sexta-feira, 20 de junho de 2014

Portugal e o futebol

Firmino Paixão

A selecção de Portugal que está a competir no Mundial do Brasil não fez diferente do que nos últimos anos têm feito os políticos que governam este país – ajoelhar-se ao pés da toda poderosa Alemanha, num acto de rendição testemunhado pela sua chancelarina, a senhora Ângela Merkel. Não vale a pena chorarmos sobre o leite derramado, lamentarmos presumíveis grandes penalidades mal assinalados, outras por assinalar, nem as lesões ou expulsões, este é o nosso destino, a nossa vocação para a mediocridade. Os designados conquistadores não deixaram, por ora, indícios de que este epíteto possa ter correspondência na sua efectiva campanha desportiva na pátria do samba. Veremos mais à frente no calendário que está por cumprir, se serão capazes de conquistar algo de glorificante para as cores nacionais. Para já ficou o mau exemplo de um jogador pago principescamente para, perante milhões de espectadores, e entre eles, seguramente, milhares de crianças que veem nestes seus ídolos o espelho para o seu próprio comportamento social e atitude no desporto, agredir um adversário à cabeçada.  O nosso veredito é que esse tal “português” com sotaque, e com um passado desportivo manchado por inúmeras atitudes de semelhante violência nos campo de futebol, jamais deveria envergar a camisola das quinas. O que aconteceu nesta estreia portuguesa no Brasil 2014 foi um desfalecimento conjuntural, uma reacção vagal colectiva, em tudo semelhante à que acometeu o Chefe de Estado durante as comemorações do Dia de Portugal, quando, perante o seu silêncio cúmplice, uma vez mais lhe apelaram à condenação das políticas neoliberais que já destruíram o Estado social e que condenam milhões de portugueses ao desemprego, ao desespero e à miséria.  Perante agonia tão generalizada, o povo português, fragilizado e deprimido como anda, esperava um paliativo da sua equipa de futebol, mas, pelos vistos, nem isso merecemos.

Fonte: http://da.ambaal.pt/

Sem comentários:

Enviar um comentário