sexta-feira, 11 de abril de 2014

Metáforas desportivas

José Saúde

Vagueando pelas escarpas do desporto sul-alentejano, ouço, leio, analiso e deito narrativas sobre assuntos que vão para além da minha existência e decifro célebres metáforas desportivas que tornaram o fenómeno encantador. Doutros tempos releio relatos deixados sobre o jogo da bola e examino uma competição que ditava indiscutíveis princípios éticos. Trago à ilustração um torneio quadrangular disputado em Beja, início dos anos 20, século passado, em que participaram o Glória, o Luso, o Despertar e o União. Na final, disputada entre o Glória e o Despertar, registou-se uma vitória (5-0) do primeiro sobre os despertarianos. Curioso foi o evento do desafio ter sido arbitrado pelo jogador “internacional” Alberto Augusto, atleta do Benfica, que se encontrava em Beja, onde negociava com o Glória a sua aquisição como futuro jogador-treinador. Como nota de rodapé, cito as condições propostas pelo craque benfiquista: estadia paga na pensão “Perna Curta” e o ordenado de 400$00 mensais. Ora bem, desses longínquos tempos ressaltam-me à tona da minha memória metáforas sociais e desportivas escritas, bem como potenciais valências do mítico Despertar no palco do desporto alentejano. O velhinho “rasga” é um emblema feito por gentes que, orgulhosamente, transportam um estandarte assente em tradições populares. Na década de 1960, tendo como presidente o saudoso Zeca Pereira, fui um dos muitos jogadores que defenderam as suas cores. Os títulos conquistados preenchem prateleiras de êxitos e o seu nome honradamente respeitado. Com a época de 2013/2014 a decorrer, o Despertar, em seniores, conquistou a Taça de Honra da II Divisão da AF Beja, vencendo o Saboia (2-0) e disputa a fase final de acesso ao campeonato supremo regional. É evidente que os tempos constatados são antagónicos ao envelhecido sistema de outrora, mas as metáforas teimam em permanecer ajustadas em adjetivações de um histórico Despertar cujo passado é de facto enriquecedor.

Fonte: http://da.ambaal.pt

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