José Saúde
Vagueando pelas escarpas do desporto
sul-alentejano, ouço, leio, analiso e deito narrativas sobre assuntos
que vão para além da minha existência e decifro célebres metáforas
desportivas que tornaram o fenómeno encantador. Doutros tempos releio
relatos deixados sobre o jogo da bola e examino uma competição que
ditava indiscutíveis princípios éticos. Trago à ilustração um torneio
quadrangular disputado em Beja, início dos anos 20, século passado, em
que participaram o Glória, o Luso, o Despertar e o União. Na final,
disputada entre o Glória e o Despertar, registou-se uma vitória (5-0) do
primeiro sobre os despertarianos. Curioso foi o evento do desafio ter
sido arbitrado pelo jogador “internacional” Alberto Augusto, atleta do
Benfica, que se encontrava em Beja, onde negociava com o Glória a sua
aquisição como futuro jogador-treinador. Como nota de rodapé, cito as
condições propostas pelo craque benfiquista: estadia paga na pensão
“Perna Curta” e o ordenado de 400$00 mensais. Ora bem, desses longínquos
tempos ressaltam-me à tona da minha memória metáforas sociais e
desportivas escritas, bem como potenciais valências do mítico Despertar
no palco do desporto alentejano. O velhinho “rasga” é um emblema feito
por gentes que, orgulhosamente, transportam um estandarte assente em
tradições populares. Na década de 1960, tendo como presidente o saudoso
Zeca Pereira, fui um dos muitos jogadores que defenderam as suas cores.
Os títulos conquistados preenchem prateleiras de êxitos e o seu nome
honradamente respeitado. Com a época de 2013/2014 a decorrer, o
Despertar, em seniores, conquistou a Taça de Honra da II Divisão da AF
Beja, vencendo o Saboia (2-0) e disputa a fase final de acesso ao
campeonato supremo regional. É evidente que os tempos constatados são
antagónicos ao envelhecido sistema de outrora, mas as metáforas teimam
em permanecer ajustadas em adjetivações de um histórico Despertar cujo
passado é de facto enriquecedor.
Fonte: http://da.ambaal.pt
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