sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Carlos Simão tem como lema: “Os ganhadores nunca desistem”: “Aquém da nossa própria ilusão”





O Clube Atlético Aldenovense é considerado como um dos sérios candidatos ao título distrital na presente temporada. Tem 13 pontos de atraso em relação ao líder, equipa que recebe no próximo domingo.

Texto e foto Firmino Paixão

Carlos Simão, treinador do Alde­novense, não fala em candidatura, chamam-lhe a ilusão de ganhar todos domingos. O clube reuniu um plantel de qualidade, às ordens de um técnico experiente, e tem as metas bem definidas. Contudo, dois ou três resultados menos conseguidos abanaram esta estrutura e a equipa caiu para lugares impensáveis. Agora, a margem de erro é nula, assume o treinador dos aldenovenses.

Foi uma primeira volta em consonância com as vossas expetativas?Não. Foi uma primeira volta que nem nós conseguimos entender. Partimos com alguma ilusão, a conjuntura atual favorecia a construção de um plantel de qualidade, tal como a ausência desta prova de outros clubes com pergaminhos no futebol distrital, como o castrense, o Aljustrelense, o Moura. Temos um plantel de qualidade mas perspetivávamos um campeonato mais competitivo.

Por isso, o sexto lugar está um pouco aquém das metas iniciais?Está aquém do sentimento de todos nós. Partimos com a tal ilusão, muito forte, o primeiro jogo que perdemos, em Almodôvar, não terá deixado marcas, mas houve dois momentos que marcaram a nossa primeira volta, os jogos em casa com o Serpa (derrota) e com o Odemirense (empate), em que fizemos dois jogos sérios e, por isso, merecíamos algo mais. A partir daí a equipa ficou claramente afetada.

Uma desvantagem de 13 pontos será recuperável na segunda volta?Temos a consciência de que as coisas estão difíceis, a margem de erro acabou para nós. Temos um campeonato um pouco atípico, ninguém previa que, no final da primeira volta, o Almodôvar estivesse tanto à vontade em relação a nós. Perspetivámos uma prova equilibrada, que se decidisse no último terço, como eu ainda espero. No futebol aprendi que os ganhadores nunca desistem e os desistentes nunca ganham. O comportamento da equipa nos últimos jogos tem sido muito bom e as adversidades olham-se de frente, é assim que vamos continuar a trabalhar.

O jogo do próximo domingo, com o líder, pode ser determinante? Determinante será ganharmos todos os nossos desafios. Naturalmente que, entrando na segunda volta a ganhar ao nosso adversário direto, minimizaremos a desvantagem. O Almodôvar é uma boa equipa, bem orientada, está no 1.º lugar porque merece. Sabemos que quando vamos na frente tudo nos corre bem e até a estrelinha lá anda, mas também acredito que eles terão os seus dias não.

Quando falou em ilusão queria dizer que o Aldenovense assume a candidatura ao título?Isso é sempre subjetivo. Enquanto treinador, independentemente do clube que treino, terei que ter metas. Não lutamos pelo 4.º ou 5.º lugar. Se pudermos ser os primeiros, não seremos os segundos. Quando cheguei ao clube, na época passada, foi na perspetiva de melhorarmos o que não estava tão bem, não é porque se estivesse a trabalhar mal. Recuperámos a equipa e fizemos uma boa ponta final, esta época procuramos ir um pouco mais além.

O clube estaria em condições de assumir os desafios do novo modelo de 2.ª Divisão Nacional?Ninguém está. Conheço clubes no distrito que têm uma estabilidade na sua estrutura organizativa do melhor que existe e que reúnem um bom lote de jogadores, outros com estruturas quase profissionais, que disputam uma 3.ª divisão que, temos que assumir, com menos qualidade que em anos anteriores e estão a sentir enorme dificuldade. Muito mais difícil seria para o Aldenovense, ou mesmo para o Almodôvar, encararmos essa 2.ª divisão.

O futebol regional está a passar por um período de recessão?A todos os níveis. Há alguns anos que tenho alertado, e as opiniões pessoais que dou são sustentadas pela vivência de 40 anos de futebol, sem implicar pessoas, nem competências. Implica, isso sim, uma visão para o futuro, e eu tenho alertado para o decréscimo de qualidade do futebol distrital. As infraestruturas melhoraram, mas tem faltado um trabalho sério e profundo, com uma ideia forte e um caminho inflexível. Não se trabalha bem na formação e não são os treinadores que o fazem mal, o que falta é definir um caminho. E vê-se isso até nos clubes grandes. Quem é que aproveita os frutos da formação, onde gastam milhões de euros? Aqui também existiu muita gente a dar passos largos demais para a sua estrutura e hoje todos pagamos essa fatura.

Qual o caminho que propõe?As pessoas têm que ter convicções. Os projetos são uma falsa questão. Quem gere os clubes tem que ter uma ideia forte sobre o caminho a seguir e não se desviar à mínima contrariedade. Num clube desportivo há metas comuns e as pessoas esquecem-se de criar laços de afetividade, os clubes estão a perder identidade. Existe muita frieza entre as pessoas que estão no futebol e num só clube existem várias correntes. Temos que recuperar os valores que se perderam, através das escolinhas, passando essa mensagem da história e do passado do clube e dos valores que esses símbolos encerram.

Fonte:  http://da.ambaal.pt/

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