José Saúde
A ingenuidade das crianças é fascinante. São
pequenas criaturas em que o sentimento da maldade parece não penetrar no
seu fantasioso mundo desportivo. Sem a malvadez desenfreada, e bárbara,
que consome a humanidade, as crianças de tenras idades ousam
contradizer pretensas intenções quando o objetivo prioritário dos
adultos passa, exclusivamente, pelo caminho do triunfo. Recentemente
ouvi uma preleção onde intervieram homens competentes em conduzir
adolescentes no cosmo desportivo, o que levou de imediato a fixar--me
numa auréola onde essa juventude de que falo interage com a minha
maneira de pensar sobre um universo que há muito me é sobejamente
conhecido: o futebol. Porém, uma preocupação acrescida existe quando me
deparo com a linguagem fútil, descabida, fora do contexto do jogo e
acima de tudo grosseira, que alguns dos treinadores e dirigentes
implementam no xadrez com o evoluir do desafio. Não é a primeira vez que
trago à discussão pública um tema que permanece nos palcos desportivos.
Nas competições seniores os palavrões são regabofes comuns, opinando
que essa indesmentível verdade assume padrões de uma pobreza gigantesca.
Por outro lado, a forma como os adultos interferem na conjetura do jogo
entre crianças, o seu comportamento verbal deixa--me atónito e
principalmente revoltado. Não! Não pode e muito menos deve acontecer.
Nós, homens do desporto, temos o dever cívico em educar crianças na
plenitude do seu crescimento, não só como futuros homens de amanhã mas
também como desportistas. Deixo, uma vez mais o repto, a quem de direito
para que situações desta natureza resvalem para uma inevitável revisão
sobre uma temática de inutilidade extrema e que deixa o público
estupefacto perante o conteúdo oral auscultado por alguns dos
protagonistas no espetáculo. Dirigentes, árbitros e responsáveis, tentem
repor a ordem num prodígio com dimensões colossais. As crianças não têm
culpa da linguagem oca dos adultos.
Fonte: http://da.ambaal.pt
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