Fundado em 27 de março de 1975, o Centro de Cultura Popular de Serpa (CCP) tem no andebol a sua prática desportiva mais relevante e a equipa de juvenis, a disputar o Nacional da 1.ª Divisão, é o seu maior expoente.
Texto e foto Firmino Paixão
O clube assume um papel de destaque no quadro associativo de um concelho onde a diversidade e a qualidade desportiva marcam a diferença, não só ao nível dos praticantes mas também dos equipamentos. O CCP Serpa é, atualmente, um dos dois polos onde subsiste a prática do andebol ao nível do distrito de Beja e o seu escalão de topo é a equipa de juvenis que disputa o Nacional da 1.ª Divisão. Carlos Amarelinho, presidente do clube, abre aqui as portas desse grande universo de formação desportiva na Margem Esquerda do Guadiana.
Os juvenis regressaram aos melhores palcos do andebol nacional?Sim, na época passada garantimos a manutenção e devo realçar que foi a primeira vez que os nossos juvenis estiveram a este nível. Os iniciados já tinham estado seis anos na 1.ª Divisão, por isso foi simbólico que os juvenis ganhassem o direito desportivo de fazer uma segunda época nesta divisão. E as perspetivas são as mesmas, a manutenção na 1.ª Divisão.
A equipa é constituída por atletas formados no clube?Sãos todos miúdos da nossa formação. E são todos de Serpa, não temos ninguém das freguesias, esse é um projeto que nós vamos abraçar dentro em breve, iremos às escolas fazer captação. Já temos dois treinadores preparados para encetar esse projeto, que é essencial, senão corremos o risco de, dentro de dois ou três anos, termos apenas uma pequena elite no andebol, e isso não pode acontecer. O andebol tem que se manter ao nível do futebol em termos de praticantes.
São duas modalidades que rivalizam quanto ao número de praticantes, mas no distrito de Beja nem por isso?Aqui em Serpa estamos um nível acima, porque jogamos em patamares diferentes, o desporto também é diferente, mas esta fornada que tem saído do CCP nos últimos anos tem contribuído para o engrandecimento do desporto distrital. Temos esse objetivo e pensamos que o andebol tem uma palavra a dizer nesta região. Lamentamos a ausência do Vasco da Gama de Vidigueira, que fazia bastante falta neste quadro competitivo, teríamos maior representatividade, mas os que cá estão é que contam, somos nós e a Zona Azul, é a estes dois clubes que podem agradecer a manutenção do andebol neste distrito.
O CCP ocupa um lugar de referência no associativismo local… Em termos coletivos continuamos a ser o grande clube do concelho a jogar a este nível, com equipas de topo do andebol nacional. Atualmente, no Baixo Alentejo, só temos dois clubes a praticar, a Zona Azul e o CCP Serpa. Sublinho aqui os pergaminhos da Zona Azul, clube que tem mais ou menos a mesma idade que o nosso, mas é de enaltecer o esforço que estes dois clubes fazem para manter o andebol vivo nesta região. Vamos continuar o nosso percurso, queremos manter esta equipa na 1.ª Divisão, manter os seniores na terceira e dinamizar o trabalho com os nossos infantis e iniciados.
A realidade do clube não se esgota na equipa de juvenis?Temos todos os escalões exceto os juniores. Não é fácil manter uma equipa de juniores e no sul do País há muito poucas. Os seniores estão na 3.ª Divisão Nacional, os iniciados vão começar o campeonato nacional no final deste mês, temos os infantis e depois os minis e os bambis, para além, naturalmente, dos juvenis. Temos feito um esforço grande no sentido de oferecermos boas condições aos atletas, e neste campo não se trata de ter uma perspetiva, nós temos a certeza que damos as melhores condições aos nossos atletas, porque é através desse patamar de qualidade que conseguimos manter jogadores para competirmos nos quatro escalões.
E é assim que se vão manter?A realidade atual é essa, se para o ano o conseguiremos, não sabemos. A população está a envelhecer e o número de jovens é cada vez menor. Serpa tem um leque muito amplo e diversificado de modalidades. Serpa é uma terra fértil em modalidades desportivas. O andebol é o segundo desporto deste concelho, mas a nossa projeção é maior, porque jogamos em divisões nacionais e para motivarmos os nossos atletas temos que “puxar a brasa à nossa sardinha”, dizemos-lhes que vão jogar num patamar nacional, sem desprimor para as outras modalidades, mas a realidade é essa.
Que apoios tem o CCP Serpa para a sua atividade?Somos um clube pequeno com uma gestão financeira saudável. Temos os apoios institucionais, da câmara e das juntas de freguesia, mas o da câmara é o mais significativo, e também do comércio local, a par de algumas iniciativas que temos ao longo do ano. Somos quase autossuficientes em termos de transportes e temos independência para podermos dar aos nossos atletas tudo o que eles merecem. Somos um clube com alguma especificidade em relação a outros, temos esta perspetiva do desporto e é assim que nos queremos manter.
Fonte: http://da.ambaal.pt
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