sexta-feira, 20 de maio de 2016

A César o que é de César


As finais decidem-se nos detalhes, uma frase feita do “futebolês” nacional que nunca teve tanta razão de existir como neste confronto entre o Aljustrelense e o Piense, que decidiu a Taça Distrito de Beja.

Texto e fotos Firmino Paixão


Uma primeira parte em que o Piense foi superior ao adversário, marcou um golo e esteve sempre mais próximo do segundo do que o Aljustrelense do empate, até que chegou o momento do jogo. E aqui “a César o que é de César”. O juiz da partida concedeu dois minutos de tempo extra, antes do intervalo, e deixou o jogo prolongar-se para além dos quatro minutos de compensação, altura em que os tricolores conseguiram o empate, num lance em que Tino surgiu em posição de questionável legalidade. Um detalhe, dir-se-á, mas um detalhe determinante para a segunda metade, que permitiu ao Mineiro equilibrar as operações, levando o jogo para prolongamento para, depois, puxar dos galões e marcar mais dois tentos que lhe permitiram erguer o troféu.
O próximo capítulo será a discussão da Supertaça, entre os mesmos protagonistas. No rescaldo desta “dobradinha mineira”, o treinador Vítor Rodrigues confessou que “ao intervalo disse aos meus jogadores que o Piense merecia estar a vencer porque nós não estávamos a ser aquilo que fomos durante a época toda”. E especificou: “Viemos aqui um bocadinho com o fato de gala e este não era o Mineiro a que nos habituámos, mas os jogadores perceberam essa ideia, arregaçaram as mangas e foram para uma segunda parte muito competente, sabendo que, mais tarde ou mais cedo, o golo iria aparecer”. Depois “a equipa do Piense caiu em termos físicos, não conseguiu aguentar o jogo todo e isso foi mérito da intensidade que impusemos no jogo. Acho que esta vitória é inteiramente justa para o Mineiro e, nessa medida, acho que nos ficam bem a taça e as medalhas ao peito”. O técnico prometeu ainda que “na Supertaça vamos tentar fazer algo que ainda não foi feito e que é um clube ganhar os três troféus na mesma temporada. Em Mértola, que é a minha terra, tentaremos mais uma vez ser merecedores da camisola que vestimos”.
O Piense “teve o passado na mão” e o treinador João Daniel não escondeu que “este era o troféu que nós queríamos mesmo ganhar”, mas concordou que “o momento do jogo foi o primeiro golo do Mineiro, à entrada para o intervalo muito depois da hora, quando penso que com um bocadinho de bom senso, o jogo devia ter acabado no tempo certo e não acabou. Mas não vale a pena queixarmo-nos do árbitro, isso não faz qualquer sentido, mas fará sentido perceber que o momento em que o Aljustrel empatou mudou a história do jogo, principalmente porque, animicamente, a equipa que estava num momento muito positivo acaba por chegar ao balneário um bocadinho mais receosa”.
E justificou: “A abordagem na segunda parte seria sempre diferente, o Mineiro teria que procurar o resultado e nós partíamos em vantagem, a coisa teria sido diferente, mas não foi e, no início do prolongamento, sofremos o segundo golo e a equipa caiu, física e animicamente”. No jogo da Supertaça? “Espero que tenhamos a mesma coragem e determinação que tivemos aqui e, com um bocadinho mais de felicidade, coisa que hoje nos faltou, talvez consigamos bater este grande adversário que teremos de novo pela frente”.


Aljustrelense 3-1 Piense

Complexo Desportivo Fernando Mamede, em Beja
Árbitro: César Leitão, auxiliado por António Guerreiro, Pedro Jonas e Pedro Crujo (4.º árbitro).
Aljustrelense: Fábio Reis; Rui Pirralho, Paulo Serrão, Marcos e Paulo Maurício; João Nabor (Nuno Carracha, 96’), Carlos Estebaínha (cap) e Nelson Raposo, Faby (Pázinho, 45’), Tino e Bruno Conduto (João Pepe, 65’.
Treinador: Vítor Rodrigues.


Piense: Rui Rosindo; Neves, Bruno Amaro, Paulo Pardal e Nuno (Valter, 80’); Domingos, Fábio Xavier e Malagueta (cap); André Ribeiro (Rui Moita, 105’), Jorge Raposo e Bruno Alcântara.
Treinador: João Daniel.


Ao intervalo: 1-1
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: 0-1 Bruno Alcântara (26’), 1-1 Tino (45+4’), 2-1 João Nabor (94’) 3-1 (João Pepe, 120’).
Disciplina: Amarelos a Jorge Raposo (17’), Rui Pirralho (30’), Paulo Pardal (75’), Bruno Amaro (89’), João Nabor (94’) e Válter (105’).
Fonte: http://da.ambaal.pt

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