sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Dionísio
É numa quimera indestrutível que invade as nossas memórias, que proponho mais um percurso às calendas desportivas alentejanas. As minhas mensagens transmitem um odor fiel a uma causa que muito me enternece. Reconheço que é na veracidade dos meus alentos, bem como na razão factual que conduzem leitores sequiosos a sufragar informações dantes propagadas, que leva o ledor a um exercício espiritual de emoções. Recorro a histórias de homens que outrora honraram valores éticos e fizeram do desporto um hino à liberdade. Presentemente este mundo subscreve-se com novos dados considerados como uma antítese do passado. Falo sobre António Joaquim da Conceição Dionísio, um homem que nasceu em Trigaches, no dia 8 de dezembro de 1937. Foi um jogador de futebol que deu os primeiros passos no Despertar SC, com 16 anos. Seguiu-se uma carreira fulgurante. No Desportivo de Beja, Dionísio, espalhou o perfume da sua magia futebolística e foi titular de onzes onde proliferaram craques de eleição. Um convite de João Diogo, então presidente do FC Serpa, o rapaz viajou para a Margem Esquerda do Guadiana e integrou um plantel de luxo, onde sobressaíam o Patalino, o Teixeira da Silva, o Coureles, o Manuel Baião, entre outros. Curioso foi o custo da sua transferência: um emprego no Grémio da Lavoura de Serpa e uma motorizada para a sua deslocação de Beja e o óbvio regresso a casa. Seguiu-se o retorno ao Desportivo e uma posterior carreira como treinador marcada pelo brilhantismo. Dionísio foi o técnico que à frente da equipa do popular Ferróbico, Cabeça Gorda, se sagrou pela primeira vez campeão distrital da AF Beja e na época seguinte, III divisão nacional, eliminou da Taça de Portugal o Penafiel, clube que militava no escalão principal nacional. Recentemente visitei o Dionísio, utente do Lar Nobre Freire, em Beja, e observei um homem vergado ao peso dos seus 78 anos, e sobretudo aos males que o têm apoquentado. O seu alinhado penteado deu lugar a uma esbranquiçada cabeleira que emite saudade. Força, meu velho amigo!
Fonte: http://da.ambaal.pt
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