento de muitos dos veteranos do clube.
Entre as suas principais propostas elege: “Unir as pessoas que têm uma mesma prática e partilham os mesmos valores e fazer regressar o convívio entre todos, sejam meramente caçadores, sejam aqueles que o complementam a caça com as outras variantes de tiro. Quem gosta da caça, gosta do campo, a caça não é menos ambientalista e são caçadores que promovem o controlo e a defesa das espécies”.
O Campo de Tiro do CCBA oferece condições para a prática de todas as variantes do tiro, no entanto, diz a dirigente: “Para que se torne mais atrativo as suas instalações terão de ser confortáveis e apetecíveis e esse foi o nosso primeiro passo. Estamos a lavar a cara ao clube, a beneficiar as suas instalações, também as questões de horário de acesso às instalações de quarta a domingo, num horário entre as 10 horas e o pôr-do-sol”. E assume: “O CCBA foi um clube de referência, a própria federação tem feito tudo para que este clube não feche e tem dado todo o apoio para que se mantenha, no sul do País só existe este campo federado e com alvará, esse foi um trabalho, que enalteço, de José Alberto, que liderou a anterior comissão administrativa, fez o que lhe foi possível, com tantas contrariedades que enfrentou sozinho”.
Antes de concluir, Ana Paula Inácio deixou um desafio para o regresso dos antigos associados, porque dos 860 inscritos só cerca de meia centena estava a pagar a sua quotização e os projetos que anuncia precisam de sustentabilidade financeira.
Fonte: http://da.ambaal.pt/
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