segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Tiago Serralheiro: «Quero fazer do futebol a minha profissão»

Tem 17 anos, é natural de Sousel e alinha nos juniores da Académica de Coimbra. Começou por baixo, no modesto Vidense, nos distritais, e depois no Eléctrico de Ponte de Sôr, já nos nacionais. No ano passado, Tiago Serralheiro deixou o Alentejo e rumou à cidade dos estudantes em busca de um sonho perseguido por tantos outros jovens da sua idade: ser jogador de futebol profissional.
Quando o telefone tocou, ainda hesitou. Tinha apenas 16 anos e sair de casa tão cedo gerou algumas dúvidas. Hoje, Tiago considera ter seguido o caminho certo. “Sei que tomei a melhor decisão e nunca me arrependi, mesmo quando as saudades da família e dos amigos apertam. É um esforço que vale a pena”, justifica.
A adaptação, diz, “foi fácil, fui muito bem recebido por todos os meus colegas de equipa e criei desde cedo laços fortes em Coimbra, não só no futebol mas também na escola, onde também não senti dificuldades em me integrar. Coimbra é uma cidade encantadora e sinto-me 100 por cento integrado”.
O jovem jogador refere que a temporada está a correr bem, embora haja algumas diferenças para o escalão de juvenil: “A época ainda nem vai a meio mas penso que está a correr bem e estamos a lutar por os nossos objetivos. Nos juniores não há um jogo fácil, enquanto nos juvenis há sempre um ou dois mais acessíveis, a intensidade, a agressividade e a velocidade de reação é claro que têm que ser muito maiores”.
Nascido no seio de uma família de futebolistas, foi do pai, Augusto Serralheiro, que herdou o gosto em fazer balançar as redes adversárias. Um avançado trabalhador, rápido e potente, que foi já brindado como uma chamada aos seniores, num encontro particular com o Feirense (0-0). Jogou cerca de 15 minutos. “Foi uma sensação ótima, prova que o nosso trabalho é reconhecido e recompensado. É sempre incrível estarmos a jogar com aqueles que são exemplos para mim e para muitos jovens e crianças que um dia esperam ser como eles. Os jogadores e os treinadores puseram-me há vontade e senti que dei o meu máximo por isso sim acho que correu bem”, conta.
Não esconde por isso o seu grande desejo de, mais tarde ou mais cedo, “chegar a uma I Liga, claro”. “O que eu quero é fazer do futebol a minha profissão. É o meu sonho, e, no que depender de mim, vou dar sempre o melhor e o máximo, para um dia sentir que todos os esforços que eu e a minha família têm feito são recompensados”, sublinha.
Fora das quatro linhas, o jovem alentejano também tem mostrado afinco. “Não é fácil conciliar o futebol com a escola, mas tenho tentado ao máximo que a escola nunca ficasse para trás e até agora está a correr bem”. Não coloca de parte o ingresso no ensino superior: “Gostava de um dia tirar um curso superior porque nunca sabemos o que o futuro nos reserva e é sempre bom termos uma segunda opção. Ainda não sei qual o curso, mas tem que ser para algo que eu realmente goste”.
A Académica de Coimbra (juniores), orientada por Miguel Carvalho, disputa o Campeonato Nacional A – Zona Norte. Ocupa o 9º posto, com 14 pontos. Lidera o FC Porto, tem 27.

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