sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Saudade
José Saúde
“A palavra saudade, aquele que a inventou, a primeira vez que a disse, com certeza que chorou”; este exíguo verso recolhido no cante alentejano e que tem, em meu entender, uma profundidade enorme no reino dos mortais, encaixa-se no contexto cultural e desportivo. A saudade mexe com o universo de criaturas clementes neste planeta Terra. O desporto e a cultura vivem de saudade e de eloquentes paixões. Há exequíveis momentos em que jamais esqueceremos o que foi outrora as nossas vidas desportivas. Uma breve troca de palavras entre velhos companheiros de lides do antigamente e aí está o repto para dissecarmos pedaços de uma vida onde a nossa condição de desportistas nos leva a cruzar épocas e revermos o que fomos e o que somos. Na passada sexta-feira reencontrei um velho amigo, conhecido vulgarmente como Manel Zé Lobo, um homem nascido e criado em Serpa, que me fez reviver uma época, 1971/1972, em que fomos companheiros de equipa no FC Serpa quando o histórico emblema disputou o campeonato nacional da III Divisão. Momentos inesquecíveis que me conduziram depois a eloquentes momentos de genuíno delírio numa visualização ao fenómeno desportivo regional bejense, onde fomos peças num puzzle que paulatinamente foi ganhando novos rumos. O futebol atingiu repercussões dantes impensáveis. O ajuntamento esporádico de rapazes que ao fim de semana formavam uma equipa para disputar um jogo particular com o vizinho da terra ao lado, pulverizou-se de tal forma que os clubes são atualmente coletividades organizadas que possuem infraestruturas onde pouco ou nada falta. Este devaneio conduziu-me a uma viagem pela Margem Esquerda do Guadiana, concelho de Serpa, o meu, e deparar-me com clubes que são no presente autênticos oásis. Campo próprio, balneários, relva ou sintético, bancadas e público. Uma antítese de um passado onde prolifera agora a palavra saudade.
Fonte: http://da.ambaal.pt
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