José Saúde
Zé Coelho
Viajando pelas inflexíveis ondas
do tempo onde um turbilhão de afinidades que nos prende ao mundo
futebolístico consome inesgotáveis agrados, divago sobre um antigo
jogador de nome Zé Coelho que se revelou como um avançado temível. José
Marques de Castro Coelho nasceu a 4 de fevereiro de 1949 na Mina de São
Domingos e viveu os saudosos tempos em que a equipa local protagonizou
estrondosos êxitos. “Comecei a jogar com uma bola de trapos. Nesse tempo
o São Domingos tinha excelentes jogadores. Os meus ídolos eram o Carlos
Aleixo, o Valentim Quarenta, guarda-redes, um lugar que muito gostava
jogar, o Zarcos e o Lopes”. Com 11 anos foi enviado para o Colégio
Militar, em Lisboa, abandonando o lugar de guardião e passou a atuar
como avançado. Lembra, com decência, uma curiosidade constatada nessas
eras aldeãs e que hoje parece impensável a uma juventude que tem o mundo
da bola aos seus pés. “Nesses tempos as balizas eram duas pedras e os
campos em terra batida”. O estabelecimento de ensino que frequentava na
capital trouxeram-lhe outras nuances. “Nos campeonatos da antiga
Mocidade Portuguesa fui duas vezes o melhor marcador em futebol salão o
mesmo sucedendo no futebol onze”. Em 1966 Zé Coelho abandonou os estudos
e tentou a sorte no futebol. Esteve à experiência no Sporting e no
Benfica mas acabou por não ficar. Ficam, porém, pequenos depoimentos
sobre as tentativas do craque nos emblemáticos grémios lisboetas. “No
Sporting estive três meses. Tinha a idade de júnior. Fiz alguns treinos
com a equipa principal onde jogavam o Zé Carlos, o Alexandre Batista, o
Carvalho, o Hilário, o Morais, o Lourenço, o Figueiredo, e outros. No
Benfica treinei com a equipa de juniores onde estavam o Humberto Coelho,
o Camolas, o Diamantino, o Montóia e o Tuna, designadamente”. Após o
serviço militar obrigatório, com uma comissão em Angola onde esteve ao
serviço do Benfica de Luanda, ei-lo a fazer o derradeiro espólio na
Força Aérea e partir deliberadamente ao encontro de uma modalidade onde o
Zé Baiôa foi o seu divino mestre. “O Zé Baiôa conhecia-me da Mina e não
teve receio apostar em mim e um dia levou-me para o Moura, onde estive
cinco épocas”. Divergências com os amarelos levaram-no até Serpa. “Em
Serpa estive outras cinco épocas. Fui jogador/treinador e a equipa
campeã distrital. Na temporada de 1980/1981 estive no Despertar, também
como jogador/treinador”. No ano seguinte o seu coração falou mais alto e
regressou ao clube do seu coração. “Regressei ao Atlético numa fase de
dificuldades financeiras e integrei a equipa técnica com o Bento Calha e
o Francisco Cravo”. O seu enorme historial como treinador conta com
passagens pelo Desportivo de Beja, Amarelejense, Safara, Piense,
Barrancos e, logicamente, pelos escalões jovens do MAC
Fonte: Facebook de Jose Saude
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