O Sporting Clube Ferreirense é mais um histórico do futebol alentejano em tempo de festa. Comemorou 60 anos na presença de associados, atuais e antigos dirigentes, jovens atletas e antigas glórias do clube.
Texto e foto Firmino Paixão
Fundado em 30 de junho de 1955, o Sporting Clube Ferreirense é, seguramente, um dos históricos do futebol no distrito de Beja. Berço de uma notável “cantera” de jogadores está, hoje, especialmente focado nos escalões de formação, depois de ter suspendido o futebol sénior há cerca de cinco anos. E esse é o caminho por onde vão continuar, lado a lado com uma ou duas equipas de futsal. A garantia é dada pelo presidente do clube, João Correia, que não quer falar do passado, mas pede que os ferreirenses permaneçam unidos em torno do seu emblema.
Para trás ficaram muitas páginas de história, muitas lutas, mas também alguma glória?
São 60 anos de um clube cuja história eu não recordo integralmente, como é óbvio, tenho 35 anos, mas recordo muitas delas. São 60 anos de um emblema histórico no distrito de Beja, que celebramos com muito agrado e ao qual tenho dado o meu contributo nos últimos quatro anos. Esperamos que compareçam sócios e atletas mais antigos para partilharem connosco a suas histórias.
Como presidente do clube que prenda gostaria de desembrulhar neste dia de aniversário?
Queria, essencialmente, preservar a continuidade da união que temos mantido nestes quatro anos em que tenho estado envolvido na direção e queria que esse trabalho fosse, não direi reconhecido, mas que daqui a uns anos os miúdos da nossa formação possam dizer que o Sporting Ferreirense é o clube do seu coração. Onde quer que estejam, porque nem todos aqui ficarão, que nunca se esqueçam das suas raízes e da sua terra.
Nos últimos anos o clube focou-se apenas nos escalões de formação e assim se manterá?
Sim, quando chegámos não havia formação. Existia apenas uma equipa de iniciados e uma de seniores, que depois acabou. Começámos praticamente do zero, tem sim uma luta enorme, muito trabalho e dedicação das pessoas que estão connosco, inclusive de muitos pais. Este ano surgimos no ranking da formação no terceiro lugar, atrás do Despertar e do Moura, isso quer dizer alguma coisa. É o reconhecimento do trabalho, confirmado pela abordagem que alguns clubes nacionais fazem aos nossos miúdos, têm ido imensos jogadores ao Benfica, ao Sporting e ao Porto, e isso, para nós, é uma grande satisfação.
Há cerca de cinco anos o clube suspendeu o futebol sénior. O regresso está a ser ponderado?
Esta direção estará em funções até 2016, o que virá a seguir não sabemos, tão pouco equacionámos uma eventual recandidatura, mas, neste momento, não é possível recuperar a equipa sénior. E por vários motivos, entre eles financeiros, mas também por escassez de recursos humanos. Contudo, com este trabalho na formação, no futuro, estarão aqui atletas disponíveis para esse escalão. Naturalmente que a inexistência de futebol sénior é uma lacuna, as pessoas questionam-nos, mas a razão é simples, os apoios são menores e tudo isto dá um trabalho monstruoso. Mas tenhamos esperança, porque um dia o futebol sénior voltará, é uma marca histórica no clube, como a formação tem que ser.
Trabalham diariamente no sentido de tornar o Ferreirense num melhor clube?
Claro, nomeadamente para aproximarmos mais as pessoas deste clube. Em Ferreira do Alentejo falta bairrismo, sinto muito isso, não só no futebol, em qualquer área não tem existido bairrismo, embora sinta que as coisas estão mudando. Não sei se estarei a ser injusto para alguém, mas acho que nesta terra falta mais união entre as pessoas e amor pelas coisas que são delas, pelas suas raízes, pela sua história, tanto no desporto, como na cultura.
A próxima época já está no horizonte, com mais e melhor dinâmica no trabalho de formação?
A formação será sempre a nossa prioridade, embora tenhamos uma equipa sénior de futsal. Vamos tentar fazer uma equipa de juniores, também em futsal, ainda não é garantido, mas temos alguns juvenis do futebol de 11 que querem competir, porque não conseguiremos jogadores suficientes para fazermos juniores. Manteremos os escalões com que temos vindo a trabalhar, a última época até foi positiva, e no futsal sénior seremos os eternos candidatos.
Os apoios e as dificuldades equivalem-se?
Os apoios do município e da junta de freguesia têm vindo a reduzir, os particulares, cada vez mais, dão menos. Não é só connosco, é igual com as restantes coletividades. Temos 120 atletas, entre petizes e juvenis, mais o futsal sénior, este trabalho tem ganho credibilidade, e as pessoas, principalmente os pais dos miúdos, estão a apoiar-nos mais, mas será sempre uma luta constante, as coisas não estão fáceis mas estamos aqui por amor à causa e assim continuaremos.
Fonte: http://da.ambaal.pt/
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