TEXTO: Carlos Pinto
Francisco Fernandes
somou mais um título distrital para o seu já longo currículo! Um dia
depois do fim do "Distritalão" o técnico do FC Castrense esteve à
conversa com o "CA", passando em revista a época 2011-2012!
"FC Castrense foi um justo campeão"
|
Depois
de Odemirense, Ferreirense, Moura AC e Mineiro Aljustrelense, é
novamente campeão distrital, agora ao serviço do FC Castrense. Este
título tem um "sabor" diferente? Tem o mesmo sabor dos outros
[risos]! Os títulos são sempre bem vindos e toda a gente gosta de
ganhar. O que é certo é que em relação à minha pessoa, só tenho de me
sentir orgulhoso pelo que tenho feito nestes anos todos. São 38 anos de
ligação a este desporto que tanto adoro, por quem nutro uma paixão
enorme e que tem sido praticamente a minha vida.
O FC Castrense foi um justo campeão em 2011-2012? Sim, sem dúvida alguma. Toda a gente reconhece que desde o primeiro momento até ontem [domingo, 6], quando terminou o campeonato, fomos de longe a melhor equipa e superiores em tudo. E a prova disso é que chegámos ao final do campeonato em primeiro lugar, sendo a equipa com mais golos marcados e menos sofridos, que teve o melhor marcador do campeonato [Rui Pepe] e que melhor futebol praticou. Não há nada a opor a este título! Somos uns justos campeões e foi inteiramente merecido. Os meus jogadores estão de parabéns, pois isto é fruto do trabalho deles. E como costumo dizer, os meus maiores títulos são ver os meu jogadores e toda a gente felizes.
Lideraram o campeonato da primeira à última jornada. Foi uma época mais fácil do que o esperado? Não, foi difícil! Fui das poucas pessoas que disse que iríamos ter um adversário difícil, que era o Milfontes, e de facto, as coisas não foram fáceis! Foi um campeonato muito difícil, que não teve nada a ver com o anterior. E a única coisa que lamento, por ser um defensor do Alentejo, foi ver as equipas que queriam dar uma resposta um bocadinho mais positiva apetrecharem-se com jogadores de fora da nossa região. Não gostei, mas respeito. E isto também serve para chamar um pouco a atenção das pessoas sobre o que querem em termos de futuro e sobre como temos de trabalhar a formação.
Qual foi a maior dificuldade sentida ao longo da época? Foram as dificuldades inerentes ao campeonato, até porque não tivemos nunca uma grande pressão! Estivemos sempre cientes das nossas dificuldades, encarando cada jogo como uma final e querendo ganhar todos os jogos.
Acabaram por não conseguir ser campeões sem derrotas. Fica esse "amargo de boca"? Sim, sim, sim! Era uma coisa que procurávamos, tentei incentivar os jogadores nesse sentido, mas todas as equipas têm sempre um momento menos bom. Acho que esse nosso momento menos bom foi no jogo em Odemira, onde acabámos derrotados. Foi o jogo menos conseguido da nossa parte!
Considera que o campeonato deste ano foi disputado. Mas teve a qualidade que deve ser exigida ao "Distritalão"? Para mim teve mais qualidade que o campeonato anterior. As equipas estavam mais fortes e havia um maior número de equipas com mais qualidade, fruto também da vinda de jogadores de outras regiões. E uma das coisas que disse aos meus jogadores foi que se chegássemos ao final do campeonato como campeões era uma vitória do Alentejo e dos jogadores alentejanos!
O título está garantido e agora é tempo de preparar o futuro. Em 2012-2013 vai continuar no FC Castrense? Já começámos a falar nalgumas coisas, há interesse do clube e meu também. É um clube que eu gosto de treinar e vamos ver. Se tudo correr dentro da normalidade, penso que vou continuar. Mas o campeonato [nacional da 3ª divisão] para o ano vai sofrer alterações e há que pensar bem as coisas. Vai ser [um campeonato] um pouco atípico, difícil, sem ninguém perceber o que vai dar… Fala-se em tanta coisa, diz-se tanta coisa, mas acho que é mau terminarem com a 3ª divisão nacional.
Porquê? Porque vão acabar muitas equipas. E ao acabar muitas equipas, logicamente que também acabam muitos praticantes. E é pena!
Não vê, portanto, benefícios para o futebol nacional nestas alterações aos campeonatos da 2ª e 3ª divisão? Não! E para regiões como a nossa não vai ser fácil. É verdade que vai ser mais fácil chegar à 2ª divisão nacional, mas vai haver de certeza absoluta uma diferença enorme entre uma equipa que disputa o campeonato distrital ser campeã e no outro ano estar a disputar um campeonato nacional da 2ª divisão. Não faz muito sentido! Só vejo esta alteração como forma de minimizar custos para a Federação [Portuguesa de Futebol].
Se ficar em Castro Verde, vai mexer muito no actual plantel do FC Castrense? Logicamente que tem de haver alterações! Mas ainda estamos numa fase inicial.
A "espinha dorsal" da equipa é para manter? Sim, se ficar gostaria de manter a maioria dos jogadores. Mas repito: nada está decidido, até porque ainda temos uma prova [Supertaça] para disputar e temos tempo. Não é preciso decidir já e fazer as coisas a correr. Somos pessoas responsáveis e temos de ver os prós e os contras, aquilo em que podemos melhorar, o que se pode ou não fazer.
Nomes como Mikó (do Vasco da Gama de Sines), José Luís Brito (Milfontes), Estebaínha ou Nuno Alves (ambos do Mineiro Aljustrelense) surgem como "alvos" do FC Castrense para a próxima época. Confirma? Os bons jogadores interessam todos. Tratam-se de jogadores com quem gosto de trabalhar, que também gostam de trabalhar comigo e que têm ganho muita coisa comigo. Mas nada mais que isso! Ainda nem sequer se pôs sobre a mesa nomes de jogadores que possam interessar.
"Os meus jogadores estão de parabéns, pois isto é fruto do trabalho deles. E como costumo dizer, os meus maiores títulos são ver os meu jogadores e toda a gente felizes."
"Uma das coisas que disse aos meus jogadores foi que se chegássemos ao final do campeonato como campeões era uma vitória do Alentejo e dos jogadores alentejanos!"
"Não faz muito sentido acabar com a 3ª divisão nacional! Só vejo esta alteração como forma de minimizar custos para a Federação [Portuguesa de Futebol]."
Entrega das faixas de campeão no sábado
A equipa do FC Castrense vai receber este sábado, 12, as faixas e a taça de campeão distrital de 2011-2012. Para assinalar o momento, a formação de Castro Verde joga a partir das 16h00 no Municipal 25 de Abril contra uma selecção distrital orientada por Carlos Simão e Fernando Piçarra.
"deixem os miúdos jogar mais à bola"
Homem do futebol, Francisco Fernandes tem uma visão bastante crítica sobre uma tendência cada vez mais dominante no "desporto-rei" e no âmbito da qual a prática é suplantada pela teoria. "O futebol há-de ser sempre um jogo mais de prática do que de teoria", afirma o técnico do FC Castrense, que deixa um pedido a quem trabalha nos escalões de formação: "Deixem jogar os miúdos, tirem-nos dos balneários, das lições teóricas e tácticas, e ponham-nos a jogar mais. Ensinem os miúdos a jogar futebol, porque aquilo não é matemática, geografia ou filosofia". Para Francisco Fernandes, depois de "um dia inteiro fechado numa sala de aulas" o que uma criança quer "é chegar ao campo e jogar". Daí reiterar que "o futebol será sempre um jogo de prática" – "E quanto mais vezes os miúdos tocarem na bola, melhores jogadores serão", conclui.
"acabem com os pelados no distrital"
Francisco Fernandes não tem dúvidas: a qualidade do campeonato da 1ª divisão distrital aumentará bastante a partir do momento em que todos os jogos se realizem em campos relvados, sejam de relva natural ou sintética. "Isto era uma coisa que já podia ter sido feita há mais tempo", afiança o técnico do FC Castrense, lembrando o que já aconteceu nos jogos do principal campeonato da Associação de Futebol do Algarve. "Se queremos evoluir e melhorar a qualidade do nosso futebol temos de ter bons campos e, ao contrário do que as pessoas pensam, boas bolas", acrescenta Francisco Fernandes, garantindo que "jogar num relvado é excelente". "Só não joga quem não quer, quem não sabe ou, como dizem os meus jogadores na brincadeira, quem o treinador não quer", remata.
"FC Castrense tem óptimas condições"
Desde que pendurou as chuteiras em 1994, Francisco Fernandes já passou pelo banco de Odemirense, Desportivo de Beja, Vasco da Gama de Sines, Ferreirense, Moura AC e Mineiro Aljustrelense enquanto treinador, coleccionando centenas de vitórias e mais de uma mão cheia de títulos. A Castro Verde chegou em Fevereiro de 2011 e os elogios ao FC Castrense, onde acaba de se sagrar campeão distrital pela quinta vez, são mais que muitos. "É um bom clube, com excelentes condições de trabalho, com uma excelente direcção e um presidente [Carlos Alberto Pereira] de um rigor incrível e muito organizado", vinca Francisco Fernandes, que apenas lamenta alguma frieza dos associados relativamente à equipa. "A única coisa em que gostaria que o FC Castrense mudasse era no sentido de ter mais gente a ver os jogos", admite.
O FC Castrense foi um justo campeão em 2011-2012? Sim, sem dúvida alguma. Toda a gente reconhece que desde o primeiro momento até ontem [domingo, 6], quando terminou o campeonato, fomos de longe a melhor equipa e superiores em tudo. E a prova disso é que chegámos ao final do campeonato em primeiro lugar, sendo a equipa com mais golos marcados e menos sofridos, que teve o melhor marcador do campeonato [Rui Pepe] e que melhor futebol praticou. Não há nada a opor a este título! Somos uns justos campeões e foi inteiramente merecido. Os meus jogadores estão de parabéns, pois isto é fruto do trabalho deles. E como costumo dizer, os meus maiores títulos são ver os meu jogadores e toda a gente felizes.
Lideraram o campeonato da primeira à última jornada. Foi uma época mais fácil do que o esperado? Não, foi difícil! Fui das poucas pessoas que disse que iríamos ter um adversário difícil, que era o Milfontes, e de facto, as coisas não foram fáceis! Foi um campeonato muito difícil, que não teve nada a ver com o anterior. E a única coisa que lamento, por ser um defensor do Alentejo, foi ver as equipas que queriam dar uma resposta um bocadinho mais positiva apetrecharem-se com jogadores de fora da nossa região. Não gostei, mas respeito. E isto também serve para chamar um pouco a atenção das pessoas sobre o que querem em termos de futuro e sobre como temos de trabalhar a formação.
Qual foi a maior dificuldade sentida ao longo da época? Foram as dificuldades inerentes ao campeonato, até porque não tivemos nunca uma grande pressão! Estivemos sempre cientes das nossas dificuldades, encarando cada jogo como uma final e querendo ganhar todos os jogos.
Acabaram por não conseguir ser campeões sem derrotas. Fica esse "amargo de boca"? Sim, sim, sim! Era uma coisa que procurávamos, tentei incentivar os jogadores nesse sentido, mas todas as equipas têm sempre um momento menos bom. Acho que esse nosso momento menos bom foi no jogo em Odemira, onde acabámos derrotados. Foi o jogo menos conseguido da nossa parte!
Considera que o campeonato deste ano foi disputado. Mas teve a qualidade que deve ser exigida ao "Distritalão"? Para mim teve mais qualidade que o campeonato anterior. As equipas estavam mais fortes e havia um maior número de equipas com mais qualidade, fruto também da vinda de jogadores de outras regiões. E uma das coisas que disse aos meus jogadores foi que se chegássemos ao final do campeonato como campeões era uma vitória do Alentejo e dos jogadores alentejanos!
O título está garantido e agora é tempo de preparar o futuro. Em 2012-2013 vai continuar no FC Castrense? Já começámos a falar nalgumas coisas, há interesse do clube e meu também. É um clube que eu gosto de treinar e vamos ver. Se tudo correr dentro da normalidade, penso que vou continuar. Mas o campeonato [nacional da 3ª divisão] para o ano vai sofrer alterações e há que pensar bem as coisas. Vai ser [um campeonato] um pouco atípico, difícil, sem ninguém perceber o que vai dar… Fala-se em tanta coisa, diz-se tanta coisa, mas acho que é mau terminarem com a 3ª divisão nacional.
Porquê? Porque vão acabar muitas equipas. E ao acabar muitas equipas, logicamente que também acabam muitos praticantes. E é pena!
Não vê, portanto, benefícios para o futebol nacional nestas alterações aos campeonatos da 2ª e 3ª divisão? Não! E para regiões como a nossa não vai ser fácil. É verdade que vai ser mais fácil chegar à 2ª divisão nacional, mas vai haver de certeza absoluta uma diferença enorme entre uma equipa que disputa o campeonato distrital ser campeã e no outro ano estar a disputar um campeonato nacional da 2ª divisão. Não faz muito sentido! Só vejo esta alteração como forma de minimizar custos para a Federação [Portuguesa de Futebol].
Se ficar em Castro Verde, vai mexer muito no actual plantel do FC Castrense? Logicamente que tem de haver alterações! Mas ainda estamos numa fase inicial.
A "espinha dorsal" da equipa é para manter? Sim, se ficar gostaria de manter a maioria dos jogadores. Mas repito: nada está decidido, até porque ainda temos uma prova [Supertaça] para disputar e temos tempo. Não é preciso decidir já e fazer as coisas a correr. Somos pessoas responsáveis e temos de ver os prós e os contras, aquilo em que podemos melhorar, o que se pode ou não fazer.
Nomes como Mikó (do Vasco da Gama de Sines), José Luís Brito (Milfontes), Estebaínha ou Nuno Alves (ambos do Mineiro Aljustrelense) surgem como "alvos" do FC Castrense para a próxima época. Confirma? Os bons jogadores interessam todos. Tratam-se de jogadores com quem gosto de trabalhar, que também gostam de trabalhar comigo e que têm ganho muita coisa comigo. Mas nada mais que isso! Ainda nem sequer se pôs sobre a mesa nomes de jogadores que possam interessar.
"Os meus jogadores estão de parabéns, pois isto é fruto do trabalho deles. E como costumo dizer, os meus maiores títulos são ver os meu jogadores e toda a gente felizes."
"Uma das coisas que disse aos meus jogadores foi que se chegássemos ao final do campeonato como campeões era uma vitória do Alentejo e dos jogadores alentejanos!"
"Não faz muito sentido acabar com a 3ª divisão nacional! Só vejo esta alteração como forma de minimizar custos para a Federação [Portuguesa de Futebol]."
Entrega das faixas de campeão no sábado
A equipa do FC Castrense vai receber este sábado, 12, as faixas e a taça de campeão distrital de 2011-2012. Para assinalar o momento, a formação de Castro Verde joga a partir das 16h00 no Municipal 25 de Abril contra uma selecção distrital orientada por Carlos Simão e Fernando Piçarra.
"deixem os miúdos jogar mais à bola"
Homem do futebol, Francisco Fernandes tem uma visão bastante crítica sobre uma tendência cada vez mais dominante no "desporto-rei" e no âmbito da qual a prática é suplantada pela teoria. "O futebol há-de ser sempre um jogo mais de prática do que de teoria", afirma o técnico do FC Castrense, que deixa um pedido a quem trabalha nos escalões de formação: "Deixem jogar os miúdos, tirem-nos dos balneários, das lições teóricas e tácticas, e ponham-nos a jogar mais. Ensinem os miúdos a jogar futebol, porque aquilo não é matemática, geografia ou filosofia". Para Francisco Fernandes, depois de "um dia inteiro fechado numa sala de aulas" o que uma criança quer "é chegar ao campo e jogar". Daí reiterar que "o futebol será sempre um jogo de prática" – "E quanto mais vezes os miúdos tocarem na bola, melhores jogadores serão", conclui.
"acabem com os pelados no distrital"
Francisco Fernandes não tem dúvidas: a qualidade do campeonato da 1ª divisão distrital aumentará bastante a partir do momento em que todos os jogos se realizem em campos relvados, sejam de relva natural ou sintética. "Isto era uma coisa que já podia ter sido feita há mais tempo", afiança o técnico do FC Castrense, lembrando o que já aconteceu nos jogos do principal campeonato da Associação de Futebol do Algarve. "Se queremos evoluir e melhorar a qualidade do nosso futebol temos de ter bons campos e, ao contrário do que as pessoas pensam, boas bolas", acrescenta Francisco Fernandes, garantindo que "jogar num relvado é excelente". "Só não joga quem não quer, quem não sabe ou, como dizem os meus jogadores na brincadeira, quem o treinador não quer", remata.
"FC Castrense tem óptimas condições"
Desde que pendurou as chuteiras em 1994, Francisco Fernandes já passou pelo banco de Odemirense, Desportivo de Beja, Vasco da Gama de Sines, Ferreirense, Moura AC e Mineiro Aljustrelense enquanto treinador, coleccionando centenas de vitórias e mais de uma mão cheia de títulos. A Castro Verde chegou em Fevereiro de 2011 e os elogios ao FC Castrense, onde acaba de se sagrar campeão distrital pela quinta vez, são mais que muitos. "É um bom clube, com excelentes condições de trabalho, com uma excelente direcção e um presidente [Carlos Alberto Pereira] de um rigor incrível e muito organizado", vinca Francisco Fernandes, que apenas lamenta alguma frieza dos associados relativamente à equipa. "A única coisa em que gostaria que o FC Castrense mudasse era no sentido de ter mais gente a ver os jogos", admite.
Fonte: http://www.correioalentejo.com
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