AUTOR
José Bragança |
Depois da tempestade alemã, o Brasil foi colocado num quarto escuro pela Holanda. A canarinha despediu-se sem honra nem glória do seu Mundial perante uma Laranja que
"deu sumo até à última gota" nesta competição. Em Brasília, os europeus
venceram por três bolas a zero e garantiram o último lugar no pódio da Copa.
Nem a consolação para a canarinhaBrasil e Holanda subiram ao relvado do Estádio Mané Garrincha, em Brasília, para o jogo de atribuição do terceiro e quarto lugar neste Campeonato do Mundo. Os canarinhos queriam sair com uma espécie de sorriso amarelo, enquanto que a Laranja ainda queria dar mais algumas gotas de sumo na competição.Derrotados nas meias finais, Luiz Felipe Scolari e Louis van Gaal queriam, no mínimo, garantir o último lugar do pódio e, desse modo, fechar com uma vitória a participação no Mundial brasileiro deste ano. O jogo valia mais (muito mais) para o Brasil e para o seu treinador do que propriamente para a Holanda. É que a pesada goleada sofrida perante a Alemanha, nas meias finais, deixou o país do samba a chorar a humilhação e a colocar muitos pontos de interrogação para o futuro da sua equipa. É certo que uma vitória não passava uma "borracha" no que se tinha passado mas permitia amenizar, ainda que minimamente, a dor canarinha no que ao futebol diz respeito. Seja como for, nota para os assobios a Scolari e ao avançado Fred, sempre que estes se mostravam ao público, e para os aplausos a Neymar. Para os holandeses o objetivo estava fixado: vencer e sair deste Mundial de forma invicta, uma vez que nas meias finais a Laranja Mecânica apenas perdeu nas grandes penalidades. Mas a história merece ser contada do princípio. Até porque o jogo só precisou de três minutos para desmentir os que previam um tédio ou um jogo em ritmo de treino. Nada disso. Bola no ataque para Robben, defesa para trás e penálti para a Holanda. Estava tudo lançado. Robben, inteligente, conseguiu arrancar um penálti que Van Persie a concretizou em golo, aos três minutos. Mas para a história ficou um duplo erro do árbitro neste lance. Thiago Silva puxou o dianteiro da Holanda mas a falta, no entanto, aconteceu fora da área e o árbitro, a marcar penálti, deveria ter mostrado vermelho a Thiago Silva. Interessante, com oportunidades e emoção, a Holanda - com uma tática muito definida da defesa para o ataque - enfrentou um Brasil sem a versatilidade de Willian, vista em outros dias, e sem o talento de Oscar, tão visto em Londres ao serviço do Chelsea. Desta vez havia também Jô no ataque do Brasil, em vez de um apagado Fred, mas nem isso acrescentava ritmo ao futebol de Scolari. O técnico brasileiro esboçou uma equipa muito mais consistente no meio de campo e fez seis alterações, isto tendo por comparação os últimos jogos do escrete. Mas o Brasil continuou a dar muito espaço e a mostrar lacunas na defesa. Do lado holandês... maior rigidez, maior preocupação defensiva e uma tática que ligava todos os setores. Tudo somado dava um jogo vibrante a espaços para a equipa de Van Gaal que, desde logo, se viu obrigado a lançar De Guzman para o lugar de Snejder, que se lesionou no aquecimento. Todavia, notou-se uma grande diferença na forma de encarar o jogo que foi notória em várias partes do mesmo. Para os brasileiros, a partida esteve até mesmo longe de ser uma mera consolação. Para a equipa holandesa - que esteve às portas da final - foi um duelo que teve muita entrega em cada jogada. Os homens de Van Gaal queriam mostrar que a derrota nos penáltis perante a Argentina tinha sido exceção e não regra. A perder, o Brasil viu a Holanda ampliar o resultado aos 17 minutos. Daley Blind aproveitou um erro incrível de David Luiz. O ex-Benfica cortou de cabeça um cruzamento vindo da direita para o "coração" da área e Daley Blind aproveitou esse corte, dominando com o pé esquerdo e rematando para o fundo da baliza brasileira. Choravam nas bancadas os adeptos brasileiros, com destaque para muitas crianças que não escondiam o aperto sentido no coração e na alma verde e amarela. Até final da primeira parte, a equipa canarinha não coleciou oportunidades de golo. A vitória por duas bolas era justa para o conjunto europeu. Por isso, o time canarinho saiu para o balneário debaixo de um coro de assobios dos seus adeptos. Holanda fechada atrás, Brasil com muitos nervosPara o segundo tempo, Scolari deixou Luiz Gustavo nos balneários e fez entrar Fernandinho. A verdade é que o Brasil continou sem criar perigo. A equipa do escrete tentava fazer tudo bem mas tudo acabava por sair errado. Nervos e muita frustração marcavam o jogo do Brasil.Apesar disso, o Brasil tentou crescer como podia. Aos 66 minutos, Maicon cruzou na linha de fundo, na direita, Vlaar cortou, com a bola a dividir-se entre o peito e o braço. Os brasileiros pediram mão do defesa holandês. O árbitro mandou seguir. Logo de seguida, Oscar caiu na área da Holanda depois de um contacto com um jogador europeu. Ficou a ideia de que foi o jogador brasileiro que procurou e provocou o contacto com o jogador holandês. Ainda assim, os adeptos canarinhos pediram penálti que não foi atendido pelo árbitro neste lance de difícil análise. Até final do jogo, a Holanda guardou e ampliou a vantagem perante um Brasil já de rastos. Georginio Wijnaldum, solto de marcação na área, aproveitou um cruzamento de Jannmaat para fazer o terceiro golo, em tempo de descontos. A equipa de Van Gaal fica no terceiro lugar e fecha a prova sem derrotas, enquanto que a formação da casa termina a competição no quarto lugar e com 10 golos sofridos nos últimos dois jogos.
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domingo, 13 de julho de 2014
Holanda meteu Brasil num quarto escuro (0x3)
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