sexta-feira, 13 de junho de 2014

Adeus

José Saúde

A inevitabilidade de férteis surpresas que, esporadicamente, tomamos conhecimento no mundo desportivo, traz-‑nos espantos supremos que determinam opções pessoais, que respeitamos, e delas tiramos óbvias ilações. Dizer adeus ao futebol, modalidade com a qual conviveu ao longo de quarenta anos, 20 como jogador e outros tantos como treinador, não se apresentou fácil para quê anunciou tamanho abalo. Francisco Manuel Franco Guerreiro Fernandes nasceu na freguesia de Cabeça Gorda, no dia 3 de janeiro de 1960, ficando conhecido como o Chico Fernandes. Com 13 anos abalou da sua terra natal para Beja e aos 14 iniciou a sua atividade futebolística no Desportivo. Seguiu-se a Zona Azul, clube que, na época, fazia furor na formação, sendo que o rapaz, já com uma boa envergadura física e técnica, foi várias vezes chamado às seleções jovens nacionais, confirmando-se a sua internacionalização, sub-19, em Cáceres, Espanha. Eram os princípios para uma imaculada carreira profissional. Vitória de Setúbal, Desportivo de Beja, Vasco da Gama de Sines, União da Madeira, Nacional, Olhanense e, finalmente, o União de Santiago de Cacém para cumprir um pedido feito pelo pai, antes de falecer. Conhecedor profundo dos meandros da bola e dos subtis cheiros oriundos dos balneários, Chico Fernandes enveredou, depois, pela carreira de treinador. E eis o dotado antigo atleta a completar uma carreira assombrosa, impondo aos plantéis engenho e arte que visaram conquistas de títulos e subidas de divisão aos campeonatos nacionais a que acresce outros troféus conquistados. Odemirense, Ferreirense, Moura, Aljustrelense (campeão nacional, 3ª divisão) e castrense são disso preciosos exemplos. Em Sines, no Vasco da Gama, somou uma subida da 3.ª para a 2.ª divisão nacional. No pretérito sábado, Chico Fernandes, no campo José Agostinho de Matos, Cabeça Gorda, juntou um rol de amigos, bem como antigos companheiros de lides e, aos 54 anos, disse adeus ao futebol. Chico Fernandes, um símbolo que perdurará para sempre nas nossas memórias desportivas. 

Fonte: http://da.ambaal.pt

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