quinta-feira, 21 de março de 2013

“Em breve, será dado o reconhecimento merecido ao futebol feminino”, Cristina Teixeira, CB Castro Verde


1) B.I. Futebolistico Nome completo: Cristina Maria de Mendonça e Vasconcelos Teixeira Nome Futebolístico: Cris Local e data de nascimento: Porto 01/05/1978 Nacionalidade: Portuguesa Profissão: Professora de Educação Física Ano que iniciaste a prática futebol federado: 1996 Clubes que já representaste no futebol: GDRC Alto do Avilhó, Universidade Fernando Pessoa Clube Actual: Casa do Benfica em Castro Verde Posição especifica: Médio centro Títulos Colectivos Conquistados: Campeã Universitária de Futsal pela FCDEF-UP, Vice-Campeã Nacional de Futsal, Supertaça de futebol 7 do distrito de Beja. Títulos Individuais Conquistados: Melhor médio distrito de Beja Número de internacionalizações: Clube Favorito: Futebol Clube do Porto Número Preferido: 7 Jogador preferido: João Moutinho Jogadora preferida: Louisa Necib Uma virtude: Persistente, capacidade de liderança Um defeito: Perfecionista
2)Como é que começaste a praticar futebol?
O Futebol sempre foi a minha paixão!!! Desde os tempos do 1º ciclo que me lembro de estar sempre à espera do intervalo para ir “jogar à bola” com os meus amigos. Quanto entrei para o 2º ciclo não perdia os torneios da escola, apesar de ser uma das poucas raparigas a jogar. Mais tarde, e já no secundário, não pude deixar de fazer parte da equipa do desporto escolar, que tantas alegrias me deu! Mas ainda não chegava…o que eu queria mesmo era ser federada!! E assim foi, quando entrei na faculdade rapidamente me convidaram para jogar futsal e, finalmente, concretizei um dos meus sonhos…

3)Tiveste o apoio da tua família?
A família sempre me apoiou em todas as decisões que fui tomando. Desde a altura em que participava no desporto escolar, sempre fui acompanhada e apoiada pelos meus pais e irmã, que, sempre que podiam, iam assistir aos jogos.

4)O futebol foi sempre a única paixão, ou gostavas de fazer desporto em geral?
Fazer desporto sempre foi uma opção para mim, pois sempre adorei praticar todo o tipo de actividades desportivas. O gosto era tanto que, desde muito cedo, não tive dúvidas quanto à profissão que gostaria de ter…ser professora de Educação Física!

5)Qual foi o melhor e o pior momento que viveste no futebol até hoje e porquê?
O melhor momento ser selecionada para jogar pela selecção de futsal do distrito do Porto e poder representar a minha cidade.
O pior momento foi ter deixado de jogar futebol (em competição) durante quase 10 anos, por ter vindo trabalhar para o baixo Alentejo, não havendo qualquer equipa nessa zona.

6)Como te descreves como jogadora?
Acho que sou uma jogadora com bastante técnica e com uma boa visão de jogo. Talvez pela experiência que tenho (devido à idade avançada!!!) consigo fazer uma boa leitura do jogo, ajudando a minha equipa a construir jogo.

7)Tens alguma superstição ou ritual antes ou depois dos jogos?
Não. Foi algo que nunca me passou pela cabeça.

8)O que te motiva para continuares a jogar futebol?
Jogar futebol é, e sempre foi, um prazer. Sinto uma alegria enorme quando jogo futebol e gosto de transmitir isso mesmo às mais novas, que estão agora a começar.


9)Alguma vez sentiste que o futebol te prejudicava nos estudos ou na tua vida profissional?
O futebol nunca me prejudicou nos estudos, nem na vida profissional, pelo contrário, sempre me fez ter vontade de mais e muito mais. A disposição, depois de jogar futebol, é simplesmente mágica, é um carregar de energias, é um libertar de tensões, enfim, é um começar um novo dia. No entanto, por vezes não consigo estar com a família o tempo que gostaria por ser tão dedicada a esta paixão!!!

10)A falta de condições e de reconhecimento do futebol feminino é só um problema de dinheiro?
Penso que não. Infelizmente algumas mentalidades ainda não são como gostaríamos que fossem. No entanto, acho que estamos no bom caminho e que muito em breve, será dado o reconhecimento merecido ao futebol feminino.

11)Achas que o futebol feminino ainda está ligado a preconceitos?
Claro que sim, mas sinceramente vindo de pessoas que não fazem a mínima ideia do que é o futebol, do que é o desporto e acima de tudo qual o papel da mulher no desporto. Ainda há pouco tempo li um comentário infeliz de um senhor “inteligente” que dizia: “a mulher deve estar em casa a preparar o jantar para o marido e não a jogar à bola”. Com este tipo de pensamentos continua a ser difícil acabar com os preconceitos…
O futebol feminino não perde em nada tecnicamente e tacticamente comparado com a vertente masculina. Há apenas óbvias diferenças a nível físico que, ainda assim, não retira todo o brilho já patenteado pelo futebol feminino.

12)Achas que num futuro próximo vamos ter uma liga profissional em Portugal?
Então e porque não? Acho que era um passo enorme no futebol feminino português e seria um abrir de novas portas para excelentes miúdas que podem ter um grande futuro pela frente.

13)Qual a liga estrangeira que mais te atrai?
Atrai-me a liga Americana, e todo o conceito ligado à cultura pelo futebol feminino que se pratica nos Estados Unidos da América. As meninas começam a jogar desde muito novas, sendo de louvar os moldes com que as universidades também apoiam o desporto em geral, conciliando desporto e educação. É algo que deveria transitar para a Europa.

14)Se te aparecesse uma oportunidade para ser profissional em Portugal ou no estrangeiro aceitavas?
Isso já não é para mim…a idade já é muita…e, hoje em dia, é impossível abdicar de um emprego.

15)Até quando pensas jogar futebol?
Até conseguir…espero que por mais uns anitos…
Ainda assim, quando sentir que a capacidade física já é diminuta, continuarei ligada ao futebol feminino para ajudar, no que puder, a desenvolver e quem sabe, chegar a patamares de destaque a nível internacional.

16)Como é vestir a camisola da selecção portuguesa?
Nunca lá cheguei…com muita pena minha.
Infelizmente, tive de prescindir do futebol para exercer a profissão de Professora de Educação Física, o que me trouxe há quase doze anos para o Alentejo, onde só há 3 anos criámos uma liga com equipas de futebol 7 feminino.
Ao afastar-me da cidade do Porto, perdi a oportunidade de poder ser convocada para a Selecção Nacional, que era sem dúvida um sonho e objectivo.

17)Qual a sensação antes de entrar em campo na 1ª internacionalização? As pernas tremem muito?
Deve ser algo inesquecível e que, todas as que têm essa oportunidade, a devem vivenciar ao máximo.

Fonte: http://futebolfemininoportugal.com/

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