Fonte: http://www.radiocampanario.com
Os
dirigentes da Associação de Futebol de Évora (AFE) continuam sem se
entender. A saída do ex-presidente Amaro Camões não resolveu os
problemas desta associação, estando neste momento a ser pedida a
demissão do atual presidente, António Pereira.
Em
entrevista à Rádio Campanário o vice-presidente para a área do Futebol
de Formação e Futsal, Fernando Nunes, acusa o atual presidente de “falta
de diálogo e de falta de verdade e de tomar decisões unilateralmente”.
A
esta Estação Emissora o dirigente associativo diz que depois de ter
ouvido as entrevistas de Amaro Camões e de António Pereira, “não tinha
outra alternativa senão vir aqui, eles disseram a verdade deles e
cabe-me a mim também dizer a minha verdade, só que a diferença é que eu
tenho documentos comprovativos”.
Fernando
Nunes diz que Amaro Camões “tem toda a razão, nós ameaçamos o senhor
Camões e dissemos que também íamos pedir a demissão ou a renúncia, como
uma forma de pressão para que ele se demitisse porque os estatutos dizem
que após uma demissão nós nunca nos poderíamos recandidatar e o senhor
engenheiro Pereira sempre teve a intenção de se candidatar a
presidente”.
“Eu
tenho as cartas assinadas dos pedidos de renúncia de todos os
diretores, esta foi uma forma de pressão da nossa parte para que o
senhor Camões saísse, os seis elementos da direção combinaram fazer isso
como forma de pressão para que ele saísse mas o senhor Camões é uma
pessoa vivida e não foi no engano, mas nesse momento foi a única
solução”, refere.
No
entanto a saída de Amaro Camões da AFE não melhorou o ambiente vivido
na associação com Fernando Nunes a dizer que neste momento está
desiludido “com a postura do senhor engenheiro Pereira que antes de
tomar posse foi uma pessoa com bom senso fazendo parte das soluções e
não dos problemas, após tomar posse tomou decisões unilateralmente à
revelia da direção”, exemplificando, “a contratação de Óscar Tojo e a
aquisição de 50 bilhetes para o jogo da Seleção Nacional para oferecer
às custas dos clubes sem a nossa autorização”.
Nunes
diz-se preocupado porque “num momento complicado da associação não se
devem fazer estas despesas”, referindo que neste momento apenas dois
dirigentes vão à Associação, “o Carlos Cabo que vai lá esporadicamente e
o senhor engenheiro Pereira que vai lá diariamente, os outros cinco
diretores não vão à AFE, vão apenas às reuniões para não serem
demitidos”.
Relativamente
às viagens realizadas a Cabo Verde, Fernando Nunes diz que a sua versão
é igual à de Amaro Camões, “porque nenhuma das 20 pessoas, 11 da
comitiva mais os diretores e esposas, ninguém pagou nada, quem pagou foi
a AFE”, discordando apenas que Amaro Camões tenha dito que foram gastos
19 mil euros quando o que foi pago foram duas faturas que totalizam
9500 euros “que ele pagou com a assinatura dele, do engenheiro Pereira e
do senhor António Peixe, são as únicas que estão na contabilidade. Ele
deve estar equivocado com as despesas que a Associação pagou, o senhor
Camões tem razão, ninguém pagou nada”.
Relativamente
à Assembleia Geral do dia 10 de outubro de 2014, Fernando Nunes conta
que “o presidente da Assembleia, Carlos Almeida passada a meia hora de
tolerância mandou fechar a porta do 1º andar e a porta de baixo do
rés-do-chão foi o senhor Amaro Camões que a mandou fechar na minha
presença”, considerando que houve uma precipitação de Carlos Almeida e a
vontade de Amaro Camões para que não estivessem presentes os 22 clubes e
a Assembleia não se realizasse.
Mas
o vice-presidente para a área do Futebol de Formação e Futsal prossegue
com o rol de acusações, “não há verdade na Associação, os diretores não
falam olhos nos olhos, o senhor engenheiro disse nesta rádio que só o
senhor Camões é que teve culpa, então eu e os outros diretores não
tivemos culpa durante 20 anos? Certamente vamos ter muitas culpas".
No
entanto refere que Amaro Camões realizou “um ótimo trabalho na AFE, nos
últimos dois anos por vontade própria ou por questões de trabalho
deixou de aparecer e daí a ter acontecido o que está a acontecer”.
“Esta direção não
tem condições para continuar, ou o senhor engenheiro pede a demissão ou
então promove rapidamente eleições para que os clubes escolham uma nova
equipa com novas ideias porque 20 anos ali são muitos e são criadas
muitas situações”.
A compra da nova
sede da AFE também foi abordada com Fernando Nunes a dizer que também
aqui Amaro Camões teve razão, “aquele prédio estava hipotecado à CGD e
foi vendido por 245 mil euros e foi comprado pela Associação pelo mesmo
valor, tenho documentos que o comprovam”.
Quando questionado
sobre a atual situação financeira da AFE, refere que desconhece que haja
nos cofres da associação os 45 mil euros que faltam pagar no momento da
assinatura da escritura, “eu tenho conhecimento que as coisas estão
muito apertadas em relação às despesas com os árbitros, com os
funcionários, com os seguros”, assumindo que há atrasos nos pagamentos,
“estamos com dificuldades”.
“Há clubes que são tratados de uma maneira e outros de outra, não há verdade desportiva”.
A finalizar
Fernando Nunes desafia os diretores da AFE a desmentir as afirmações que
fez à Rádio Campanário, “faço esse convite para que digam o contrário
porque já foram feitas aqui várias afirmações sobre o senhor Amaro
Camões e ele sempre foi uma pessoa honesta e frontal e o senhor
engenheiro Pereira que é uma pessoa por quem tenho, ou tinha, muita
amizade, mente”, acrescentando, “saiu Amaro Camões mas os problemas
ficaram”.

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