O árbitro bejense Luís Lameira tornou público um comunicado através do qual dá voz à sua indignação pela forma falaciosa como foi ligado ao processo Apito Dourado e reafirma nunca ter sido arguido no processo.
Texto e foto Firmino Paixão
O árbitro filiado no Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol de Beja, Luís Lameira, 43 anos, foi ouvido no âmbito do processo n.º 6346/08 do Tribunal de Relação do Porto, em cuja tese do Ministério Público consta que o ex-árbitro eborense Jacinto Paixão “telefonou a Luís Lameira pedindo-lhe que contactasse com António Araújo com o fim de lhe arranjar umas meninas para a noite”, aquando da sua deslocação ao norte para apitar o jogo entre o Porto e o Estrela da Amadora (2003/2004). Na mesma época, Lameira fui constituído arguido por suspeita de corrupção passiva, acusado de possível influência no resultado do jogo entre o Machico e o Malveira, depois de um dirigente nacional da arbitragem o ter contactado para dirigir essa partida. O processo decorreu no Tribunal de Santa Cruz e concluiu-se com a absolvição de todos os arguidos. Uma década depois, Luís Lameira diz de sua justiça. Inocente e absolvido.
Durante 10 anos permitiu o que diz terem sido muitos atentados contra o seu bom-nome, sem reagir para não violar o segredo de justiça?Sim, tentei ficar em silêncio até tudo estar resolvido, para poder depois falar com propriedade sobre o que se passou nestes últimos 10 anos.
A simples proclamação da sua inocência não violava esse princípio, mas nem isso fez?Não, houve duas situações diferentes, uma ligada ao Apito Dourado em que eu era testemunha e em que me foi solicitado silêncio pelo Ministério Público. No processo da Madeira não podia divulgar factos até à conclusão do processo e eu optei por estar calado.
Quem é que o associou ao Apito Dourado com o que diz ter sido “inverdade e difamação”?As pessoas que gostam de difamar os outros. Eu era amigo do Jacinto Paixão e surgi no processo porque ele me pediu um contacto e quando foi detido divulgou que eu lhe tinha dado esse contacto. Falaram de mim como se estivesse ligado diretamente ao processo quando eu era apenas testemunha.
Então foi esse árbitro eborense que o arrolou para esse processo?Foi o Ministério Público com base nas declarações dele, mas eu nunca estive sob escuta, nem sob suspeita. O que aconteceu é que ele foi detido e divulgou que eu lhe tinha dado o contacto do António Araújo.
O processo refere que ele lhe pediu para telefonar ao empresário nortenho? Era absolutamente natural que o ligassem ao processo…Eu dei o contacto do Araújo ao Jacinto Paixão e ele ligou-lhe, depois falaram entre eles. Sim, acho natural. O António Araújo era um amigo que conheci através do futebol, passávamos férias no mesmo sítio e criámos laços de amizade.
O árbitro de Évora queria pedir “fruta” para a noite. Que ligação tinha o Luís com essa “frutaria”?Nenhuma. Conheci o António Araújo, simplesmente, através do futebol. Depois passou a ser empresário de jogadores e continuámos a partilhar férias juntos, no Algarve. Falávamos regularmente, nunca tive contactos com ele no norte e a relação era essa, meramente de amizade.
O acórdão do Tribunal da Relação do Porto refere-se a si como “o arguido Luís Lameira” num inquérito sobre “prática de coautoria de corrupção desportiva”…Numa fase inicial fui constituído arguido e depois, na fase instrutória do processo, já passei a testemunha e foi nessa qualidade que fui ouvido em Beja.
No mesmo ano de 2004 é, novamente, constituído arguido pelo Tribunal de Santa Cruz, suspeito de corrupção passiva num jogo entre o Machico e o Malveira…Houve um telefonema do dirigente António Henriques a perguntar-me se estaria disponível para esse jogo e dessa conversa deduziram que ele me estava a pedir para beneficiar o Machico, porque lhe perguntei como estava a minha classificação e ele respondeu-me que logo falávamos depois do jogo. A conversa ficou por aqui.
Enquanto árbitro não se lembra de ter cometido qualquer delito menor de que se tenha já arrependido?Não, cometi vários erros, alguns deles, certamente, com influência nos resultados. Mas que tenha beneficiado intencionalmente uma equipa em detrimento de outra, não me pesa isso na consciência. Devo ter cometido muitos erros involuntários, alguns mais graves que outros.
O seu comunicado limpou definitivamente essa imagem que em algum momento existiu sobre a sua função de árbitro?Sim, haverá sempre alguém a dizer mal, mas a maior parte das pessoas que não estavam suficientemente informadas sobre a realidade e a dimensão das situações podem tirar outras ilações após o comunicado. Mas cada um tem o direito de fazer o seu próprio julgamento. Sou árbitro há 26 anos, não é fácil andar nisto, sei bem o desgaste que isto provoca e as pressões a que somos sujeitos.
Fonte: http://da.ambaal.pt/
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