O Clube do Baixo Alentejo esteve em destaque
no jornal Record. O trabalho é do jornalista Firmino Paixão.
Alentejo Excêntrico
Por acaso o rádio do carro está sintonizado
na Rádio Vidigueira. É uma daquelas emocionantes tardes em que o clube local, o
Vasco da Gama, joga em casa, e o relatador está a viver entusiasticamente o
encontro.
“Pontapé de baliza. O guarda-redes Rato
avança na área e toca curto para o defesa Gato; este tem a seu lado Galinha e
Prego, mas prefere lateralizar para Bonito, que ensaia um pontapé comprido para
o meio-campo ofensivo, onde surge Feio a rematar ao lado da baliza contrária”,
ouve-se qualquer coisa como isto. Logo a seguir, continua: “O defesa Calado não
gostou do lance e barafustou, Zé Verdades concorda com o companheiro e
acrescenta que o seu irmão Mário Verdades estava em melhor posição”.
Pode parecer ficção mas não é. Estes
jogadores integram o plantel do clube com os jogadores de nome mais exótico do
Alentejo e quase certamente também do país. E estes são atuais, porque até
recentemente jogavam ali também o doutor Costa ou Marinho Alfaiate, mas
decidiram rescindir e rumar a outras paragens.
O Clube de Futebol Vasco da Gama da
Vidigueira, vila colada ao IP2 no sentido Beja/Évora, foi convidada pela FPF a
participar esta época, pela primeira vez na 3ª Divisão. E conseguiu
qualificar-se para a fase de apuramento de campeão, um feito histórico para a
Vidigueira.
No meio de tanta excentricidade, o Vasco da
Gama é um clube como os outros, a viver dificuldades, mas empenhado em
conquistar resultados positivos com os recursos disponíveis. O presidente
António Galvão lembra que valeu a pena aceitar o convite para a 3ª Divisão: “Foi
diferente a todos os níveis, desportivos ou financeiros. Demos maior
visibilidade à Vidigueira e tivemos tudo a ganhar com esta participação na
prova. Não hipotecámos o futuro; o investimento foi um pouco superior, mas o
retorno tem sido melhor ainda.”
Já o técnico José Pratas elogiou o coletivo: “Estou
satisfeito porque asseguramos o acesso à fase de subida. Valemos pelo que somos
como equipa.” Já quanto à singularidade dos nomes que integram o plantel, o
técnico sorri: “Temos uma panóplia muito bonita e até nos treinos dá para
fazermos alguns trocadilhos.”
Um Feio de nome que é considerado o craque da equipa
Apesar de Feio, José é o craque do Vasco da
Gama da Vidigueira. Na época passada foi o melhor marcador do campeonato AF Beja,
mas o jogador prefere não valorizar esse mérito, optando por sublinhar a
qualidade do plantel que integra. O avançado não acredita que “ser Feio não
facilita a missão de goleador, nem sequer assusta os adversários” mas concorda
que marca alguns golos muito bonitos. O Feio e o Bonito, avançado e defesa,
dizem ter bom entendimento dentro de campo, apesar de os nomes poderem indiciar
alguma contradição. José sente-se bem na equipa da Vidigueira, apesar de
confessar ter recebido convites que “não foi por ser Feio que não se
concretizam”, assegurou este estudante de 27 anos.
Luta de Gato e Rato. Defesa e Guarda-Redes assumem ser bons colegas
Carlos Rato é o guarda-redes; Rui Gato o
defesa. Apesar dos apelidos, dizem ser amigos e bons companheiros de equipa. “Costuma
ser o gato atrás do rato mas neste caso é ao contrário, porque ele joga à minha
frente”, revela…Rato. O colega confirma a relação e dá mais explicações: “ Às
vezes ele passa-me a bola. Por isso damo-nos bem. Não brincamos ao gato e ao
rato porque o calor e o empenho nos jogos não nos permitem. No treino há sempre
brincadeira, com maior amizade”. Rato, dono de uma pastelaria, roeu a corda
quando jogava no Atético de Reguengos, voltando à Vidigueira; mas afirma que
quer terminar a carreira na terra natal, Cuba. O seu nome só não se aplica à
posição que ocupa. “Sou capaz de voar entre os postes”, adianta o guarda-redes.
Rui Gato é um pouco diferente. Este empresário de restauração assegura ser o
defesa mais assanhado da equipa: “Jogo com muita garra. Por isso, algumas vezes
temos de arranhar os adversários”.
Vítor Galinha. Experiência na capoeira
Natural de Cuba, ali mesmo ao lado, Galinha
joga entre o Gato e o Rato; “mas não deixo que me depenem”, explica. Este
funcionário municipal é um dos jogadores mais experientes da equipa e já marcou
um golo na própria capoeira.
Nélson Prego. O Gattuso que rebenta bolas
Conhecido como Gattuso, este central, técnico
de desporto, recusa a ideia de ficar pregado ao terreno. “Comigo ou passa a
bola ou passa o adversário”, revela, explicando como chuta a bola: “Comigo a
bola vem e vai. Já rebentei muitas bolas”.
Ricardo Calado. Especialista em reclamar
Ao contrário do que o nome indica, Calado não
é muito…calado. “Reclamo muito com os meus colegas e não evito barafustar com
os árbitros”, conta. Foi expulso “duas ou três vezes” mas assegura ser o “mais
disciplinado da equipa”. Ricardo é estudante de desporto.
Diogo Bonito. Nome vale brincadeiras
Empresário enólogo, Diogo Bonito assume: “Posso
não ser bonito de cara, mas serei bonito o resto da minha vida e a minha
namorada até me chama Bonito bonito”, revela. Passa muitas vezes a bola a Feio
mas o nome na camisola já lhe valeu muitas brincadeiras.
José Verdades. Um mecânico com manhas
José é o mais velho dos irmãos Verdades. “Às
vezes quando nos convém temos de falar a verdade com o árbitro, para tirar
partido de algumas situações. São manhas de jogador”, revela. Sobe o irmão
Mário diz que “é melhor jogador e merecia ir mais longe”.
Posted by Alentejo e Desporto
Fonte: http://alentejoedesporto.blogspot.pt/


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