Numa sucinta narrativa sobre a história desportiva na velha Pax Julia leva-me a complexidade da informação a enveredar por caminhos que refletem prudência. Todos temos opiniões e todas elas são bem vindas. Reconheço que agradar a gregos e a troianos é complexo. Ouso, porém, trazer livremente à opinião pública retratos de pessoas que muito contribuíram para o progresso do futebol nestas paragens sul alentejanas. Sei que o catálogo de personalidades é vastíssimo. Mas, a minha ânsia de um profícuo saber quem somos e de onde viemos, conduz-me a enveredar por veredas apertadas e desbravar inolvidáveis etapas construídas por criaturas cuja entrega à causa se reflete na realidade presente. Raul Guerreiro Lampreia, conhecido na cidade de Beja pela alcunha de “Bife”, foi um dos homens enormes na construção do processo futebolístico. Iniciou a sua carreira como dirigente, a 9 de novembro de 1935, no “Conselho de Gerência” do Luso onde se assumiu, depois, como presidente da direção. A sua obra, considerada valiosa, levou-o ao trono da presidência da AF Beja (1938/1939-1941/1943), sendo também representante deste organismo na Federação Portuguesa de Futebol. A sua imutável crença de indivíduo cauto na matéria, conduziu-o a diretor do Clube Desportivo de Beja após a concludente fusão (8 de setembro de 1947) entre o Luso, o União e o Pax Julia. Homem íntegro, correto, envergando sempre vestes requintadas e considerado como pessoa de bem, ei-lo como vereador da Câmara de Beja, assumindo-se então como um dos principais impulsionadores pela construção do estádio municipal. Um estádio que ao longo dos anos fez furor a sul de Portugal dado a sua magnitude bélica, bem como o excelente pelado apresentado, o qual se associava à explícita amplitude de um espaço que usufruiria, mais tarde, de ótimas infraestruturas para a época. Recordar Raul Lampreia é trazer à estampa um cidadão cordial que, não obstante a sua cortês classe, sempre a plebe teve conhecimento de que a sua residência oficial foi um quarto na Pensão Rocha no largo D. Nuno Álvares Pereira, em Beja.
Fonte: http://da.ambaal.pt
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