Arbitragem
Partindo das análises feitas por antigos árbitros no ‘Tribunal’ do diário desportivo ‘O Jogo’, o Coordenador Pedagógico da Academia de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol produziu um autêntico manual sobre arbitragem, que resulta num documento de credibilidade inquestionável devido ao indiscutível conhecimento de António Montiel sobre a matéria e à sua experiência de 24 anos no setor da arbitragem.
Com prefácio de Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, órgão que apoiou esta edição da Prime Books, ‘O Caso dos Casos no Futebol – Investigando as Origens das Polémicas de Arbitragem’ é um livro inovador que pode interessar particularmente aos milhares de árbitros das diversas modalidades desportivas que existem em Portugal, aos jornalistas que se dedicam ao fenómeno do futebol e aos adeptos deste desporto.
Apresentada pelo na quinta-feira no Salão Nobre da Faculdade de Motricidade Humana, na Cruz Quebrada, pelo Professor Duarte Araújo, Diretor do Laboratório de Perícia do Desporto da FMH-UL, a obra expõe diversas situações típicas de polémica, explica-as de forma pedagógica e tira conclusões importantes para a compreensão das leis do futebol e da sua aplicação.
No seu discurso na sessão de apresentação do livro, António Montiel sublinhou que a realização da obra decorreu da necessidade de o Conselho de Arbitragem “de refletir sobre as críticas à arbitragem” e que o livro tem como objetivo “compreender quais são os fatores geradores da polémica sobre as arbitragens”, tendo para isso seguido como metodologia “um processo rigoroso e sistemático de recolha e análise de dados, fundamentado num cuidadoso estudo das leis do jogo e submetido à revisão técnica e científica de um alargado número de peritos”.
O livro aponta para três grandes conclusões sobre quais são as principais fontes de polémica, de acordo como o autor: “a natureza do futebol, enquanto desporto rápido e de contacto, que dificulta a perceção clara dos factos e a consequente tomada de decisão”; “a relatividade e subjetividade que as leis do jogo não apenas admitem, mas exigem ao árbitro na tomada de decisão”; e “os preconceitos (clubísticos ou outros), que distorcem qualquer realidade objetiva e proliferam ainda mais no terreno da subjetividade, que é, como se sabe, tão fértil em polémicas”.
António Montiel infere, então, que para reduzir a polémica sobre as arbitragens, é necessário “aprimorar o processo de adesão, de seleção e retenção de jovens árbitros, com melhores condições de trabalho e protegendo-os das constantes ameaças à sua segurança física e psicológica”, “aumentar a objetividade das leis e introduzir o recurso a instrumentos mais precisos de observação” e “investir numa cultura de confiança na arbitragem, que atenue os impulsos da paixão clubística”.
“Ao invés, se o que se quer é a polémica, seja porque vende muito ou porque permite (aqui ou ali) disfarçar os insucessos de uma equipa, então é normal que tudo se arraste no tempo sem nada se mudar. Neste contexto, poderá ser acenada a bandeira da verdade desportiva, mas não será mais do que uma outra arma ao serviço de conveniências particulares”, sublinhou.
Fonte: FpF.PT
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