sábado, 15 de setembro de 2018

Bola de trapos, Diário do Alentejo edição de 14 de agosto de 2018

José Saúde
Zé Coelho
Viajando pelas inflexíveis ondas do tempo onde um turbilhão de afinidades que nos prende ao mundo futebolístico consome inesgotáveis agrados, divago sobre um antigo jogador de nome Zé Coelho que se revelou como um avançado temível. José Marques de Castro Coelho nasceu a 4 de fevereiro de 1949 na Mina de São Domingos e viveu os saudosos tempos em que a equipa local protagonizou estrondosos êxitos. “Comecei a jogar com uma bola de trapos. Nesse tempo o São Domingos tinha excelentes jogadores. Os meus ídolos eram o Carlos Aleixo, o Valentim Quarenta, guarda-redes, um lugar que muito gostava jogar, o Zarcos e o Lopes”. Com 11 anos foi enviado para o Colégio Militar, em Lisboa, abandonando o lugar de guardião e passou a atuar como avançado. Lembra, com decência, uma curiosidade constatada nessas eras aldeãs e que hoje parece impensável a uma juventude que tem o mundo da bola aos seus pés. “Nesses tempos as balizas eram duas pedras e os campos em terra batida”. O estabelecimento de ensino que frequentava na capital trouxeram-lhe outras nuances. “Nos campeonatos da antiga Mocidade Portuguesa fui duas vezes o melhor marcador em futebol salão o mesmo sucedendo no futebol onze”. Em 1966 Zé Coelho abandonou os estudos e tentou a sorte no futebol. Esteve à experiência no Sporting e no Benfica mas acabou por não ficar. Ficam, porém, pequenos depoimentos sobre as tentativas do craque nos emblemáticos grémios lisboetas. “No Sporting estive três meses. Tinha a idade de júnior. Fiz alguns treinos com a equipa principal onde jogavam o Zé Carlos, o Alexandre Batista, o Carvalho, o Hilário, o Morais, o Lourenço, o Figueiredo, e outros. No Benfica treinei com a equipa de juniores onde estavam o Humberto Coelho, o Camolas, o Diamantino, o Montóia e o Tuna, designadamente”. Após o serviço militar obrigatório, com uma comissão em Angola onde esteve ao serviço do Benfica de Luanda, ei-lo a fazer o derradeiro espólio na Força Aérea e partir deliberadamente ao encontro de uma modalidade onde o Zé Baiôa foi o seu divino mestre. “O Zé Baiôa conhecia-me da Mina e não teve receio apostar em mim e um dia levou-me para o Moura, onde estive cinco épocas”. Divergências com os amarelos levaram-no até Serpa. “Em Serpa estive outras cinco épocas. Fui jogador/treinador e a equipa campeã distrital. Na temporada de 1980/1981 estive no Despertar, também como jogador/treinador”. No ano seguinte o seu coração falou mais alto e regressou ao clube do seu coração. “Regressei ao Atlético numa fase de dificuldades financeiras e integrei a equipa técnica com o Bento Calha e o Francisco Cravo”. O seu enorme historial como treinador conta com passagens pelo Desportivo de Beja, Amarelejense, Safara, Piense, Barrancos e, logicamente, pelos escalões jovens do MAC
Fonte: Facebook de Jose Saude

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