Há
seis anos, após grandes desempenhos nos infantis do Clube de Futebol de
Estremoz, João Sardo rumou ao Benfica e a sua vida mudou completamente. Na
altura já entendia a grandeza do clube que passou a representar: "Quero
chegar à equipa principal. Sei que será difícil mas vou trabalhar muito para
aqui continuar", dizia-nos então. Seis anos depois, e após assinar um
contrato de três anos com os encarnados, João sabe que tudo valeu a pena.
Aos 5
anos já tinha preferências clubísticas. Não foram fáceis os primeiros tempos.
Três a quarto vezes por semana, o jogador e o pai, Silvino Sardo, faziam juntos
os cerca de 170 km que separam Estremoz de Lisboa. "Para Lisboa vinha a
estudar e para Estremoz ia a dormir", lembra o jovem hoquista, agora já
com 19 anos e a frequentar a Universidade Lusófona, na capital. Recordando os
primeiros anos, João lembra que além da mudança e das viagens, foi também
difícil a adaptação aos novos métodos de treino e ao grau de exigência.
"Entendi logo que tinha de trabalhar muito e que só ter algum jeito não
chegava. Mesmo estando longe, fazia questão de ir treinar, pois sabia que só
com trabalho iria conseguir os meus objetivos. Era difícil chegar tarde,
levantar cedo e ao fim do dia regressar a Lisboa, mas tinha de ser assim."
No
segundo ano como juvenil (sub-17) recebeu da parte do clube uma grande prova de
confiança: "Fui capitão e aí percebi que estavam mesmo a apostar em mim.
Percebi que teria algum peso", recorda. "Num clube como o Benfica não
nos podemos acomodar nem pensar que já conquistámos alguma coisa." Nesse
ano, João Sardo levantou a taça de campeão nacional.
Nervos
No
decorrer desta época, onde disputou o campeonato de juniores e a 2.ª Divisão
pela equipa B, João voltou a lembrar os primeiros tempos: "Quando comecei
a treinar com a equipa principal voltei a sentir as dificuldades do primeiro
ano. O ritmo é diferente e foi preciso adaptar-me novamente." A adaptação
correu bem e Pedro Nunes, treinador dos seniores, apostou nele para um dos
encontros do campeonato da 1.ª Divisão. Contra o CD Póvoa, teve a oportunidade
de atuar largos minutos na segunda parte e realizou mais um sonho: "Estava
nervoso, confesso, mas também é normal pois estava a jogar com alguns dos meus
ídolos."
No
final da época, o Benfica apresentou a João Sardo uma proposta de três anos de
contrato. "Sinto que sou aposta do Benfica para o futuro e quero fazer o
que tenho feito até agora. Estarei no último ano de júnior e farei esse
campeonato e o da 2.ª Divisão com a equipa B, sempre atento às oportunidades
que possa ter na equipa principal. Treinei com eles praticamente toda a época e
na próxima gostaria que assim continuasse." Questionado se é no Benfica
que pretende fazer a sua carreira enquanto sénior, João é contundente na resposta:
"Claro, é a melhor equipa."
«Aposta minha e da mãe»
Pai e
filho em viagem entre Estremoz e Lisboa.
Foi o
pai que nos primeiros quatro anos acompanhou João Sardo nesta caminhada. As
viagens eram feitas a dois e o hóquei, naturalmente, estava presente nas
conversas: "Sempre fui o seu maior crítico e sempre lhe disse que tinha de
trabalhar muito." Orgulhoso, Silvino Sardo assegura que tudo valeu a pena:
"Foi uma aposta minha e da mãe, com base no valor e no gosto que ele tinha
em representar o Benfica. Somos todos benfiquistas e este sacrifício, que
fizemos com prazer, valeu a pena."
No dia
que viu o filho ficar de forma permanente em Lisboa, Silvino confessa que
estranhou muito: "As saudades apertaram mas tivemos de pensar que foi esta
a vida que ele escolheu. Ficamos por vezes tristes quando ele não vem, mas isto
é mesmo assim", refere, acrescentando: "Ele tem evoluído e tem
trabalhado muito para ele e para a equipa e a recompensa está aí."
(José Lameiras, Record)
Publicado por Alentejo e Desporto
Fonte: http://alentejoedesporto.blogspot.pt/

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