Atleta do Benfica terminou no 18.º lugar
Gabriel
Potra, apesar de ter feito a melhor marca da época (23,64 segundos),
não garantiu a presença nas meias-finais dos 200 metros T12 (deficiência
visual).
O atleta do Benfica, medalha de ouro e recordista
paralímpico nos 200 metros em Sydney'2000, nunca escondeu a ambição de
ganhar uma nova medalha, pelo que aproveitou o final da prova e da
quarta participação paralímpica para desabafar.
"Há muita
coisa que tem de mudar profundamente", disse, a propósito da preparação
que os atletas portugueses fizeram para "uns Jogos com esta
competitividade tremenda".
Potra, que tem 32 anos e é
funcionário num pavilhão desportivo da Câmara Municipal do Montijo,
afirma que "trabalhar e treinar é difícil", sobretudo porque tem de
atravessar o rio Tejo para o fazer.
Queixou-se também de
problemas de financiamento, referindo ter sido forçado a pagar do
próprio bolso um tratamento médico a uma lesão. "Além de as verbas serem
curtas, não chegam atempadamente aos atletas", sublinhou, atribuindo a
responsabilidade à "cúpula", nomeadamente a Missão, Comité Paralímpico e
Estado.
Nas outras delegações, Potra encontra adversários
que "só vivem disto ou têm seis meses de dispensa [dos empregos]" e
também uma maior aposta em novos talentos.
Perante tudo isto,
e se não forem feitas mudanças, adverte que a participação portuguesa
nos Jogos Paralímpicos Rio2016 "será pior, isto se houver seleção para
ir".
O próprio atleta questiona a continuidade no programa
paralímpico por não querer continuar a fazer "sacrifícios com S grande".
"Tenho feito toda a vida, mas há outras coisas que quero fazer",
vincou.
Além dos 200 metros T12, que terminou em 18.º lugar
da geral (23,64 segundos), integrou a estafeta 4x100 metros T11/T13, que
também não conseguiu passar da primeira ronda.
Já nos 100
metros T12, mostrou-se satisfeito por ter atingido o objetivo de ficar
nos oito primeiros, mesmo sem qualificar-se para a final.
Fonte: http://www.record.xl.pt
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